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Título: Écfrase e práticas rituais de luto na arte antiga: o mito de alceste
Autor(es): Lima, Beatriz Rodrigues Carvalho de
Orientador(es): D'Angelo, Biagio
Assunto: Estudos clássicos
Luto
Estética
Mito
Data de publicação: 6-Jun-2026
Referência: LIMA, Beatriz Rodrigues Carvalho de. Écfrase e práticas rituais de luto na arte antiga: o mito de alceste. 2025. 113 f., il. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: Na Antiguidade Clássica, Alceste é a figura mítica de uma mulher, esposa e mãe dedicada, aquela que oferece seu corpo como resgate de um pacto. Para poupar a vida de seu marido Admeto e preservar a dignidade dos filhos, Perímele e Eumelo, ela decide morrer. Esse gesto sacrificial é levado ao público no palco das Dionisíacas Urbanas de 438 a.C. pelo dramaturgo Eurípides. A peça euripidiana é considerada por especialistas como o registro escrito sobrevivente mais robusto do mito. Para além da literatura, o motivo de Alceste também aparece com frequência na iconografia antiga, principalmente em sarcófagos romanos do século II d.C. Tendo isso em vista, nesta dissertação, desejamos compreender a inelutável condição da morte e os gestos rituais de lamentação por meio da interface entre arte e literatura. Na análise do texto poético de Eurípides, permeado pelas estéticas apolínea e dionisíaca, exploramos como o procedimento intermidiático da écfrase pode evocar discursivamente imagens vívidas na mente do leitor, principalmente a de uma estátua alcestina. Nas obras iconográficas escolhidas, os sarcófagos de Villa Albani, de Villa Faustina, do Vaticano, do Castelo de Saint-Aignan e da Basílica delle Vigne, investigamos o Pathosformel de luto, seguindo o método de montagem proposto pelo historiador de arte Aby Warburg. Visto que as imagens estão carregadas mnemonicamente, foi possível demonstrar a rede tensional que há na reminiscência deixada pelo mito, tanto na literatura quanto na arte antiga.
Abstract: In Classical Antiquity, Alcestis is the mythical figure of a woman, a devoted wife and mother, who offers her life as ransom in a pact. To spare the life of her husband, Admetus, and preserve the dignity of her children, Perimele and Eumelus, she chooses to die. This sacrificial gesture was brought before the public on stage at the City Dionysia in 438 BC by the playwright Euripides. His play is considered by scholars to be the most substantial surviving written record of the myth. Beyond literature, the motif of Alcestis also appears frequently in ancient iconography, particularly on Roman sarcophagi from the second century AD. With this in mind, this dissertation seeks to understand the inescapable condition of death and the ritual gestures of lamentation through the interface between art and literature. By analyzing Euripides’ poetic text, permeated by Apollonian and Dionysian aesthetics, we explore how the intermedial procedure of ekphrasis can discursively evoke vivid images in the reader’s mind, especially that of an Alcestian statue. In the selected iconographic works – the sarcophagi of Villa Albani, Villa Faustina, the Vatican, the Castle of Saint-Aignan, and the Basilica of Santa Maria delle Vigne – we investigate the Pathosformel of mourning, following the montage method proposed by art historian Aby Warburg. Since these images are mnemonically charged, it is possible to demonstrate the network of tensions present in the reminiscences of the myth, both in literature and in ancient art.
Unidade Acadêmica: Instituto de Artes (IdA)
Departamento de Artes Visuais (IdA VIS)
Informações adicionais: Dissertação (Mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Artes, Departamento de Artes, Programa de Pós- Graduação em Artes Visuais, Brasília, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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