http://repositorio.unb.br/handle/10482/53670| File | Size | Format | |
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| CristianeMouraLopes_TESE.pdf | 2,94 MB | Adobe PDF | View/Open |
| Title: | TDAH na perspectiva das crianças : subjetividades, narrativas e (re)produções interpretativas no contexto escolar |
| Authors: | Lopes, Cristiane Moura |
| Orientador(es):: | Cigales, Marcelo Pinheiro |
| Assunto:: | Pesquisa com crianças Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) Interpretação Rotulagem Medicalização Interseccionalidade |
| Issue Date: | 15-Jan-2026 |
| Data de defesa:: | 21-Feb-2025 |
| Citation: | LOPES, Cristiane Moura. TDAH na perspectiva das crianças: subjetividades, narrativas e (re)produções interpretativas no contexto escolar. 2025. 257 f., il. Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Abstract: | Esta tese tem como foco o estudo das percepções das crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), destacando como, no espaço escolar, elas constroem suas identidades e subjetividades antes e após a consolidação do diagnóstico. A pesquisa foi realizada com meninos e meninas de 6 a 10 anos, idade em que a incidência do transtorno se torna mais evidente, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. O estudo ocorreu em uma escola de ensino fundamental em Brasília-DF e incluiu educadores e familiares, a partir de um trabalho etnográfico. Fundamentada nos estudos teóricos e metodológicos da Sociologia da Infância e da Antropologia da Criança, e ancorada na preocupação ética, extremamente necessária em trabalhos envolvendo pesquisas com crianças, parte-se do entendimento de que elas são agentes sociais plenos, ativas na produção de culturas e na ressignificação de discursos que as atravessam. A coleta de dados envolveu observação participante, entrevistas narrativas, desenhos infantis, entrevistas semiestruturadas com professores e questionários para familiares. Analisou-se tanto as percepções das crianças com TDAH quanto das demais. A partir dessas percepções, verificou-se que as narrativas infantis revelam a reprodução interpretativa, conceito de Corsaro (2011), demonstrando que as crianças não apenas absorvem os significados sociais do TDAH, mas também os transformam. Aspectos como (des)atenção não são percebidos pelas crianças como déficits generalizados, mas seletivos, modulados pelo interesse, pela dinâmica das aulas e pelo contexto em que estão inseridas. A medicalização aparece como fenômeno ambíguo: se por um lado as crianças relatam melhora na atenção com a medicação, por outro, muitas nãopercebem mudanças significativas quando não medicadas. Foi possível identificar uma estrutura recorrente na experiência do TDAH, marcada pelo diagnóstico e pelo estigma associado. Desenvolveramse quatro categorias analíticas: autorrotulagem e rotulagem hipotética (antes do diagnóstico clínico), rotulagem ipso facto (após a confirmação do diagnóstico) e rotulagem ipso facto extensiva (quando novos diagnósticos são adicionados posteriormente), evidenciando a progressão do estigma e seus impactos sociais, emocionais e educacionais na vida das crianças. Constatou-se também que o encaminhamento escolar, embora baseado em cautela, pode reforçar a rotulagem precoce. Evidenciou-se também a interseccionalidade entre o TDAH e o marcador social referente à diferença racial. |
| Abstract: | This thesis focuses on the study of the perceptions of children diagnosed with Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), highlighting how, in the school environment, they construct their identities and subjectivities before and after the consolidation of the diagnosis. The research was conducted with boys and girls aged 6 to 10, an age range in which the incidence of the disorder becomes more evident, according to the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. The study took place in a primary school in BrasíliaDF and included educators and family members, based on ethnographic research. Grounded in the theoretical and methodological studies of the Sociology of Childhood and the Anthropology of Children, and anchored in ethical concerns, which are extremely necessary in research involving children, the study assumes that children are full social agents, actively engaged in the production of cultures and the reinterpretation of the discourses that shape them. The data collection involved participant observation, narrative interviews, children's drawings, semi-structured interviews with teachers, and questionnaires for family members. The study analyzed the perceptions of both children diagnosed with ADHD and their peers. From these perceptions, it was found that children's narratives