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Título: Com os séculos nos olhos: teatro musical e expressão política no Brasil, 1964-1979
Autor(es): Freitas Filho, José Fernando Marques de
Orientador(es): Dalcastagnè, Regina
Assunto: Teatro brasileiro
Musicais - Brasil
Teatro (Literatura) - história e crítica
Data de publicação: Mai-2006
Referência: FREITAS FILHO, José Fernando Marques de. Com os séculos nos olhos: teatro musical e expressão política no Brasil, 1964-1979. 2006. 386 f. Tese (Doutorado em Literatura)-Universidade de Brasília, Brasília, 2006.
Resumo: A prática do teatro musical no Brasil remonta à segunda metade do século XIX, sobretudo a seus dois últimos decênios. Gênero de vigência irregular, que tem conhecido momentos produtivos, seguidos por períodos menos ricos, o musical teve uma de suas fases mais férteis, no país, durante as décadas de 1960 e 1970. Nesses anos, o teatro brasileiro freqüentemente se organizou na forma do espetáculo cantado para responder, de modo crítico, ao regime militar. As soluções estéticas mobilizadas nessas peças reeditaram as práticas nacionais da farsa e da revista, assimilaram influências estrangeiras (os alemães Erwin Piscator e Bertolt Brecht, o musical norte-americano) e, sobretudo, afirmaram caminhos artísticos originais, capazes de envolver o público. Lembre-se, contudo, que essas montagens de índole popular quase sempre se viram restritas a platéias de classe média, o que em parte se pode explicar pelo contexto em que se realizaram. Os textos do musical brasileiro registram o instante histórico, fixam tendências que transcendem aquele instante e deixam lições estéticas às quais se pode voltar ainda hoje. As estratégias épicas, isto é, narrativas (por exemplo, o modo de a música se inserir no enredo) e os diálogos em verso estão entre essas lições. O primeiro capítulo deste trabalho traça panorama do teatro musical a partir de 1960, abordando brevemente alguns dos principais espetáculos do gênero escritos e encenados em duas décadas. O segundo capítulo discute as idéias estéticas que circularam naqueles anos, com destaque para as teses de Bertolt Brecht, acompanhadas pelo que escreveram comentaristas brasileiros de sua obra. Tratou-se também dos conceitos devidos a Georg Lukács, filósofo e critico húngaro lido pelas esquerdas, entre as quais se achavam muitos dos artistas de teatro que exercitaram o musical no país; entre esses artistas, encontram-se Augusto Boal e Ferreira Gullar, que tiveram as suas idéias abordadas em seções específicas. O terceiro capítulo, por fim, destina-se a analisar em detalhe oito textos teatrais, julgados exemplares do gênero naquela fase. Depois de distribuir os textos a serem examinados em quatro famílias estéticas (o texto-colagem, a peça diretamente inspirada em fontes populares, o texto épico de matriz brechtiana e a peça apoiada na forma da comédia musical), procuramos detalhar os procedimentos formais que tais obras adotaram e relacioná-los a seus aspectos ideológicos. Levou-se em conta, evidentemente, o papel estrutural da música, além do uso do verso, que surge em alguns desses trabalhos. Oduvaldo Vianna Filho, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Ferreira Gullar, Dias Gomes, Chico Buarque e Paulo Pontes estão entre os autores das peças analisadas. Ao estudar os musicais feitos no país de 1964 a 1979, de Opinião a O rei de Ramos, percebemos certa maturação estética e ideológica, decorrente da própria mudança dos tempos que os autores souberam absorver , mas advinda também do exercício mesmo do espetáculo cantado. Configura-se nessas décadas um repertório que soube fixar tendências históricas perenes, flagrando-as com base na comicidade (eventualmente misturada ao drama) e na música, ligadas a enredos tantas vezes habilmente delineados. Compreender o musical equivale a conhecer melhor a atmosfera vivida no Brasil do período autoritário, que essas peças denunciam e subvertem, ao mesmo tempo em que nos aproximamos de uma das vertentes importantes na dramaturgia nacional de todas as épocas. Os musicais de índole política lograram alcançar soluções que, segundo entendemos, devem ser meditadas, com vistas à redação de novas obras e a uma percepção crítica e historiográfica mais ampla e precisa do teatro no país. __________________________________________________________________________________________ ABSTRACT
The practice of musical theater in Brazil began on the second half of the 19th century, particularly in the last two decades. A genre of irregular effectiveness, the musical has had its productive moments, followed by less abundant periods. One of its most fertile phases, in this country, was during the 1960s and 1970s. At that time, Brazilian theater was often organized in the form of a singing show in order to answer, with criticism, to the military regime. The aesthetic solutions that these plays resorted to revived local cultural practices of farce and vaudeville, assimilated foreign influences (such as the Germans Erwin Piscator and Bertolt Brecht, and the North American musical) and, above all, affirmed new artistic paths, able to involve the public. However, we should remember that such popular shows were usually restricted to middle-class audiences, which may partly be explained by the context in which they took place. The Brazilian musical texts of that time record the historical moment, establish tendencies that transcend the moment, and leave behind aesthetic lessons to which one can return even today. The epic strategies (for instance, the way music was inserted in the plot) and the dialogues in verse are examples of such lessons. The first chapter of this work draws a general picture of local musical theater starting from 1960, addressing briefly some of the main shows of the genre written and staged in two decades. The second chapter discusses the aesthetic ideas in circulation during those years, particularly Bertolt Brecht s theories, accompanied by what the Brazilian commentators wrote about his work. We also addressed the concepts of Georg Lukács, Hungarian philosopher and critic, intensely read by leftists, of which many were theater artists working in the countrys musicals. Among such artists, we mention Augusto Boal and Ferreira Gullar, who have their ideas addressed in specific sections. Finally, the third chapter analyzes in detail eight theatrical plays, considered as genre models for that phase. After distributing the texts to be examined in four aesthetic families (the collagetext, the play directly inspired in popular sources, the epic text following a Brecht matrix, and the play based on musical comedy), we tried to detail the formal procedures that such works adopted, relating them to their ideological aspects. The structural role of the music was taken into account, besides the use of the verse, which appears in some of those works. Oduvaldo Vianna Filho, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Ferreira 12 Gullar, Dias Gomes, Chico Buarque and Paulo Pontes are some of the authors of the analyzed plays. When studying the musical plays staged in the country from 1964 to 1979, from Opinião to O rei de Ramos, we noticed a certain aesthetic and ideological maturation, due to times changing which the authors absorbed well , but also coming from the staging of singing shows. During those decades, a repertoire was established that determined perennial historical tendencies, based on comicality (eventually mixed to drama) and on music, in plots often skillfully delineated. Understanding a musical is equivalent to knowing better the atmosphere lived in Brazil during the authoritarian period, which the plays denounce and subvert, while approaching one of the most significant trends in national playwriting of all times. Political musicals attained solutions that, we feel, should be meditated upon, with views to the composition of new works and a wider and more accurate critical and historiographical perception of the national theater.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, 2006.
Aparece nas coleções:TEL - Doutorado em Literatura (Teses)

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