http://repositorio.unb.br/handle/10482/55141| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| AndreaMonicaBrandaoBeber_TESE.pdf | 4,76 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Transmissão vertical e mortalidade em crianças vivendo com HIV nascidas no Brasil, no período de 2010 a 2020 |
| Autor(es): | Beber, Andréa Mônica Brandão |
| Orientador(es): | Benzaken, Adele Schwartz |
| Coorientador(es): | Díaz Bermúdez, Ximena Pamela |
| Assunto: | Mortalidade infantil HIV Transmissão vertical de doenças infecciosas Saúde materno-infantil |
| Data de publicação: | 27-Jun-2026 |
| Data de defesa: | 23-Fev-2026 |
| Referência: | BEBER, Andréa Mônica Brandão. Transmissão vertical e mortalidade em crianças vivendo com HIV nascidas no Brasil, no período de 2010 a 2020. 2026. 150 f., il. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Introdução: A transmissão vertical do HIV (TV-HIV) permanece como principal via de infecção em crianças, apesar da ampliação das políticas globais de prevenção e da elevada cobertura de terapia antirretroviral em gestantes. No Brasil, embora avanços tenham reduzido significativamente a incidência da infecção pediátrica, persistem lacunas na vigilância e no monitoramento materno e infantil. Esta tese analisou lacunas na identificação dos casos de TV-HIV, no monitoramento do binômio materno infantil e nos fatores associados à mortalidade de crianças vivendo com HIV nascidas no Brasil, entre 2010 e 2020. Métodos: O estudo foi estruturado em três etapas. A primeira consistiu em uma revisão narrativa de literatura que analisou a evolução das políticas públicas voltadas à eliminação da TV-HIV nas últimas quatro décadas. As etapas seguintes incluíram estudos de coorte retrospectiva do binômio materno infantil vivendo com HIV, a partir do relacionamento determinístico e probabilístico entre a Base nacional consolidada do HIV e as bases do Siscel, Siclom e Sinan Gestante HIV. As análises estatísticas foram realizadas mediante o software R (versão 4.3.3), com aplicação dos testes qui-quadrado e Mann-Whitney, regressões logísticas múltipla e de Cox, além de curvas de Kaplan-Meier e teste log-rank para estimar a sobrevida até dez anos após o nascimento. Resultados: A revisão de 45 documentos técnicos e artigos científicos, publicados entre 1985 a 2025, evidenciou os avanços na resposta brasileira à TV-HIV. Impulsionados pela incorporação de inovações científicas ao Sistema Único de Saúde e pela implementação de programas estratégicos no âmbito da atenção materno-infantil, essas iniciativas contribuíram para a redução dos casos de aids pediátrica e para certificação internacional do país pela eliminação da TV-HIV como problema de saúde pública. No estudo de coorte foram identificadas 88.162 crianças, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídas 3.829 (4,3%) crianças vivendo com HIV, nascidas no Brasil, entre 2010 e 2020. Do total, somente 2.144 (56,0%) estavam classificadas como casos de TV-HIV, 1.445 (37,7%) foram reclassificadas da categoria “ignorado” e 240 (6,3%) foram identificadas exclusivamente nas bases laboratoriais. Foram formados 2.105 binômios materno-infantil (55,0%). O diagnóstico materno ocorreu antes da gestação em 32% dos casos, durante a gestação em 24%, no parto em 15% e após o parto em 29% dos casos. Entre as crianças com registro de carga viral do HIV, 57,1% nasceram de gestantes diagnosticadas antes do parto. A realização da carga viral, até 60 dias de vida, foi mais frequente entre crianças nascidas de gestantes diagnosticadas antes do parto (78,3%), enquanto a realização após 180 dias concentrou-se entre aquelas nascidas de gestantes diagnosticadas após o parto (55,4%). Padrão semelhante foi observado para o início da terapia antirretroviral. Foram registrados 229 óbitos (taxa de letalidade de 6,0%), a mediana de idade do óbito foi de seis meses (IIQ 4–17). O risco de morte foi maior entre crianças com imunossupressão moderada (aOR=2,44; IC95% 1,43–4,17) e grave (aOR=3,80; IC95% 2,23–6,48) e entre as nascidas na Região Norte (aOR=2,32; IC95% 1,09–4,95). Crianças com acesso ao tratamento apresentaram uma redução de 50% no risco de óbito (aOR=0,50; IC95% 0,31–0,81); aquelas diagnosticadas após 24 meses, uma redução de 67% (aOR=0,33; IC95% 0,14–0,78); e as crianças com carga viral inicial inferior a 10.000 cópias/mL tiveram uma redução aproximada de 46% (aOR=0,54; IC95% 0,42–0,78). Conclusão: As iniciativas nacionais contribuíram para que o Brasil alcançasse a meta internacional de eliminação da TV-HIV. Apesar desse marco, a integração dos sistemas nacionais de vigilância e informação evidenciou fragilidades na interoperabilidade, na classificação dos registros e na cascata de cuidado, com implicações diretas para a vigilância epidemiológica. O fortalecimento de uma resposta integrada, contínua e orientada pela equidade é fundamental para sustentar a eliminação da transmissão vertical do HIV no Brasil. |
