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Título: Por uma poética da Queda : Avalovara em diálogo com A Divina Comédia
Autor(es): Rezende, Luciana Barreto Machado
Orientador(es): Hazin, Elizabeth
Assunto: Avalovara
A Divina Comédia
Lins, Osman, 1924-1978 - crítica e interpretação
Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Data de publicação: 12-Nov-2017
Data de defesa: 14-Fev-2017
Referência: REZENDE, Luciana Barreto Machado. Por uma poética da Queda: Avalovara em diálogo com A Divina Comédia. 2017. 203 f., il. Tese (Doutorado em Literatura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Resumo: No romance Avalovara (1973), o escritor pernambucano Osman Lins (1924 – 1978) se apropria de símbolos do imaginário bíblico, mítico e religioso para formar o leito que conduz o seu invento romanesco. Como o próprio autor declarou em entrevistas e ensaios, Avalovara dialoga com o poema A Divina Comédia (1304 – 1321), do florentino Dante Alighieri – eixo e bússola desta tese. Partindo desse diálogo intertextual, anotamos as interseções das tramas e dos múltiplos temas nelas enfeixadas; as concepções estruturais das duas obras, ambas assentadas na numerologia do mundo antigo; as relações imagéticas, simbólicas e alegóricas; e as ressonâncias de ordem existencial. Em termos de estruturação, recorremos à seguinte secção: são três os amores de Abel e três as partes em que se divide a Commedia. No esquema ilustrativo, associamos, respectivamente, ao Inferno, Purgatório e Paraíso, Cecília, Roos e , alegoricamente representadas, segundo o conceito que propomos como poética da Queda, à luz da doutrina existencialista de Jean-Paul Sartre. Explicamos que, em Avalovara, em sentido contrário ao disposto no arco Paraíso-Degredo, inverte-se a rota mítica, encenando-se o caminho reverso à expulsão do Éden, por se partir da figura da Queda para o Jardim disposto no tapete dos amantes. Pela poética da Queda é justamente a falta que impele Abel ao “ato de buscar”, o que o filia à frágil e controvertida condição do homem moderno, com seu porvir incerto e afastado do sagrado, sem refúgio e redenção. No entrecruzamento entre tradição e inovação, a título de ilustração e confirmação de nossa hipótese, relacionamos obras modernas, como Guernica, de Picasso, e Angelus Novus, de Paul Klee, a situações narrativas e personagens avalovareanos e dantescos. Além de Sartre, os teóricos que nos acompanham são Walter Benjamin, George Steiner, Paul Zumthor, Eric Auerbach e Giorgio Agamben. Ao aderir ao horizonte de banimento, ruptura e exílio, Avalovara, pela poética da Queda, parte da narrativa bíblica do Gênesis, como núcleo irradiador de uma rede de símbolos e da própria investigação do nascimento da linguagem, para delinear um tempo – a contemporaneidade – atravessado por buscas, instabilidades e incertezas. Desse modo, o romance se aproxima da filosofia de Jean-Paul Sartre: a radicalidade da liberdade e da angústia como condição da existência, o homem como medida e futuro do homem.
Abstract: In his novel; Avalovara (1973), the writer Osman Lins (1924 - 1978), born in Pernambuco, seizes the symbols of the biblical, mythical and religious imaginary to compose the grounds that lead to his romanesque invention. As the author himself stated in interviews and essays, Avalovara dialogues with the poem “The Divine Comedy” (1304 - 1321), by the florentine Dante Alighieri – which becomes the axis and compass of this thesis. Starting with this intertextual dialogue, we highlight the plots and multiple theme intersections bundled up in them; the structural conceptions of the two masterpieces, both based on the numerology of the ancient world; the imagetic, symbolic and allegorical relations; and the existential resonances. In terms of structuring, we turn to the following section: three are Abel’s loved ones and three the parts in which the Commedia is divided. In the illustrative scheme, we associate, respectively, Hell, Purgatory and Paradise, Cecilia, Roos and , allegorically represented, according to the concept we propose as the poetics of the Fall, in the light of of Jean-Paul Sartre existentialist doctrine. We explain that in Avalovara, contrary to the disposition in the Paradise-Degredo arc, the mythical route is reversed, staging the reverse route to the expulsion of Eden, starting from the figure of the Fall to the Garden disposed on the carpet of lovers. In the poetics of the Fall, it is precisely the abscence that impels Abel to the "act of seeking," which affiliates him to the fragile and controversial condition of the modern man, with his uncertain and removed from the sacred future, without refuge and redemption. In the intertwining between tradition and innovation, as an illustration and confirmation of our hypothesis, we quote modern works such as Guernica by Picasso and Paul Klee's Angelus Novus to narrative situations and Dantean and Avalovarean characters. In addition to Sartre, the theorists who accompany us are Walter Benjamin, George Steiner, Paul Zumthor, Eric Auerbach and Giorgio Agamben. By embracing the horizon of banishment, rupture and exile, Avalovara, by the poetics of the Fall, starts with the biblical narrative of the Genesis, as the radiating nucleus of a symbols network, and with the very investigation of language birth, to delineate a time - contemporaneity – torn by quests, instabilities and uncertainties. Thus, the novel comes closer to the philosophy of Jean-Paul Sartre: the radicality of freedom and the anguish as a condition of existence, man as the measure and the future.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, 2017.
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