http://repositorio.unb.br/handle/10482/54856| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| AnaueneDiasSoares_TESE.pdf | 2,46 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Dignidade cultural como despossessão dos objetos culturais: desafios e soluções alternativas nas devoluções internacionais |
| Autor(es): | Soares, Anauene Dias |
| Orientador(es): | Lessa, Antônio Carlos |
| Assunto: | Direito internacional Patrimônio cultural Governança global Política Antropocentrismo |
| Data de publicação: | 16-Jun-2026 |
| Data de defesa: | 29-Abr-2026 |
| Referência: | SOARES, Anauene Dias. Dignidade cultural como despossessão dos objetos culturais: desafios e soluções alternativas nas devoluções internacionais. 2026. 285 f., il. Tese (Doutorado em Relações Internacionais) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026. |
| Resumo: | O Direito Internacional do Patrimônio Cultural, embora formalmente estruturado por instrumentos multilaterais e princípios de cooperação internacional, permanece profundamente condicionado por relações assimétricas de poder cultural que influenciam as resistências à devolução de objetos culturais aos seus locais de origem. Essas assimetrias manifestam-se não apenas na capacidade normativa e institucional dos Estados, mas também na produção de discursos legitimadores, na consagração de narrativas históricas e na própria definição do que pode ser reconhecido como patrimônio cultural. Nesse contexto, o campo patrimonial internacional revela-se como arena de disputas simbólicas, epistêmicas e geopolíticas moldada por processos históricos de expansão imperial e pela consolidação de hierarquias globais de autoridade cultural. A presente tese tem como objetivo pensar a dignidade cultural como despossessão dos objetos culturais, compreendendo a devolução ao local de origem não como mera transferência formal de titularidade, mas como reintegração relacional de pertencimento e rearticulação de mundos de sentido. Parte-se da proposição de que as limitações jurídicas das devoluções decorrem da permanência de uma lógica predominantemente proprietária e estatal no direito internacional do patrimônio cultural, estruturada por assimetrias culturais derivadas de processos de imperialismo cultural. Enquanto os objetos culturais forem tratados como bens transferíveis entre instituições, e não como elementos constitutivos de mundos culturais, a dignidade cultural tende a permanecer reduzida a uma categoria retórica. Metodologicamente, a pesquisa articula o método analítico-descritivo e a fenomenologia hermenêutica heideggeriana. O primeiro permite examinar as resistências contemporâneas às devoluções a partir da análise de instrumentos normativos, práticas institucionais e discursos oficiais, evidenciando como tais resistências se estruturam em dinâmicas de poder, nos limites do hard law e nas soluções desenvolvidas no âmbito do soft law. A investigação também analisa o papel do soft power cultural e da heritage diplomacy na manutenção e gestão de coleções internacionais, bem como a distinção entre diferentes modalidades de devolução, como devolução jurídica, ethical return, voluntary return e collaborative return. O segundo método possibilita investigar os pressupostos ontológicos que sustentam tais resistências, compreendendo o objeto cultural não como coisa disponível, mas como elemento inserido em um mundo relacional de significações culturais. Os resultados da pesquisa indicam que o objeto cultural não se reduz à condição de bem apropriável, mas constitui elemento participante de um horizonte relacional que envolve comunidade, território, continuidade cultural e práticas plurais. A partir dessa perspectiva, a tese desenvolve o conceito de dignidade cultural não antropocêntrica, entendido como reconhecimento da não equivalência ontológica de determinados objetos culturais cuja perda implica a fragmentação de mundos culturais. Conclui-se que a devolução de objetos culturais é compreendida como prática de recomposição de vínculos culturais, históricos, simbólicos e existenciais, contribuindo para a formulação de um paradigma de patrimônio multicultural orientado pela relação, pelo pertencimento plural e pela responsabilidade compartilhada. |
| Abstract: | International Law of Cultural Heritage, although formally structured through multilateral instruments and principles of international cooperation, remains deeply conditioned by asymmetric relations of cultural power that influence resistance to the repatriation of cultural objects to their places of origin. These asymmetries manifest themselves not only in the normative and institutional capacities of states but also in the production of legitimizing discourses, the consecration of historical narratives, and in the very definition of what may be recognized as cultural heritage. In this context, the international heritage field emerges as an arena of symbolic, epistemic, and geopolitical disputes shaped by historical processes of imperial expansion and by the consolidation of global hierarchies of cultural authority. This thesis seeks to conceptualize cultural dignity as the dispossession of cultural objects, understanding the return to the place of origin not as a mere formal transfer of ownership but as a relational reintegration of belonging and a rearticulation of worlds of meaning. It proceeds from the proposal that the legal limitations surrounding returns derive from the persistence of a predominantly proprietary and state-centered logic within international cultural heritage law, structured by cultural asymmetries resulting from processes of cultural imperialism. As long as cultural objects continue to be treated as transferable goods between institutions, rather than as constitutive elements of cultural worlds, cultural dignity tends to remain reduced to a rhetorical category. Methodologically, the research combines the analytical-descriptive method with Heideggerian hermeneutic phenomenology. The first allows for an examination of contemporary resistance to returns through the analysis of normative instruments, institutional practices, and official discourses, demonstrating how such resistance is structured through power dynamics, within the limits of hard law, and through solutions developed within the sphere of soft law. The investigation also analyzes the role of cultural soft power and heritage diplomacy in the maintenance and management of international collections, as well as the distinction between different modalities of return, such as legal restitution, ethical return, voluntary return, and collaborative return. The second method enables an investigation into the ontological assumptions that sustain these resistances, approaching the cultural object not as an available thing but as an element embedded within a relational world of cultural meanings. The results of the research indicate that the cultural object cannot be reduced to the condition of an appropriable asset but instead constitutes a participating element within a relational horizon that encompasses community, territory, memory, and cultural continuity. From this perspective, the thesis develops the concept of non-anthropocentric cultural dignity, understood as the recognition of the ontological non-equivalence of certain cultural objects whose loss entails the fragmentation of cultural worlds. It concludes that the return of cultural objects should be understood as a practice of reconstituting historical, symbolic, and existential bonds, contributing to the formulation of a paradigm of multicultural heritage oriented toward relation, belonging, and shared responsibility. |
| Unidade Acadêmica: | Instituto de Relações Internacionais (IREL) |
| Informações adicionais: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais, 2026. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais |
| Agência financiadora: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.