| Abstract: | Introduction: Vertical transmission of HIV (VT-HIV) remains the main route of infection among children, despite the expansion of global prevention policies and the high coverage of antiretroviral therapy among pregnant women. In Brazil, although advances have significantly reduced the incidence of pediatric infection, gaps in maternal and child surveillance and monitoring persist. This thesis analyzed gaps in the identification of VT-HIV cases, in the monitoring of the mother–child dyad, and in the factors associated with mortality among children living with HIV born in Brazil between 2010 and 2020. Methods: The study was structured in three stages. The first consisted of a narrative literature review examining the evolution of public health policies aimed at eliminating VT-HIV over the past four decades. The subsequent stages included retrospective cohort studies of mother–child dyads living with HIV, based on deterministic and probabilistic linkage between the national consolidated HIV database and the Siscel, Siclom, and Sinan-Gestante HIV databases. Statistical analyses were conducted using R software (version 4.3.3), applying chi-square and Mann–Whitney tests, multiple logistic and Cox regression models, as well as Kaplan–Meier survival curves and the log-rank test to estimate survival up to ten years after birth. Results: The review of 45 technical documents and scientific articles published between 1985 and 2025 highlighted advances in the Brazilian response to VT-HIV. Driven by the incorporation of scientific innovations into the Unified Health System and by the implementation of strategic programs in maternal and child health, these initiatives contributed to the reduction of pediatric AIDS cases and to the country’s international certification for the elimination of VT-HIV as a public health problem. In the cohort study, 88,162 children were identified; after applying eligibility criteria, 3,829 (4.3%) children living with HIV born in Brazil between 2010 and 2020 were included. Of these, only 2,144 (56.0%) were classified as VT-HIV cases, 1,445 (37.7%) were reclassified from the “unknown” category, and 240 (6.3%) were identified exclusively in laboratory databases. A total of 2,105 mother–child dyads (55.0%) were identified. Maternal diagnosis occurred before pregnancy in 32% of cases, during pregnancy in 24%, at delivery in 15%, and after delivery in 29%. Among children with a recorded HIV viral load, 57.1% were born to women diagnosed before delivery. Viral load testing within 60 days of life was more frequent among children born to women diagnosed before delivery (78.3%), whereas testing after 180 days was concentrated among those born to women diagnosed after delivery (55.4%). A similar pattern was observed for initiation of antiretroviral therapy. A total of 229 deaths were recorded (case-fatality rate: 6.0%), with a median age at death of six months (IQR 4–17). The risk of death was higher among children with moderate (aOR=2.44; 95% CI 1.43–4.17) and severe immunosuppression (aOR=3.80; 95% CI 2.23–6.48) and among those born in the North Region (aOR=2.32; 95% CI 1.09–4.95). Children with access to treatment had a 50% reduction in the risk of death (aOR=0.50; 95% CI 0.31–0.81); those diagnosed after 24 months had a 67% reduction (aOR=0.33; 95% CI 0.14–0.78); and children with an initial viral load below 10,000 copies/mL had an approximately 46% reduction in risk (aOR=0.54; 95% CI 0.42–0.78). Conclusion: National initiatives contributed to Brazil achieving the international target for the elimination of VT-HIV. Despite this milestone, the integration of national surveillance and information systems revealed weaknesses in interoperability, record classification, and the continuum of care, with direct implications for epidemiological surveillance. Strengthening an integrated, continuous, and equity-oriented response is essential to sustain the elimination of vertical HIV transmission in Brazil. |
| Unidade Acadêmica: | Faculdade de Ciências da Saúde (FS) |
| Informações adicionais: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, 2026. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva |
| Agência financiadora: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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