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Título: Silêncio jurídico, racismo e controle urbano : da resistência quilombola à atuação dos movimentos negros no Habeas Corpus nº 208240 no Supremo Tribunal Federal
Autor(es): Costa, Rebeca da Silva
Orientador(es): Filice, Renísia Cristina Garcia
Theodoro, Mário Lisboa
Coorientador(es): Queiroz, Marcos Vinicius Lustosa
Assunto: Movimento negro
Jurisdição constitucional
Branquitude
Racismo institucional
Quilombolas
Data de publicação: 15-Jul-2026
Referência: COSTA, Rebeca da Silva. Silêncio jurídico, racismo e controle urbano : da resistência quilombola à atuação dos movimentos negros no Habeas Corpus nº 208240 no Supremo Tribunal Federal. 2026. 95 f. Dissertação (Mestrado em Direitos Humanos e Cidadania) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta dissertação investiga o impacto da atuação do Movimento Negro no Supremo Tribunal Federal a partir da análise do Habeas Corpus nº 208240, que trata da abordagem policial e da inutilização dos elementos objetivos aptos a configurar a suspeição, abrindo espaço para a subjetividade do saber-fazer diário policial, historicamente fundada na demarcação do negro como inimigo e alvo de controle sob a política do dispositivo da racialidade. Inicialmente, contextualiza o Movimento Negro como primeiro movimento social brasileiro, cuja trajetória atravessa as resistências no período escravocrata, a articulação política no período contemporâneo e sua incidência no processo constituinte de 1988, na legislação antirracista e na jurisdição constitucional, evidenciando seu caráter histórico, político e produtor de conhecimento. Em seguida, a pesquisa analisa o silêncio e o epistemicídio no direito sobre as relações raciais, em um contínuo histórico, tematizando as formulações da crítica do racismo ao processo de interpretação das normas e a forma engendrada jurídica de funcionamento político voltada à captura, acusação e condenação de jovens negros, especialmente no contexto contemporâneo da Lei de Drogas, revelando o direito como um dos motores de estabilização da hierarquia racial branca. Por fim, examina os votos proferidos no Habeas Corpus nº 208240, demonstrando como a superficialidade do debate racial no Supremo, a partir da presença de uma agenda negra que é interpretada pela hermenêutica senhorial, interferem na formulação das teses jurídicas e na delimitação do controle de legalidade das abordagens policiais. O resultado indica que o Supremo se blinda, reconhecendo o racismo estrutural e o compromisso institucional da Corte, sem, contudo, enfrentar a complexidade do perfilamento racial no caso concreto, internalizando o discurso do tirocínio e da violência policial fundada na cor, o que evidencia como a prática senhorial no sistema jurídico atravanca o avanço da agenda negra na jurisdição constitucional, apesar do permanente tensionamento promovido pelo Movimento Negro.
Abstract: This dissertation investigates the impact of the Black Movement’s engagement with the Brazilian Supreme Federal Court through the analysis of Habeas Corpus Nº 208240, which addresses police stops and the absence of objective elements capable of establishing reasonable suspicion, thereby allowing room for the subjectivity of everyday police practices historically grounded in the demarcation of Blackness as an enemy and a target of control under the politics of the raciality dispositif. Initially, the study situates the Black Movement as Brazil’s first social movement, whose trajectory spans from resistance during the period of slavery to contemporary political articulation before the Supreme Court, with particular emphasis on its influence on the 1988 constituent process, anti-racist legislation, and constitutional jurisdiction, highlighting its historical, political, and knowledge-producing character. Subsequently, the research examines the silence and epistemicide within law regarding racial relations in a historical continuum, engaging with critical formulations of racism in legal interpretation and the juridically engineered political functioning aimed at capturing, prosecuting, and convicting young Black individuals, especially in the contemporary context of the Drug Law, revealing law as one of the engines that stabilize the white racial hierarchy. Finally, the dissertation analyzes the opinions issued in Habeas Corpus Nº 208240, demonstrating how the superficiality of racial debate within the Supreme Court and the absence of a structured Black agenda interfere with the formulation of legal theses and the delimitation of judicial control over the legality of police stops. The findings indicate that the Supreme Court shields itself through a master’s hermeneutics, recognizing structural racism and the Court’s institutional commitment while failing to address the complexity of racial profiling in the concrete case, internalizing the discourse of police “expertise” and racially grounded police violence. This reveals how the master’s practice entrenched in the legal system obstructs the advancement of the Black agenda within constitutional jurisdiction, despite the persistent tensions and challenges posed by the Black Movement.
Unidade Acadêmica: Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares, Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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