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Título: Pathos, tempi e ficção da escultura na pintura renascentista em grisaille
Autor(es): Pires, Camila Pereira
Orientador(es): Castro, Vera Marisa Pugliese de
Assunto: Grisaille
Renascimento
Pintura
Data de publicação: 2-Set-2026
Referência: PIRES, Camila Pereira. Pathos, tempi e ficção da escultura na pintura renascentista em grisaille. 2026. 191 f., il. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: A presente dissertação investiga a pintura em grisaille no Renascimento italiano entre os séculos XIV e XVI, a partir da análise de um conjunto de imagens produzidas por Giotto di Bondone, Andrea Mantegna, Fra’ Bartolomeo, Raffaello Sanzio e Andrea del Sarto. A pesquisa parte das tensões visuais observadas entre diferentes conjuntos de imagens — afrescos, óleo sobre tela e sobre painel, retábulos, programas decorativos e ciclos monumentais — para examinar de que modos a grisaille pode produzir regimes específicos de visualidades e temporalidades. Mais do que compreender a grisaille como recurso técnico destinado à imitação da escultura, busca-se analisá-la como um dispositivo capaz de articular questões relativas à memória, à sobrevivência das formas, à experiência dos tempos e às relações entre pintura, escultura e arquitetura. O trabalho fundamenta-se, em parte, em premissas metodológica e no princípio associativo de análise das imagens desenvolvido por Aby Warburg, especialmente a partir dos conceitos de Pathosformel e da acepção warburguiana da Nachleben der Antike, articulados aos desdobramentos teóricos propostos por Georges Didi-Huberman acerca da sobrevivência das imagens, das temporalidade heterogêneas e da dimensão fantasmática da representação. São também mobilizadas reflexões de Leon Battista Alberti, Leonardo da Vinci e Giorgio Vasari, permitindo examinar a grisaille tanto em sua relação com o debate renascentista sobre pintura e escultura. A pesquisa dialoga ainda com as reflexões de Jacques Derrida acerca da dimensão parergonal da imagem, fundamentais para a compreensão da grisaille como um espaço de indeterminação situado entre diferentes regimes visuais, espaciais e temporais. A hipótese central considera a grisaille como um regime de pensamento visual no qual a suspensão da cor produz efeitos específicos de distância, latência e sobrevivência. Ao aproximar a pintura sem coincidir plenamente com a escultura, a grisaille instaura um espaço liminar no qual diferentes camadas temporais permanecem simultaneamente ativas. Nesse sentido, a grisaille não apenas representa formas oriundas da Antiguidade greco-romana, mas torna visível a sobrevivência dessas formas por meio de processos de reaparição, deslocamento e transformação. A redução cromática não implica empobrecimento da imagem, mas a constituição de um regime visual próprio, capaz de tornar perceptíveis relações entre memória e presença, petrificação e fossilização, permanência e movimento. A dissertação organiza-se em três capítulos. O primeiro examina as relações entre pintura, escultura e relevo nos tratados renascentistas e em obras de Giotto, investigando a grisaille como ficção escultórica e como forma de fixação da memória. O segundo dedica-se à análise das aparições da grisaille no Bilderatlas Mnemosyne, sobretudo em obras de Raffaello e Mantegna, buscando compreender seu papel na constituição de relações entre sobrevivência, alegoria e temporalidade. O terceiro concentra-se na dimensão ontológica da grisaille por meio da análise de obras de Fra’ Bartolomeo, Raffaello e del Sarto, examinando a grisaille como espaço liminar entre presença e ausência, imagem e fantasma, memória e atualização. Conclui-se que a grisaille não constitui apenas uma técnica pictórica ou um recurso ornamental, mas um dispositivo visual capaz de tornar visível a coexistência de temporalidades heterogêneas no interior da imagem.
Abstract: This dissertation investigates grisaille painting in the Italian Renaissance between the fourteenth and sixteenth centuries through the analysis of a group of images produced by Giotto di Bondone, Andrea Mantegna, Fra’ Bartolomeo, Raffaello Sanzio, and Andrea del Sarto. The research originates from the visual tensions observed among different groups of images—frescoes, oil paintings on canvas and panel, altarpieces, decorative programs, and monumental cycles—in order to examine the ways in which grisaille may produce specific regimes of visuality and temporality. Rather than understanding grisaille as a technical device intended to imitate sculpture, this study seeks to analyze it as a visual dispositif capable of articulating questions related to memory, the survival of forms, the experience of time, and the relationships between painting, sculpture, and architecture. The dissertation is grounded, in part, in methodological premises and in the associative principle of image analysis developed by Aby Warburg, particularly through the concepts of Pathosformel and the Warburgian notion of Nachleben der Antike, articulated with the theoretical developments proposed by Georges Didi Huberman concerning the survival of images, heterogeneous temporalities, and the spectral dimension of representation. The study also draws upon the reflections of Leon Battista Alberti, Leonardo da Vinci, and Giorgio Vasari, allowing an examination of grisaille in relation to the Renaissance debate on painting and sculpture. Furthermore, the dissertation engages with Jacques Derrida’s reflections on the parergonal dimension of the image, which are fundamental for understanding grisaille as a space of indeterminacy situated between different visual, spatial, and temporal regimes. The central hypothesis considers grisaille as a mode of visual thought in which the suspension of color produces specific effects of distance, latency, and survival. By bringing painting into proximity with sculpture without ever fully coinciding with it, grisaille establishes a liminal space in which different temporal layers remain simultaneously active. In this sense, grisaille not only represents forms derived from Greco-Roman antiquity but also renders visible the survival of those forms through processes of reappearance, displacement, and transformation. The reduction of color does not imply an impoverishment of the image; rather, it constitutes a distinct visual regime capable of making perceptible the relationships between memory and presence, petrification and fossilization, permanence and movement. The dissertation is organized into three chapters. The first examines the relationships between painting, sculpture, and relief in Renaissance treatises and in works by Giotto, investigating grisaille as a sculptural fiction and as a means of fixing memory. The second is devoted to the analysis of the appearances of grisaille in the Bilderatlas Mnemosyne, particularly in works by Raffaello and Mantegna, seeking to understand its role in the constitution of relationships among survival, allegory, and temporality. The third chapter focuses on the ontological dimension of grisaille through the analysis of works by Fra’ Bartolomeo, Raffaello, and Andrea del Sarto, examining grisaille as a liminal space between presence and absence, image and phantom, memory and actualization. The dissertation concludes that grisaille is not merely a pictorial technique or an ornamental device, but rather a visual dispositif capable of rendering visible the coexistence of heterogeneous temporalities within the image.
Unidade Acadêmica: Instituto de Artes (IdA)
Departamento de Artes Visuais (IdA VIS)
Informações adicionais: Dissertação (Mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Artes, Departamento de Artes Cênicas, Programa de Pós- Graduação em Artes Visuais, Brasília, 2026
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais
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Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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