http://repositorio.unb.br/handle/10482/53538| File | Description | Size | Format | |
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| 2024_LourivalFerreiraDeCarvalhoNeto_TESE.pdf | 5,56 MB | Adobe PDF | View/Open |
| Title: | Transkilomba : transitividades de gênero, vínculos e direitos no mundo comunitário quilombola de Surubiu-Açú — Santarém, PA, BR |
| Authors: | Carvalho Neto, Lourival Ferreira de |
| Orientador(es):: | Prando, Camila Cardoso de Mello |
| Coorientador(es):: | Duarte, Evandro Charles Piza |
| Assunto:: | Decolonialidade Quilombos - Brasil Travestilidade |
| Issue Date: | 29-Dec-2025 |
| Data de defesa:: | 16-Dec-2024 |
| Citation: | CARVALHO NETO, Lourival Ferreira de. Transkilomba: transitividades de gênero, vínculos e direitos no mundo comunitário quilombola de Surubiu-Açú — Santarém, PA, BR. 2024. 168 f., il. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024. |
| Abstract: | Esta tese descreve o processo de investidura de uma travesti como liderança comunitária quilombola. Com inspiração etnográfica, o estudo se baseia na história, na narrativa e na trajetória de Jade Lopes, travesti negra, líder do quilombo de Surubiu-Açú, no Baixo Amazonas, em Santarém, Pará. A convivência na comunidade incluiu observação participante, entrevistas abertas parcialmente gravadas e interações informais no cotidiano, registradas em diários de campo. Aos 58 anos, Jade é dirigente da associação comunitária local e presidente do time de futebol masculino “Beira Rio”, além de ser reconhecida na região por suas práticas de cura. Em 2016, soube da existência de uma travesti que vivia em um quilombo e participava das negociações políticas locais; optei por investigá-la a partir das questões: Como se deu o processo de inserção de Jade no foro comunitário do quilombo e o reconhecimento de sua legitimidade política como liderança? Como a comunidade se organiza internamente? Como se inter-relaciona com a identidade de gênero de Jade? De forma específica, questiono a interrelação dos vínculos comunitários nesse processo de atuação, investidura e reconhecimento político de uma personagem trans nas deliberações internas que formam um sujeito coletivo. Em diálogo com o pensamento de Rita Segato e outros autores da perspectiva decolonial, argumento que, ao se inserir no foro interno de Surubiu-Açú e investir-se para representá-lo como dirigente, Jade vive o primeiro direito fundamental de uma pessoa: pertencer a um povo. Mostro que (i) sua autoridade é constituída a partir do acúmulo de vínculos formados por cura, trabalho e organização diária; (ii) o quilombo opera como estrutura comunal de convivência, sustentada por interatividade e reciprocidade, na qual trabalho partilhado, assembleias e mutirões resolvem conflitos sem exclusão ou punição letal; e (iii) sua transitividade de gênero insere-se em um espaço de negociação contínua em que a diferença, entendida como variação legítima entre pares, não é convertida em anomalia, categoria que decreta desvio e exclui da interlocução. A diferença se legitima à medida que sustenta a vida comunal. |
| Abstract: | This dissertation examines the investiture of a travesti as a community leader in a Brazilian quilombo. Grounded in ethnographic practice, it follows the history and life trajectory of Jade Lopes, a Black travesti who leads the Surubiu-Açú quilombo in the Lower Amazon, Santarém, Pará. Fieldwork combined participant observation, partially recorded open interviews and everyday informal interactions, all documented in field diaries. At 58, Jade heads the local community association and presides over the men’s football team “Beira Rio”; she is also renowned for her healing practices. After learning in 2016 that a travesti was actively involved in local political negotiations, I focused on three questions: How did Jade enter the quilombo’s deliberative forum and gain political legitimacy as a leader? How is the community internally organized? How does that organization articulate with Jade’s gender identity? More specifically, I explore how communal ties shape the exercise, investiture and political recognition of a trans figure within collective decision-making. Drawing on Rita Segato and decolonial authors, I argue that Jade, by acting within Surubiu-Açú’s internal forum, enacts the first fundamental right: belonging to a people. I show that (i) her authority rests on a dense network of ties forged through healing, labour and everyday organization; (ii) the quilombo functions as a communal structure sustained by interactivity and reciprocity, where shared work, assemblies and collective efforts settle conflicts without exclusion or lethal punishment; and (iii) Jade’s gender transitiveness inhabits a continuous space of negotiation in which difference—understood as legitimate variation among peers—is not reclassified as anomaly, a category that decrees deviation and bars interlocution. Difference gains legitimacy insofar as it sustains communal life. |
| Resumen: | Esta tesis describe el proceso de investidura de una travesti como lideresa comunitaria quilombola. Con inspiración etnográfica, el estudio se apoya en la historia y trayectoria de Jade Lopes, travesti negra, dirigente del quilombo Surubiu-Açú, en el Bajo Amazonas, Santarém, Pará. El trabajo de campo combinó observación participante, entrevistas abiertas parcialmente grabadas e interacciones cotidianas informales registradas en diarios. A los 58 años, Jade dirige la asociación comunitaria local, preside el equipo de fútbol masculino “Beira Rio” y es reconocida por sus prácticas de curación. En 2016, al saber de una travesti que participaba en negociaciones políticas del quilombo, planteé tres preguntas: ¿Cómo se produjo su inserción y legitimidad como líder? ¿Cómo se organiza internamente la comunidad? ¿Cómo se entrelaza esa organización con su identidad de género? En términos más precisos, indago la interrelación de los vínculos comunitarios en el desempeño, la investidura y el reconocimiento político de una figura trans en las deliberaciones colectivas. En diálogo con Rita Segato y autores decoloniales, sostengo que, al actuar en el foro interno de Surubiu-Açú, Jade ejerce el primer derecho fundamental de toda persona: pertenecer a un pueblo. Demuestro que (i) su autoridad se basa en el cúmulo de vínculos forjados mediante curación, trabajo y organización diaria; (ii) el quilombo opera como una estructura comunal de convivencia, sustentada en interactividad y reciprocidad, donde el trabajo compartido, las asambleas y los mutirones resuelven conflictos sin exclusión ni castigo letal; y (iii) la transitividad de género de Jade se desarrolla en un espacio de negociación continua donde la diferencia, entendida como variación legítima entre pares, no se convierte en anomalía, categoría que decreta desvío y excluye la interlocución. La diferencia se legitima en la medida en que sostiene la vida comunal. |
| metadata.dc.description.unidade: | Faculdade de Direito (FD) |
| Description: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2024. |
| metadata.dc.description.ppg: | Programa de Pós-Graduação em Direito |
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| Appears in Collections: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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