http://repositorio.unb.br/handle/10482/53356| Fichier | Description | Taille | Format | |
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| Titre: | Sankofa na cozinha cerratense : tecituras geo-históricas de memórias identitárias |
| Auteur(s): | Andrade, Thamyris Carvalho |
| Orientador(es):: | Campos, Neio Lúcio de Oliveira |
| Assunto:: | Decolonialidade Patrimônio cultural Bioma Cerrado Alimentação |
| Date de publication: | 8-déc-2025 |
| Data de defesa:: | 22-aoû-2025 |
| Référence bibliographique: | ANDRADE, Thamyris Carvalho. Sankofa na cozinha cerratense: tecituras geo-históricas de memórias identitárias. 2025. 230 f., il. Tese (Doutorado em Geografia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Résumé: | Esta pesquisa parte do pressuposto de que cozinhas tradicionais não são construções aleatórias, mas expressões diretas das relações entre necessidades humanas, biodiversidade local e saberes coletivos acumulados. O foco recai sobre a formação da cozinha cerratense, especialmente nas regiões do nordeste goiano, sudeste tocantinense e oeste baiano — territórios historicamente habitados por comunidades rurais: indígenas e negras, cujas práticas alimentares foram moldadas por adversidades, resistências e trocas culturais. O problema central da investigação reside na dialética do apagamento e da negação da história alimentar das populações do Cerrado. Esse processo teve início com a domesticação milenar praticada por grupos indígenas, foi interrompido e negado pelos colonizadores europeus, e posteriormente ressignificado pelos negros africanos escravizados que, nos quilombos, reconstruíram formas de vida a partir dos insumos disponíveis e dos saberes ancestrais vindos da África. A sinergia entre essas experiências e o conhecimento de grupos indígenas refugiados nos quilombos configurou uma cozinha marcada pela adaptação e criatividade. O recorte temporal da pesquisa abrange do século XVII até os dias atuais. A investigação adota uma abordagem etnometodológica, ancorada em estudos de geo-história, para compreender a constituição da alimentação como patrimônio. São analisados elementos como técnicas culinárias, instrumentos tradicionais, insumos regionais e simbolismos cotidianos. A oralidade é valorizada como instrumento legítimo de transmissão de saberes, em contraponto à hegemonia da escrita, evidenciando a cozinha como lugar de memória, pertencimento e vínculo com a terra. A vivência da autora no Cerrado e sua atuação como docente da Universidade Federal do Tocantins favoreceram o desenvolvimento de ações de pesquisa e extensão, como o projeto “GOsTO – um punhado de mandioca e um bocado de Cerrado”. Dentre seus desdobramentos, destacam-se a criação do Festival Gastronômico de Arraias (2017– 2020), a implantação de um laboratório de gastronomia e a participação em documentários sobre alimentação e heranças africanas no Brasil. A tese organiza-se em três eixos, inspirados no provérbio africano Sankofa: (I) Visitar o passado, abordando transumância, sertão, cerrado, africanidades e os legados femininos negros; (II) Ressignificar o presente, com ênfase na metodologia e nos conceitos de campo e habitus de Bourdieu, analisando o sistema alimentar, os saberes etnobiológicos e o ativismo alimentar; (III) Construir um futuro melhor, que articula os resultados do campo às memórias familiares da autora e às experiências de transumância do seu bisavô. A partir dessas vivências, desenvolve-se uma reflexão sobre a herança alimentar cerratense, entrelaçada às histórias de família e aos modos de vida no Cerrado. Essas trajetórias culminam na identificação das estruturas estruturantes da cozinha cerratense, revelando como as práticas alimentares se configuram não apenas como estratégias de sobrevivência, mas como formas de resistência, memória e identidade cultural. A pesquisa defende a cozinha como espaço ampliado — que vai além da casa e abrange produção, preparo, rituais e memória coletiva —, propondo o reconhecimento da cozinha cerratense como patrimônio cultural, enraizado em saberes ancestrais e em convivência harmônica com o bioma. |
| Abstract: | This research is based on the premise that traditional kitchens are not random constructions, but direct expressions of the relationships between human needs, local biodiversity, and collectively accumulated knowledge. The study focuses on the formation of Cerrado cuisine, particularly in the regions of northeastern Goiás, southeastern Tocantins, and western Bahia—territories historically inhabited by Indigenous, Afro-descendant, and rural communities, whose food practices have been shaped by adversity, resistance, and cultural exchange. The central problem of the investigation lies in the dialectic of erasure and denial surrounding the food history of the Cerrado peoples. This process began with the millennia-old domestication practices of Indigenous groups, was interrupted and devalued by European colonizers, and was later re-signified by enslaved Africans who, within quilombos, restructured ways of life using available resources and ancestral wisdom. The convergence of these experiences with Indigenous knowledge—especially of groups who sought refuge in quilombos after territorial loss—gave rise to a cuisine marked by adaptation, creativity, and resistance. The temporal scope of this research spans from the 17th century to the present day. An ethnomethodological approach, grounded in geo-historical studies, is adopted to understand food as cultural heritage, structured by culinary techniques, traditional tools, regional ingredients, and everyday symbolisms. Orality is recognized as a legitimate means of transmitting knowledge, in contrast to the dominance of written traditions, positioning food practices as expressions of ways of life, memory, and deep-rooted ties to the land. The author’s lived experience in the Cerrado and her academic role at the Federal University of Tocantins enabled the development of research and outreach initiatives, including the project “GOsTO – um punhado de mandioca e um bocado de Cerrado.” Outcomes of this work include the creation of the Gastronomic Festival of Arraias (2017–2020), the implementation of a culinary laboratory, and participation in documentaries on Brazilian cuisine and African heritage. The thesis is organized into three main axes, inspired by the African proverb Sankofa: (I) Revisiting the past, which explores concepts such as transhumance, hinterland, cerrado, geo-history, and Africanities, as well as ancestral food practices and the erasure of Black female legacies; (II) Re-signifying the present, which presents the study area and the methodological framework based on participant observation and Bourdieu’s concepts of field and habitus, analyzing the Cerrado food system, colonial marks, ethnobiological knowledge, and food activism; (III) Building a better future, which systematizes fieldwork findings and interweaves them with the researcher’s family memories and the transhumant journeys of her great-grandfather. These lived experiences inform a reflection on the Cerrado’s food heritage, revealing how food practices serve not only as survival strategies but also as powerful expressions of memory, identity, and cultural resilience. The research advocates for an expanded understanding of the kitchen—not limited to domestic space, but encompassing production, preparation, ritual, and collective memory—and proposes the recognition of Cerrado cuisine as cultural heritage, rooted in ancestral knowledge and a harmonious relationship with the biome. |
| metadata.dc.description.unidade: | Instituto de Ciências Humanas (ICH) Departamento de Geografia (ICH GEA) |
| Description: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de Geografia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2025. |
| metadata.dc.description.ppg: | Programa de Pós-Graduação em Geografia |
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| Collection(s) : | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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