reveal the concept of interpretive reproduction, as proposed by Corsaro (2011), demonstrating that children not only absorb the social meanings attributed to ADHD but also transform them. Aspects such as (in)attention are not perceived by children as generalized deficits but rather as selective, modulated by their interests, the engagement of the lessons, the rhythm and dynamics of activities, and the contexts in which they are situated. Medicalization appears as an ambiguous phenomenon: while some children report improved attention under medication, others frequently perceive no significant changes when not medicated. It was possible to identify a recurring structure in the ADHD experience, marked by both the diagnosis and the associated stigma. Four analytical categories were developed: self-labeling and hypothetical labeling (before clinical diagnosis), ipso facto labeling (after diagnosis confirmation), and ipso facto extensive labeling (when additional diagnoses are added later), illustrating the progression of stigma and its social, emotional, and educational impacts on children's lives. It was also found that school referrals, although based on caution, may reinforce early labeling. Furthermore, the interrelationship between ADHD and the social marker of racial difference was evidenced. |
| Résumé: | Cette thèse porte sur l’étude des perceptions des enfants diagnostiqués avec un Trouble du Déficit de l’Attention avec ou sans Hyperactivité (TDAH), en mettant en évidence la manière dont, dans l’espace scolaire, ils construisent leurs identités et subjectivités avant et après la consolidation du diagnostic. La recherche a été menée auprès de garçons et de filles âgés de 6 à 10 ans, une tranche d’âge où l’incidence du trouble devient plus évidente, selon le Manuel diagnostique et statistique des troubles mentaux. L’étude s’est déroulée dans une école primaire de Brasília-DF et a inclus des éducateurs et des membres de la famille, dans le cadre d’un travail ethnographique. Fondée sur les études théoriques et méthodologiques de la Sociologie de l’Enfance et de l’Anthropologie de l’Enfant, et ancrée dans des préoccupations éthiques, essentielles aux recherches impliquant des enfants, cette étude part du principe que les enfants sont des agents sociaux à part entière, actifs dans la production de cultures et dans la re-signification des discours qui les traversent. La collecte de données a impliqué une observation participante, des entretiens narratifs, des dessins d’enfants, des entretiens semi-structurés avec des enseignants et des questionnaires destinés aux familles. L’analyse a porté à la fois sur les perceptions des enfants diagnostiqués avec un TDAH et sur celles des autres enfants. À partir de ces perceptions, il a été constaté que les récits des enfants révèlent le concept de reproduction interprétative, tel que proposé par Corsaro (2011), montrant que les enfants non seulement absorbent les significations sociales attribuées au TDAH, mais les transforment également. Des aspects tels que l’(in)attention ne sont pas perçus par les enfants comme des déficits généralisés, mais comme sélectifs, modulés par leur intérêt, par la dynamique des cours et par le contexte dans lequel ils évoluent. La médicalisation apparaît comme un phénomène ambigu : si, d’un côté, les enfants rapportent une amélioration de l’attention sous l’effet des médicaments, d’un autre côté, beaucoup ne perçoivent aucun changement significatif lorsqu’ils ne sont pas sous traitement. Il a été possible d’identifier une structure récurrente dans l’expérience du TDAH, marquée à la fois par le diagnostic et par la stigmatisation qui l’accompagne. Quatre catégories analytiques ont été développées : l’auto-étiquetage et l’étiquetage hypothétique (avant le diagnostic clinique), l’étiquetage ipso facto (après la confirmation du diagnostic) et l’étiquetage ipso facto extensif (lorsque de nouveaux diagnostics sont ajoutés ultérieurement), mettant en évidence la progression de la stigmatisation et ses impacts sociaux, émotionnels et éducatifs dans la vie des enfants. Il a également été constaté que l’orientation scolaire, bien que fondée sur la prudence, peut renforcer un étiquetage précoce. De plus, l’intersectionnalité entre le TDAH et le marqueur social de la différence raciale a été mise en évidence. |
| metadata.dc.description.unidade: | Instituto de Ciências Sociais (ICS) Departamento de Sociologia (ICS SOL) |
| metadata.dc.description.ppg: | Programa de Pós-Graduação em Sociologia |
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| Appears in Collections: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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