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Título: Quem publica decide : poder, exclusão e reprodução de desigualdades na produção científica sobre o lazer
Autor(es): Cavalcante, Fernando Resende
Orientador(es): Lazzarotti Filho, Ari
Assunto: Atividades de lazer
Produção científica - Brasil
Produção tecnologica
Educação física
Sociologia
Bourdieu, Pierre, 1930-2002
Mulheres
Desigualdade
Desigualdade de gênero
Data de publicação: 2-fev-2026
Referência: CAVALCANTE, Fernando Resende. Quem publica decide: poder, exclusão e reprodução de desigualdades na produção científica sobre o lazer. 2025. 153 f. Tese (Doutorado em Educação Física) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: O objetivo desta tese foi analisar a produção sobre o lazer em periódicos, com ênfase nos agentes que publicam, nas suas instituições, nos focos dos artigos e na dimensão de gênero na autoria. A tese é composta por cinco artigos e um ensaio, com objetivos e resultados distintos. O objetivo do artigo 1 foi caracterizar a produção sobre o lazer nos periódicos da Educação Física brasileira e concluímos que a produção sobre o assunto se expandiu a partir dos anos 2000 e, por consequência, converteu-se em prática reiterada do campo, isto é, em um habitus de seus agentes. Além disso, identificamos um ganho de autonomia, pois os pesquisadores tendem a priorizar periódicos especializados no lazer. Concomitantemente, a dinâmica de participação mostra-se desigual, pois muitos agentes contribuem de maneira pontual enquanto um núcleo reduzido publica de forma recorrente, o que evidencia dificuldades estruturais de permanência no campo e, portanto, formas de exclusão típicas do campo científico. O objetivo do artigo 2 foi identificar em quais periódicos da Educação Física brasileira ocorre a produção sobre o lazer e quais agentes, instituições e estados produzem sobre o assunto. Identificamos uma média de 2,62 agentes por artigo publicado e que as redes de publicação são oriundas majoritariamente de instituições de ensino superior públicas, com uma distribuição territorial concentrada em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ou seja, a autoridade científica sobre o lazer está concentrada no eixo Sudeste-Sul. O objetivo do artigo 3 foi identificar os focos dos artigos sobre o lazer publicados entre 2000 e 2022 e constatamos a predominância de certos focos como grupos, abordagens teórico-conceituais e espaços/equipamentos, e, de modo transversal, a relevância das políticas públicas como tema. A leitura final interpreta esse arranjo como expressão de um campo que constrói legitimidade ao combinar problemas socialmente reconhecidos com viabilidade empírica, o que chamamos de estudos acessíveis. O objetivo do artigo 4 foi investigar as diferenças de gênero na autoria de artigos científicos sobre o lazer no campo da Educação Física e do lazer no Brasil. Concluímos que há, em grande medida, um equilíbrio numérico na produção sobre o lazer entre os gêneros em vários recortes e momentos, ainda que persistam assimetrias quando se observa o estrato de maior produtividade, no qual os homens seguem sobrerrepresentados. O objetivo do ensaio foi analisar o campo científico do lazer no século XXI, verificando em que medida ele avançou em direção à cientificidade e à autonomia, identificando mudanças e permanências no período. Apresentamos que o lazer ganhou densidade teórica e autonomia, mas segue condicionado por fatores externos, que orientam objetos, ritmos e formatos de publicação. O balanço final apresenta que a próxima etapa de maturidade exige pluralizar a pesquisa para além da concentração regional, reduzir dependências de métricas que impactam os agentes do campo e instituir políticas de equidade. No post scriptum – artigo 5 – examinamos os artigos publicados nos periódicos do lazer no século XXI, identificando o número de publicações, seus autores, instituições e países, utilizando o conceito de campo científico de Pierre Bourdieu. Concluímos que houve um expressivo crescimento do volume de artigos em conjunto com uma forte concentração de capital científico, principalmente nos Estados Unidos e no Canadá. Em adição, a maioria dos agentes publica uma única vez, enquanto um núcleo restrito de autores e instituições acumula visibilidade e define o que conta como conhecimento legítimo, reproduzindo assimetrias geográficas. Em conjunto, os artigos e o ensaio evidenciam que a ampliação da produção sobre o lazer foi acompanhada pela concentração de capital científico, pela concentração regional e pela persistência de desigualdades geopolíticas. Assim, “quem publica decide” quais temas ganham visibilidade, quais abordagens se tornam hegemônicas e quais grupos e instituições permanecem em posições dominadas. Os resultados apontam para a necessidade de políticas de fomento, avaliação e equidade que pluralizam a autoria e a circulação dos conhecimentos sobre o lazer no Brasil e no mundo.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Educação Física (FEF)
Informações adicionais: Tese (Doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação Física
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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