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Título: Representações sociais da prática da violência na forma de ato infracional
Autor(es): Cayo, Grimalda Solis
Orientador(es): Batista, Analía Laura Soria
Assunto: Violência
Representação social
Adolescência
Adolescentes - infração
Controle social
Data de publicação: 10-Jun-2026
Referência: CAYO, Grimalda Solis. Representações sociais da prática da violência na forma de ato infracional. 2024. 201 f., il. Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024.
Resumo: Esta tese analisa as representações sociais e percepções do ato infracional realizado pelos adolescentes entre 12 e 18 anos, que estão cumprindo medida socioeducativa, no Distrito Federal, A análise também abrange as representações sociais e percepções dos atores institucionais envolvidos do ato infracional, dos adolescentes que o realizam e a efetividade da medida socioeducativa aplicada para seu controle. O ato infracional tem se mostrado um fenômeno preocupante no Brasil sendo as medidas socioeducativas uma das principais ferramentas do Estado, para lidar com seu controle. No entanto existe um grande descompasso entre a teoria e a prática dessas medidas socioeducativas, resultando em dificuldades, em relação aos seus princípios, como são: responsabilização/penalização e reintegração e reinserção. Partindo das teorias, das representações sociais, das normas e sanções, da violência simbólica e do controle social e disciplina a pesquisa busca responder as indagações propostas. Para tanto, são propostas 05 categorias de análise para os adolescentes: i) família, cultura, religião, sustentação e vida em comunidade e grupo, ii)motivações para a pratica do ato infracional, significados e consequências iii)drogas licitas e ilícitas, iv)educação, capacidade, capacitação, profissionalização e trabalho, v) expectativa do futuro; e 05 categorias para os atores institucionais: i) percepção do adolescente que praticou ato infracional, ii)motivações estruturais para a pratica do ato infracional, iii)princípios/critérios que definem as medidas socioeducativas de meio aberto, iv) cumprimento e efetividade das medidas socioeducativas, v) dinâmica, função e interação entre os atores institucionais responsáveis; as categorias foram associadas incialmente com os objetivos e as indagações, sobre a carência de efetividade das medidas socioeducativas de meio aberto. Foram aplicados 46 questionários aos adolescentes que se encontravam em cumprimento de medida de meio aberto, foram realizadas 46 revisões biográficas e observações participativas nas instituições visitadas, e outras realizadas 15 entrevistas com atores institucionais nas suas devidas instituições. Percebe-se que, apesar de que a lei — que responsabiliza o adolescente que praticou ato infracional — se transforma historicamente em seu conteúdo e princípios, as comutações parecem não orientar os comportamentos das instituições sociais e a atuação dos atores institucionais no cotidiano, e/ou alterar o caráter fragmentário e residual da ação estatal na efetivação da medida socioeducativa e das políticas públicas. O caráter plural e heterogêneo de tal percepção está em grande medida determinado pela experiência social, econômica, cultural e pela dimensão simbólico-estrutural, construída de carências de reconhecimento, estigma de um grupo determinado, injustiças e a manutenção das relações de poder simbólico que nutrem as desigualdades do sistema. A pesquisa conclui pela necessidade de uma construção social que tenha como alvo a superação da filantropia, caridade e assistencialismo paliativo na estrutura do atendimento dos adolescentes que praticaram ato infracional, a partir das mudanças institucionais que resultam de seus impactos, efetividade e responsabilidades avindas do sistema que os acolhe em suas diferentes fases.
Abstract: This thesis analyzes the construction of violence in the form of infractional acts committed by adolescents undergoing open environment socioeducational measures in the Administrative Regions of Paranoá/Itapoã and Plano Piloto, cities in the Federal District of Brazil. Based on the theories of social representations and violence, the research seeks to analyze how infractional acts are constructed, the main motivations behind them, and the perceptions of both the adolescents who commit them and the institutional actors responsible for their control. To this end, five specific categories of analysis were proposed for adolescents: i) family, culture, religion, support, and life in community and group; ii) motivations for committing infractional acts, meanings and consequences; iii) licit and illicit drugs; iv) education, abilities, training, professionalization, and work; v) expectations for the future. Similarly, five categories were developed for institutional actors: i) perceptions of adolescents who committed infractional acts; ii) structural motivations behind infractional acts; iii) principles/criteria defining open environment socioeducational measures; iv) compliance with and effectiveness of socioeducational measures; v) roles, functions, and interactions among institutional actors responsible for addressing infractional acts and their social control. These categories were initially linked to the research objectives and inquiries regarding the lack of effectiveness in open environment socioeducational measures. The research involved administering 46 questionnaires to adolescents undergoing open-environment measures, conducting 46 biographical reviews and participatory observations in the institutions visited, and carrying out 15 interviews with institutional actors. The findings reveal that, although the legal framework holding adolescents accountable for infractional acts has evolved in its content and principles, these changes seem insufficient to guide the everyday practices of social institutions or the actions of institutional actors. The fragmented and residual nature of state action in implementing socioeducational measures and public policies remains unchanged. The plural and heterogeneous nature of these perceptions is largely shaped by social, economic, and cultural experiences, as well as the symbolic-structural dimensions rooted in a lack of recognition, stigma affecting certain groups, injustices, and the perpetuation of symbolic power relations that sustain systemic inequalities. The research concludes that social construction is required to move beyond philanthropy, charity, and palliative assistance in addressing adolescents who commit infractional acts. Such a shift necessitates institutional changes to improve the impact, effectiveness, and accountability of the system that supports them throughout its various phases.
Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Sociais (ICS)
Departamento de Sociologia (ICS SOL)
Informações adicionais: Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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