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Título: Responsabilidades éticas do pesquisador com seres humanos : da perspectiva hegemônico-principialista à decolonial
Autor(es): Silva, Hévelin Silveira e
Orientador(es): Andrade, Flávia Reis de
Assunto: Ética em pesquisa
Responsabilidade social
Bioética
Decolonialidade
Data de publicação: 10-Ago-2026
Referência: SILVA, Hévelin Silveira e. Responsabilidades éticas do pesquisador com seres humanos : da perspectiva hegemônico-principialista à decolonial. 2025. 123 f., il. Dissertação (Mestrado em Bioética) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: A ética em pesquisa contribui para a criação de um ambiente no qual a investigação científica pode ser realizada de forma responsável. A responsabilidade, palavra multifacetada, e a sua intrínseca relação com o risco, assume centralidade nas discussões sobre ética em pesquisa. Nesse contexto, a emergência de normativas internacionais também revela como a noção de responsabilidade científica foi impulsionada por episódios históricos marcados pela má conduta, como evidenciam o Código de Nuremberg (1947) e a Declaração de Helsinque (1964), elaborados em resposta a graves violações éticas em pesquisas envolvendo seres humanos. Nesses documentos, as responsabilidades atribuídas aos pesquisadores são moldadas a partir de uma perspectiva euro-americana da bioética, por vezes inadequadas a contextos de pobreza, nos quais o gap entre o sujeito e o objeto da responsabilidade é invariavelmente maior. As responsabilidades delineadas sob uma concepção decolonial emergem como contraponto. Objetivou-se propor uma releitura de responsabilidades para pesquisadores segundo a perspectiva da bioética decolonial, em contraposição às perspectivas bioéticas hegemônicas, especialmente em contextos periféricos. Estudo teórico e documental, do tipo pesquisa bibliográfica, com leituras exploratória, seletiva e analítica de livros, capítulos de livros, artigos e documentos sobre a temática estudada. As responsabilidades dos pesquisadores na perspectiva hegemônica questionam práticas extrativistas e centralizadoras, propondo que os estudos se orientem pelo bem-estar das comunidades envolvidas, com redistribuição justa e colaborativa dos benefícios. São indubitavelmente importantes, mas insuficientes. As responsabilidades na abordagem decolonial vão além, dado que buscam lidar com assimetrias de poder que perpetuam desigualdades históricas, promovendo um espaço de coconstrução, no qual os participantes são reconhecidos como agentes ativos. Nesse sentido, elaborou-se seis responsabilidades éticas para pesquisadores brasileiros com práticas decoloniais: 1) Refletir criticamente sobre o contexto histórico, buscando compreender como o colonialismo e suas consequências influenciam as dinâmicas sociais, políticas e culturais das comunidades envolvidas; 2) Fomentar participação e consulta às comunidades, assegurando-se que suas vozes e interesses sejam considerados na pesquisa; 3) Incluir avaliações de impacto psicológico, adotando-se metodologias éticas que minimizem danos emocionais e respeitem a subjetividade; 4) Promover educação sobre a pesquisa, de modo que os participantes e comunidades compreendam o processo investigativo e interajam de modo informado e crítico; 5) Acompanhar o participante de pesquisa pós-estudo, com estabelecimento de estratégias que garantam cuidados e benefícios contínuos; e, 6) Realizar revisão ética pós-publicação, com avaliação de impactos dos achados científicos e correção de efeitos negativos e distorções geradas pela disseminação do conhecimento. A abordagem da bioética decolonial propõe uma releitura das responsabilidades dos pesquisadores ao enfatizar a importância de reconhecer e superar as desigualdades de poder, a exploração histórica e os legados coloniais que muitas vezes influenciam as práticas de pesquisa, especialmente em contextos periféricos.
Abstract: Research ethics contributes to creating an environment in which scientific research can be carried out responsibly. Responsibility, a multifaceted term intrinsically related to risk, is central to the discussion on research ethics. In this context, the emergence of international regulations also reveals how the notion of scientific responsibility was propelled by historical episodes marked by misconduct, as evidenced by the Nuremberg Code (1947) and the Declaration of Helsinki (1964), both developed in response to serious ethical violations in research involving human subjects. In these documents, the responsibilities attributed to researchers are molded from a Euro American perspective in bioethics, which are sometimes inadequate for contexts of poverty, where the gap between the subject and the object of the responsibility is invariably greater. Responsibilities delineated under a decolonial conception emerged as a counterpoint. To define the responsibilities of researchers into humans from the perspective of decolonial bioethics in contrast to hegemonic bioethical perspectives, especially in the context of peripheries. A bibliographic research-type theoretical study, with exploratory, selective and analytic readings of books, chapters, articles and documents on the theme being study. The responsibilities of researchers from the hegemonic perspective question extractive and centralizing practices, while proposing that studies be guided by the well-being of the communities involved, with a fair and collaborative redistribution of benefits. Such responsibilities, though undoubtedly important, are insufficient. In the decolonial approach, they go further as they seek to address the power imbalances which perpetuate historical inequalities and thereby create a space for co-construction, in which participants are recognized as active agents and not mere objects of study. Hence, six ethical responsibilities for decolonial researchers were drawn up: 1) Critically reflect on the historical context with a view to understanding how colonialism and its consequences influence the social, political and cultural dynamics of the communities involved; 2) Incentivize participation and consultation of communities to ensure that their voices and interests are considered in the research; 3) Include psychological impact assessments, and adopt ethical methodologies which minimize emotional damage and respect subjectivity; 4) Foster education about the research, so that the participants and communities understand the investigative process and interact in an informed and critical manner; 5) Monitor research participants after the study by establishing strategies which ensure continued care and benefits; and, 6) Conduct a post-publication ethics review, with an assessment of the impacts of the scientific findings and correction of negative effects and distortions generated by the dissemination of the knowledge. The decolonial bioethics approach redefines researchers' responsibilities by emphasizing the importance of recognizing and overcoming power inequalities, historical exploitation, and the colonial legacies which often influence research practices, especially in peripheral contexts.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Ciências da Saúde (FS)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Bioética, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Bioética
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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