http://repositorio.unb.br/handle/10482/54539| Arquivo | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|
| SaraNogueiraDeAraujo_DISSERT.pdf | 2,41 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Sobre denúncias e afetos : vivências negras e quilombolas no programa de pós-graduação em antropologia social da universidade de Brasília. |
| Autor(es): | Araujo, Sara Nogueira de |
| Orientador(es): | Carvalho, José Jorge de |
| Assunto: | Escrevivência Antropologia |
| Data de publicação: | 28-Mai-2026 |
| Data de defesa: | 10-Out-2025 |
| Referência: | ARAUJO, Sara Nogueira de. Sobre denúncias e afetos: vivências negras e quilombolas no programa de pós-graduação em antropologia social da universidade de Brasília. 2025. 133 f., il. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Esta dissertação nasce de um corpo-território atravessado por águas salgadas e doces,entre as marés de Upaon-Açu e a vereda de Brazlândia. Contar a própria trajetória, aqui, não égesto íntimo apenas, mas ato epistemológico capaz de deslocar o centro da produção deconhecimento. A pesquisa se inscreve na confluência entre escrevivência e análiseinstitucional, respondendo à pergunta que me acompanha desde a graduação: o que mais umadiscente negra tem a dizer e que diferença essa fala pode fazer para a Antropologia? Partindoda hipótese de que vivências pessoais, quando lidas como saberes, revelam lacunas estruturaise sementes de transformação invisíveis às estatísticas, combino denúncia e celebração.Denuncio as continuidades racistas nas práticas e currículos do Programa de Pós-Graduaçãoem Antropologia Social da Universidade de Brasília e, simultaneamente, celebro a presençaquilombola nas trajetórias e ensinamentos de Rosiene Kalunga e Sirlene Desapocada, queproduzem modos concretos de acolhimento, resistência e formação de novas antropologias. Oproblema central é o da permanência epistêmica e subjetiva de pessoas negras e quilombolasem um programa que, embora tenha aberto portas, mantém padrões monoepistêmicos epráticas hostis. Em vez de crítica apenas retórica, investigo como essas práticas semanifestam nas ementas, escolhas bibliográficas, rotinas pedagógicas e relaçõesinstitucionais, e como, na contramão delas, surgem estratégias de aquilombamento. Ajustificativa é dupla: contribuir para debates sobre descolonização curricular e pluralidadeepistêmica, aplicando empiricamente o instrumento Epistemômetro para diagnosticarmonocentralidades; e nomear/documentar práticas de exclusão frequentemente naturalizadas,visibilizando formas de cuidado e produção de conhecimento que a academia tenta apagar.Metodologicamente, assumo a escrita autobiográfica como método (escrevivência), valorizo aescutavivência como prática quilombola e combino autoetnografia, observação participante,entrevistas e análise documental de ementas e bibliografias. O Epistemômetro organiza dadospor procedência, idioma, gênero, autorias negras e indígenas e temas centrais, articulandoanálise quantitativa e qualitativa. As relações com Rosiene Kalunga e Sirlene Desapocada nãosão estudos de caso, mas coautorias epistemológicas que orientam escolhas metodológicas eéticas. A denúncia se ancora em evidências documentais e testemunhos, visandotransformação e não revanche. Os objetivos são: analisar como estruturas curriculares epráticas institucionais reproduzem padrões eurocêntricos que dificultam a permanência e oreconhecimento de saberes negros/quilombolas; mapear estratégias de acolhimento,resistência e formação produzidas por mulheres quilombolas; e propor encaminhamentos para uma antropologia pluriepistêmica. A dissertação organiza-se em quatro capítulos: trajetória eformação subjetiva; memória quilombola e práticas de cuidado; diagnóstico do PPGAS viaEpistemômetro; e propostas de reexistência epistemológica e institucional. Ao costurardenúncia, análise e afeto, defendo que a Antropologia só se tornará plural quando confluircom saberes nascidos também nas cozinhas, rezas, rodas e travessias. Para além de um textoacadêmico, este trabalho é testemunho, diagnóstico e proposta, nomeia violências e celebrapossibilidades para que outros possam, como eu, existir e formar-se como antropólogos,antropólogas e antropologues de mundos possíveis e já existentes. |
| Abstract: | This dissertation emerges from a body-territory traversed by both saltwater andfreshwater, between the tides of Upaon-Açu and the vereda of Brazlândia. Here, telling one’sown life story is not merely an intimate gesture, but an epistemological act capable of shiftingthe center of knowledge production. The research is situated at the confluence ofescrevivência (life-writing) and institutional analysis, responding to a question that hasaccompanied me since my undergraduate studies: what more does a Black woman studenthave to say, and what difference can this voice make to Anthropology? Starting from thehypothesis that personal experiences, when read as knowledge, reveal structural gaps andseeds of transformation invisible to statistics, I combine denunciation and celebration. Idenounce the racist continuities embedded in the practices and curricula of the GraduateProgram in Social Anthropology at the University of Brasília, while simultaneouslycelebrating the quilombola presence in the trajectories and teachings of Rosiene Kalunga andSirlene Desapocada, which generate concrete modes of care, resistance, and the shaping ofnew anthropologies. The central problem is the epistemic and subjective permanence of Blackand quilombola people in a program that, although it has opened doors, maintainsmonoepistemic standards and hostile practices. Rather than offering merely rhetoricalcritique, I investigate how these practices manifest in syllabi, bibliographic selections,pedagogical routines, and institutional relations, and how, in opposition to them, strategies ofaquilombamento (quilombola communal organizing) emerge. The rationale is twofold: tocontribute to debates on curriculum decolonization and epistemic plurality by empiricallyapplying the Epistemometer tool to diagnose monocentralities; and to name/documentexclusionary practices often naturalized within academia, while making visible forms of careand knowledge production that institutions attempt to erase. Methodologically, I adoptautobiographical writing as a method (escrevivência), value escutavivência (listening fromlived experience) as a legitimate quilombola epistemic practice, and combineautoethnography, participant observation, semi-structured interviews, and documentaryanalysis of syllabi and bibliographies. The Epistemometer organizes data by origin, language,gender, black and indigenous authorship, and central themes, combining quantitative andqualitative analysis. The relationships with Rosiene Kalunga and Sirlene Desapocada are notcase studies, but epistemological co-authorships that guide methodological and ethicalchoices. The denunciation is anchored in documentary evidence and sequenced testimonies,aiming for transformation rather than revenge. The objectives are to analyze how curricularstructures and institutional practices reproduce Eurocentric patterns that hinder thepermanence and epistemic recognition of Black and quilombola knowledges; to mapstrategies of care, resistance, and formation produced by quilombola women; and to proposetheoretical-methodological and practical pathways for a pluriepistemic anthropology. Thedissertation is organized into four chapters: personal trajectory and subjective formation;quilombola memory and practices of care; diagnosis of the Graduate Program via theEpistemometer; and proposals for epistemological and institutional re-existence. By weavingtogether denunciation, analysis, and affection, I argue that Brazilian Anthropology will onlybecome plural when it converges with knowledges born also in kitchens, prayers, circles, andcrossings. Beyond an academic text, this work is testimony, diagnosis, and proposal, namingviolences and celebrating possibilities so that others may, like me, exist and be formed asanthropologists of possible and already existing worlds. |
| Unidade Acadêmica: | Instituto de Ciências Sociais (ICS) Departamento de Antropologia (ICS DAN) |
| Informações adicionais: | Dissertação (Mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Antropologia, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, 2025. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social |
| Licença: | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. |
| Agência financiadora: | Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.