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Título: Direito fundamental à diferença : a política fundiária do estado do piauí nos processos de regularização dos territórios dos povos e comunidades tradicionais
Autor(es): Amorim, Liliane Pereira de
Orientador(es): Carvalho Netto, Menelick de
Coorientador(es): Gomes, Rodrigo Portela
Assunto: Povos tradicionais
Comunidades tradicionais
Política fundiária
Instituto de Terras do Piauí (Interpi)
Direito à diferença
Território tradicional
Data de publicação: 27-jan-2026
Referência: AMORIM, Liliane Pereira de. Direito fundamental à diferença: a política fundiária do estado do piauí nos processos de regularização dos territórios dos povos e comunidades tradicionais. 2025. 258 f. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: A tese análise o direito fundamental à diferença na política fundiária do estado do Piauí nos processos de regularização dos territórios dos povos e comunidades tradicionais. A sua construção parte do seguinte problema: Como o direito à diferença é reconhecido nos processos de regularização dos territórios tradicionais? Os povos e comunidades tradicionais do estado do Piauí, assim como no restante do Brasil, apresentam uma pluralidade nos modos próprios de vida. Assim, a pesquisa ressalta a necessidade de reconhecer a diferença produzida pelas comunidades tradicionais no processo de regularização fundiária, sendo uma forma de proteger e garantir a igualdade de tratamento. A fundamentação teórica desta tese parte de uma leitura do constitucionalismo como um campo em constante reconstrução. Para tanto, adotou-se o método qualitativo, valendo-se de diferentes procedimentos metodológicos. Assim, realizou-se uma análise bibliográfica de cunho interdisciplinar: Menelick de Carvalho Netto, Maria Sueli Rodrigues de Sousa, Alfredo Wagner Berno de Almeida, Clóvis Moura e Antônio Bispo dos Santos. Em seguida, desenvolveu-se uma análise documental e normativa, com foco nas normativas fundiárias do estado do Piauí, bem como em processos administrativos dos territórios das comunidades tradicionais. Empregou-se ainda a observação participante, enquanto procedimento empírico, possibilitando a compreensão das práticas institucionais no reconhecimento territorial das comunidades tradicionais. Dessa maneira, a tese está estruturada em três capítulos: o primeiro capítulo, a partir do estudo sócio-histórico e jurídico, fundamentado na análise bibliográfica da ocupação do território do Piauí e na documentação normativa, demonstrou que o reconhecimento dos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais é fruto de um longo e violento processo de luta e insurgência. A aplicação da Teoria do Direito à Diferença como Igualdade evidenciou a insuficiência da igualdade formal e a necessidade de reconhecimento das especificidades culturais e territoriais desses grupos. Além disso, a análise revelou o protagonismo central das mulheres na luta pelo território. O segundo capítulo foi construído a partir da análise documental das normativas estaduais vigentes sobre reconhecimento territorial que revelou a existência de um arcabouço jurídico que, embora formalmente garantidor, apresenta lacunas e ambiguidades que dificultam sua plena efetivação. O relato empírico, em associação com a pesquisa bibliográfica sobre categorias, identificou que a política de reconhecimento territorial é moldada e tensionada pelas categorias empíricas de diferença produzidas pelos próprios povos tradicionais – a saber, a episteme dos povos tradicionais, a raça e etnia e a relação terra e territorialidade – indicando que a efetividade da política depende da incorporação substancial das categorias no processo administrativo. Por fim, o terceiro capítulo, ao analisar o processo administrativo de regularização fundiária executados pelo Instituto de Terras do Piauí (Interpi), evidenciou que, embora exista uma normativa que orienta os procedimentos de forma padronizada, na prática, a política fundiária não consegue manter essa uniformidade, uma vez que cada segmento tradicional apresenta suas próprias especificidades. Conclui-se que a política fundiária deve ter como força motriz o reconhecimento da diferença como igualdade, pois, caso contrário, tende a reproduzir as mesmas violências de um Estado historicamente racista.
