http://repositorio.unb.br/handle/10482/53915| Fichier | Taille | Format | |
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| ClarissaVerenaLimaFreitas_DISSERT.pdf | 848,26 kB | Adobe PDF | Voir/Ouvrir |
| Titre: | Filosofia Ubuntu e a seletividade dos direitos humanos : a construção de uma humanidade compartilhada |
| Auteur(s): | Freitas, Clarissa Verena Lima |
| Orientador(es):: | Nascimento, Wanderson Flor do |
| Assunto:: | Direitos humanos Filosofia africana Ubuntu Lógica colonial |
| Date de publication: | 4-fév-2026 |
| Data de defesa:: | 17-nov-2025 |
| Référence bibliographique: | FREITAS, Clarissa Verena Lima. Filosofia Ubuntu e a seletividade dos direitos humanos: a construção de uma humanidade compartilhada. 2025. 125 f. Dissertação (Mestrado em Direitos Humanos e Cidadania) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Résumé: | O Brasil, marcado por sua diversidade social e cultural, reflete a interação complexa entre as heranças dos povos originários, do colonizador europeu e do continente africano. Apesar da significativa contribuição africana em contextos familiares, quilombos e terreiros, seu pensamento permanece subdimensionado, especialmente na cultura jurídica, a qual segue dominada por uma axiologia eurocêntrica. Essa estrutura jurídica perpetua uma seletividade que restringe o acesso a direitos humanos a grupos em virtude de sua raça, classe e gênero, reforçando exclusões históricas e hierarquias estruturais. A pesquisa teve como objetivo deslocar o conceito de seletividade, tradicionalmente restrito ao âmbito penal, para uma análise ampla sobre direitos humanos, expondo como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), apesar de proclamada como marco ético global, consolidou padrões excludentes. Desde sua formulação, a DUDH privilegiou epistemologias eurocêntricas, ignorando os colonizados, vozes do Sul Global e marginalizando populações negras, indígenas e comunidades tradicionais, um padrão que sustenta o contínuo “sobrestamento de humanidades”. Exemplos históricos como o tráfico negreiro, a Revolução do Haiti e o genocídio de populações indígenas e negras no Brasil ilustram a seletividade estrutural nos sistemas de proteção de direitos. Partindo dessa problemática, a pesquisa fundamenta sua proposta na filosofia africana Ubuntu como alternativa teórica e ética para superar essas exclusões. Ubuntu, centrada na interdependência e na ética da coletividade, oferece uma abordagem relacional e humanística, propondo a reconfiguração dos direitos humanos como instrumentos de dignidade e pertencimento universal. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem dialética histórico-estrutural, com pesquisa bibliográfica e análise documental, explorando como a axiologia de Ubuntu pode contribuir com novos valores e propor alternativas práticas para desconstruir a lógica colonial introjetada nos direitos humanos. Os resultados destacam que a seletividade não apenas permeia o sistema penal, mas se manifesta no cerne dos direitos humanos, legitimando desigualdades e marginalização de grupos excluídos. Ubuntu emerge, assim, como uma filosofia transracional ao oferecer ferramentas para romper com a lógica colonial nas práticas jurídicas e criar um sistema que valorize a diversidade e a pluralidade étnico-racial do Brasil. A essência de Ubuntu — fundada na mutualidade, cooperação e pertencimento comunitário — demonstra-se fundamental para reformular o adequado significado de ser humano e o valor intrínseco da humanidade. Concluise que a reconstrução de um sistema jurídico inclusivo requer um rompimento epistemológico com as bases coloniais que sustentam os direitos humanos atuais. Ubuntu oferece um horizonte ético capaz de transformar a seletividade dos direitos humanos em uma prática relacional e pluralista, promovendo o pertencimento e a dignidade para todos, a partir de seu conteúdo transracional, emancipatório e de cunho humanístico que respeita todas as instâncias de vida. |
| Abstract: | Brazil, marked by its social and cultural diversity, reflects the complex interaction between the heritage of indigenous peoples, the European colonizer, and the African continent. Despite the significant African contribution in family contexts, quilombos, and terreiros, their thinking remains undervalued, especially in legal culture, which remains dominated by a Eurocentric axiology. This legal structure perpetuates a selectivity that restricts access to human rights to groups based on their race, class, and gender, reinforcing historical exclusions and structural hierarchies. The research aimed to shift the concept of selectivity, traditionally restricted to the criminal justice sphere, to a broad analysis of human rights, exposing how the Universal Declaration of Human Rights (UDHR), despite being proclaimed a global ethical framework, has consolidated exclusionary standards. Since its formulation, the UDHR has privileged Eurocentric epistemologies, ignoring the colonized, voices from the Global South, and marginalizing Black, Indigenous, and traditional communities — a pattern that sustains the continued "overmining of humanities." Historical examples such as the slave trade, the Haitian Revolution, and the genocide of Indigenous and Black populations in Brazil illustrate the structural selectivity in rights protection systems. Based on this issue, this research bases its proposal on the African philosophy of Ubuntu as a theoretical and ethical alternative to overcome these exclusions. Ubuntu, centered on interdependence and the ethics of collectivity, offers a relational and humanistic approach, proposing the reconfiguration of human rights as instruments of dignity and universal belonging. Methodologically, a historical-structural dialectical approach was adopted, with bibliographical research and documentary analysis, exploring how Ubuntu's axiology can contribute new values and propose practical alternatives to deconstruct the colonial logic internalized in human rights. The results highlight that selectivity not only permeates the penal system but also manifests itself at the heart of human rights, legitimizing inequalities and the marginalization of excluded groups. Ubuntu thus emerges as a transrational philosophy by offering tools to break with the colonial logic of legal practices and create a system that values Brazil's ethnic-racial diversity and plurality. The essence of Ubuntu — founded on mutuality, cooperation, and community belonging — proves fundamental to reformulating the proper meaning of being human and the intrinsic value of humanity. It follows that rebuilding an inclusive legal system requires an epistemological break with the colonial foundations that sustain current human rights. Ubuntu offers an ethical horizon capable of transforming the selectivity of human rights into a relational and pluralistic practice, promoting belonging and dignity for all, based on its transrational, emancipatory, and humanistic content that respects all aspects of life. |
| metadata.dc.description.unidade: | Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) |
| Description: | Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares, Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania, 2025. |
| metadata.dc.description.ppg: | Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania |
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| Collection(s) : | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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