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Título: O caso do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza para pensar a política socioambiental global
Autor(es): Martinelli, Yara Resende Marangoni
Orientador(es): Inoue, Cristina Yumie Aoki
Coorientador(es): Gonçalves, Verônica Korber
Assunto: Direitos da natureza
Política socioambiental
Interculturalidade
Governança global
Relações internacionais
Data de publicação: 9-fev-2026
Referência: MARTINELLI, Yara Resende Marangoni. O caso do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza para pensar a política socioambiental global. 2025. 141 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: Os Direitos da Natureza (DN), um argumento jurídico-político (CHUJI, 2023) que propõe o reconhecimento de direitos inerentes aos seres não-humanos, questionam a visão antropocêntrica que centraliza direitos em seres humanos e entidades criadas por humanos (como Estados-nação e empresas), expandindo a compreensão da vida como fruto de uma rede interligada de comunidades mutuamente essenciais. Estão enraizados em perspectivas de Povos Indígenas, Comunidades Locais e Afrodescendentes1 , e já foram pensados, sentidos e apresentados por diferentes povos em distintos contextos. Os DN, como o conhecemos no contexto latino-americano, estão articulados com conceitos e ciências indígenas, como Buen Vivir (ACOSTA, 2016) e Kawsak Sacha (SARAYAKU, 2022), com interpretações jurídico-políticas capazes de engajar e expandir construções interculturais, direitos e normas. Esta dissertação toma como estudo de caso o Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza (TIDN), uma instância ética transnacional criada pela Aliança Global para os Direitos da Natureza (em inglês, GARN) que centraliza os DN como base para o julgamento de casos originados em petições locais contra a destruição da natureza, para produção de recomendações sobre a proteção e restauração da sociobiodiversidade2 do planeta. O tribunal busca amplificar de denúncias locais e criar espaços de articulação cosmopolítica (GARN, 2023). O marco teórico articula a lente relacional das cosmopráxis - cosmologias práticas (QUEREJAZU, 2022), a interculturalidade em perspectiva crítica (WALSH, 2002, 2005, 2007, 2009; CONAIE, 2012) e a abordagem dos Muitos Mundos (INOUE, 2018). A Análise de Conflitos Socioambientais (ACS) e Transformação de Conflitos (TC) (RODRÍGUEZ; AGUILAR, 2015; RODRÍGUEZ; INTURIAS et. al., 2019), com seus ‘indicadores de processo’ e ‘pilares de transformação’, inspiram a reflexão realizada. A metodologia incluiu revisão bibliográfica, análise documental e entrevistas semi-estruturadas com membros do TIDN e especialistas em DN, que revelaram desafios e a urgência do diálogo entre ciências, e a relevância de processos de consulta e participação interculturais, que respeitem o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI). As experiências do TIDN são apresentadas como contribuições relevantes para pensar transformações da política socioambiental global, para apoiar a construção de governanças mais justas, participativas e interculturais. As limitações estruturais de seu caráter ético são analisadas como desafios na implementação prática das recomendações, ainda que reconhecido o papel de seus veredictos para amplificar denúncias e mobilizar a política. Tendo em vista que o arcabouço interpretativo que guia o funcionamento das relações internacionais ainda reside principalmente em premissas que separam o ser humano da natureza, em perspectiva antropocêntrica (SESSIONS, 1974; HARRINGTON, 2016), esta dissertação argumenta pelo reconhecimento da indissociabilidade das dimensões ‘social’ e ‘ambiental’, e pela ampliação dos espaços de participação de Povos Indígenas, Comunidades Locais e Afrodescendentes para a tomada de decisões. Argumento que o respeito aos Direitos da Natureza pressupõe o respeito aos direitos humanos e territoriais, especialmente das guardiãs e guardiões da sociobiodiversidade, em uma compreensão integrada de justiça socioambiental.