Abstract: The thesis analyze the fundamental right to difference within the land policy of the state of Piauí, focusing on the processes of regularization of the territories of Traditional Peoples and Communities. Its construction is based on the following problem: How is the right to difference recognized in the processes of regularization of traditional territories? The traditional peoples and communities of the state of Piauí, as in the rest of Brazil, exhibit a plurality in their ways of life. Thus, this research highlights the need to recognize the difference produced by traditional communities within the land regularization process, as a means of protecting and ensuring equality of treatment. The theoretical foundation of this thesis is based on an understanding of constitutionalism as a field in constant reconstruction. To this end, a qualitative method was adopted, employing different methodological procedures. An interdisciplinary bibliographic analysis was carried out, drawing on the works of Menelick de Carvalho Netto, Maria Sueli Rodrigues de Sousa, Alfredo Wagner Berno de Almeida, Clóvis Moura, and Antônio Bispo dos Santos. Subsequently, a documentary and normative analysis was developed, focusing on the land regulations of the state of Piauí, as well as on administrative procedures concerning the territories of traditional communities. Participant observation was also employed as an empirical procedure, allowing for an understanding of institutional practices in the territorial recognition of traditional communities. The thesis is structured into three chapters. The first chapter, through a socio-historical and legal study based on bibliographic analysis of the occupation of Piauí’s territory and on normative documentation, demonstrated that the recognition of territorial rights of Traditional Peoples and Communities is the result of a long and violent process of struggle and resistance. The application of the Theory of the Right to Difference as Equality revealed the insufficiency of formal equality and the necessity of recognizing the cultural and territorial specificities of these groups. Furthermore, the analysis revealed the central role of women in the struggle for territory. The second chapter was developed through a documentary analysis of the current state regulations on territorial recognition, revealing the existence of a legal framework that, although formally protective, contains gaps and ambiguities that hinder its full implementation. The empirical findings, combined with the bibliographic research on categories, identified that the policy of territorial recognition is shaped and challenged by the empirical categories of difference produced by the traditional peoples themselves—namely, the epistemology of traditional peoples, race and ethnicity, and the relationship between land and territoriality—indicating that the effectiveness of the policy depends on the substantive incorporation of these categories into the administrative process. Finally, the third chapter, by analyzing the administrative processes of land regularization carried out by the Piauí Land Institute (Interpi), demonstrated that, although there is regulation providing standardized procedures, in practice, the land policy fails to maintain this uniformity, since each traditional group presents its own specificities. The study concludes that land policy must be driven by the recognition of difference as equality; otherwise, it tends to reproduce the same forms of violence perpetuated by a historically racist State.
Resumen: La tesis analizar el derecho fundamental a la diferencia en la política agraria del estado de Piauí, en los procesos de regularización de los territorios de los Pueblos y Comunidades Tradicionales. Su construcción parte del siguiente problema: ¿Cómo se reconoce el derecho a la diferencia en los procesos de regularización de los territorios tradicionales? Los pueblos y comunidades tradicionales del estado de Piauí, al igual que en el resto de Brasil, presentan una pluralidad en sus modos propios de vida. Así, la investigación resalta la necesidad de reconocer la diferencia producida por las comunidades tradicionales en el proceso de regularización de la tierra, como una forma de proteger y garantizar la igualdad de trato. El fundamento teórico de esta tesis parte de una lectura del constitucionalismo como un campo en constante reconstrucción. Para ello, se adoptó el método cualitativo, utilizando diferentes procedimientos metodológicos. Se realizó un análisis bibliográfico de carácter interdisciplinario, tomando como referencia a Menelick de Carvalho Netto, Maria Sueli Rodrigues de Sousa, Alfredo Wagner Berno de Almeida, Clóvis Moura y Antônio Bispo dos Santos. A continuación, se desarrolló un análisis documental y normativo, centrado en las normativas agrarias del estado de Piauí, así como en los procesos administrativos de los territorios de las comunidades tradicionales. También se empleó la observación participante como procedimiento empírico, lo que permitió comprender las prácticas institucionales en el reconocimiento territorial de las comunidades tradicionales. De esta manera, la tesis se estructura en tres capítulos. El primer capítulo, a partir del estudio sociohistórico y jurídico, fundamentado en el análisis bibliográfico sobre la ocupación del territorio de Piauí y en la documentación normativa, demostró que el reconocimiento de los derechos territoriales de los Pueblos y Comunidades Tradicionales es fruto de un largo y violento proceso de lucha e insurgencia. La aplicación de la Teoría del Derecho a la Diferencia como Igualdad evidenció la insuficiencia de la igualdad formal y la necesidad de reconocer las especificidades culturales y territoriales de estos grupos. Además, el análisis reveló el protagonismo central de las mujeres en la lucha por el territorio. El segundo capítulo se construyó a partir del análisis documental de las normativas estatales vigentes sobre reconocimiento territorial, lo cual reveló la existencia de un marco jurídico que, aunque formalmente garantista, presenta vacíos y ambigüedades que dificultan su plena implementación. El relato empírico, asociado con la investigación bibliográfica sobre categorías, identificó que la política de reconocimiento territorial está moldeada y tensionada por las categorías empíricas de diferencia producidas por los propios pueblos tradicionales —a saber: la episteme de los pueblos tradicionales, la raza y la etnia, y la relación tierraterritorialidad—, lo que indica que la efectividad de la política depende de la incorporación sustancial de dichas categorías en el proceso administrativo. Finalmente, el tercer capítulo, al analizar el proceso administrativo de regularización de tierras llevado a cabo por el Instituto de Tierras de Piauí (Interpi), evidenció que, aunque existe una normativa que orienta los procedimientos de forma estandarizada, en la práctica la política agraria no logra mantener dicha uniformidad, ya que cada segmento tradicional presenta sus propias especificidades. Se concluye que la política agraria debe tener como fuerza motriz el reconocimiento de la diferencia como igualdad, pues, de lo contrario, tiende a reproducir las mismas violencias de un Estado históricamente racista.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Direito (FD)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Direito
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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