Abstract: The Rights of Nature (RoN), a legal-political argument (CHUJI, 2023) advocating for the recognition of inherent rights of non-human beings, challenge the anthropocentric perspective that centralizes rights in human beings and human-created entities (such as nation-states and corporations). Instead, RoN expand the understanding of life as the result of an interconnected network of mutually essential communities. Rooted in the perspectives of Indigenous Peoples, Local Communities, and Afro-descendant groups, RoN have been conceptualized, experienced, and presented by different peoples in various contexts. In the Latin American context, RoN are articulated with Indigenous concepts and sciences, such as Buen Vivir (ACOSTA, 2016) and Kawsak Sacha (SARAYAKU, 2022), offering legal-political interpretations capable of engaging and expanding intercultural constructions, rights, and norms. This dissertation adopts as a case study the International Rights of Nature Tribunal (IRoNT), a transnational ethical body created by the Global Alliance for the Rights of Nature (GARN), which centers RoN as the foundation for adjudicating cases arising from local petitions against environmental destruction and for producing recommendations on the protection and restoration of the planet’s socio-biodiversity. The Tribunal seeks to amplify local denunciations and create spaces for cosmopolitical articulation (GARN, 2023). The theoretical framework articulates the relational lens of cosmopraxis—practical cosmologies (QUEREJAZU, 2022), interculturality from a critical perspective (WALSH, 2002, 2005, 2007, 2009; CONAIE, 2012), and the Many Worlds approach (INOUE, 2018). The analysis of Socio-environmental Conflicts (ASC) and Conflict Transformation (CT) (RODRÍGUEZ; AGUILAR, 2015; RODRÍGUEZ; INTURIAS et al., 2019), with their ‘process indicators’ and ‘pillars of transformation,’ inform the reflections developed. The methodology includes bibliographic review, document analysis, and semi-structured interviews with IRoNT members and RoN experts, revealing challenges, the urgency of dialogue between different knowledge systems, and the significance of intercultural consultation and participation processes that respect Free, Prior, and Informed Consent (FPIC). The experiences of the IRoNT are presented as relevant contributions to rethinking transformations in global socio-environmental governance, supporting the construction of fairer, more participatory, and intercultural governance models. The structural limitations of its ethical nature are analyzed as challenges to the practical implementation of its recommendations, despite the acknowledged role of its verdicts in amplifying denunciations and mobilizing political action. Given that the interpretative framework guiding international relations remains largely rooted in premises that separate human beings from nature through an anthropocentric perspective (SESSIONS, 1974; HARRINGTON, 2016), this dissertation argues for the recognition of the inseparability of the ‘social’ and ‘environmental’ dimensions and for the expansion of participation spaces for Indigenous Peoples, Local Communities, and Afro-descendant groups in decision-making processes. It contends that respect for the Rights of Nature presupposes respect for human and territorial rights, particularly those of the guardians of socio-biodiversity, within an integrated understanding of socio-environmental justice.
Resumen: Los Derechos de la Naturaleza (DN), un argumento jurídico-político (CHUJI, 2023) que propone el reconocimiento de derechos inherentes a los seres no humanos, cuestionan la visión antropocéntrica que centraliza los derechos en los seres humanos y en entidades creadas por estos (como los Estados-nación y las empresas). En cambio, los DN amplían la comprensión de la vida como el resultado de una red interconectada de comunidades mutuamente esenciales. Están arraigados en las perspectivas de los Pueblos Indígenas, Comunidades Locales y Afrodescendientes, y han sido concebidos, sentidos y presentados por diferentes pueblos en distintos contextos. En el contexto latinoamericano, los DN están articulados con conceptos y ciencias indígenas, como el Buen Vivir (ACOSTA, 2016) y Kawsak Sacha (SARAYAKU, 2022), proporcionando interpretaciones jurídico-políticas capaces de involucrar y expandir construcciones interculturales, derechos y normas. Esta disertación adopta como estudio de caso el Tribunal Internacional de los Derechos de la Naturaleza (TIDN), una instancia ética transnacional creada por la Alianza Global por los Derechos de la Naturaleza (en inglés, GARN), que centraliza los DN como base para el juicio de casos originados en peticiones locales contra la destrucción de la naturaleza, con el fin de producir recomendaciones sobre la protección y restauración de la socio-biodiversidad del planeta. El tribunal busca amplificar las denuncias locales y crear espacios de articulación cosmopolítica (GARN, 2023). El marco teórico articula la lente relacional de las cosmoprácticas—cosmologías prácticas (QUEREJAZU, 2022), la interculturalidad desde una perspectiva crítica (WALSH, 2002, 2005, 2007, 2009; CONAIE, 2012) y el enfoque de los Muchos Mundos (INOUE, 2018). El Análisis de Conflictos Socioambientales (ACS) y la Transformación de Conflictos (TC) (RODRÍGUEZ; AGUILAR, 2015; RODRÍGUEZ; INTURIAS et al., 2019), con sus ‘indicadores de proceso’ y ‘pilares de transformación’, inspiran la reflexión realizada. La metodología incluyó una revisión bibliográfica, análisis documental y entrevistas semiestructuradas con miembros del TIDN y especialistas en DN, que revelaron desafíos, la urgencia del diálogo entre diferentes sistemas de conocimiento y la relevancia de los procesos de consulta y participación interculturales que respeten el Consentimiento Libre, Previo e Informado (CLPI). Las experiencias del TIDN se presentan como contribuciones relevantes para repensar las transformaciones en la política socioambiental global, con el objetivo de apoyar la construcción de modelos de gobernanza más justos, participativos e interculturales. Las limitaciones estructurales de su carácter ético son analizadas como desafíos en la implementación práctica de sus recomendaciones, aunque se reconoce el papel de sus veredictos en la amplificación de denuncias y la movilización política. Dado que el marco interpretativo que guía el funcionamiento de las relaciones internacionales sigue residiendo principalmente en premisas que separan al ser humano de la naturaleza desde una perspectiva antropocéntrica (SESSIONS, 1974; HARRINGTON, 2016), esta disertación argumenta a favor del reconocimiento de la indisociabilidad de las dimensiones ‘social’ y ‘ambiental’ y de la ampliación de los espacios de participación de los Pueblos Indígenas, Comunidades Locales y Afrodescendientes en la toma de decisiones. Se sostiene que el respeto a los Derechos de la Naturaleza presupone el respeto a los derechos humanos y territoriales, especialmente de las guardianas y guardianes de la socio-biodiversidad, dentro de una comprensión integrada de la justicia socioambiental.
Unidade Acadêmica: Instituto de Relações Internacionais (IREL)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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