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Título: Crianças autistas e telas digitais : reflexões sobre a mediação de seus usos em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil
Autor(es): Nunes, Tâmara Araújo Rocha
Orientador(es): Mietto, Gabriela Sousa de Melo
Assunto: Telas digitais
Transtorno do Espectro Autista
Interação digital
Data de publicação: 4-Set-2026
Referência: NUNES, Tâmara Araújo Rocha. Crianças autistas e telas digitais: reflexões sobre a mediação de seus usos em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil. 2025. 209 f.
Resumo: O uso de telas digitais por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido alvo de pesquisas na Psicologia e em outras áreas da saúde. A tecnologia se faz presente na cultura de crianças nascidas a partir dos anos 2000 e segue presente no cotidiano familiar. A interferência da tecnologia é apontada como “Tecnoferência”, assim como é encontrado o uso das telas como reguladora de comportamentos. Compreende-se que crianças autistas podem apresentar déficits em funções executivas e as telas podem ser objetos auxiliares nesse processo tanto positiva como negativamente. À luz da Psicologia do Desenvolvimento e da Perspectiva Pragmática do Objeto, esta pesquisa buscou compreender o cenário histórico-cultural e a mediação que ocorrem no uso de telas digitais e na interação triádica entre adulto, criança autista e a tela, no contexto de atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil no Distrito Federal. Foram realizadas sessões de gravação e os dados foram compostos a partir da Teoria Fundamentada dos Dados com análise microgenética das sessões gravadas. Com isso, emergiram três categorias: Ocorrência da relação triádica; Funções executivas no uso das telas; e Exploração do ambiente. Os resultados apontam a existência de interação triádica ao uso de dispositivos celulares e computadores, com domínio do uso do objeto pela criança. Observou-se comportamentos que se correlacionam às funções executivas ao utilizar as telas, como dificuldade na flexibilidade cognitiva ao usar diferentes dispositivos, habilidades de uso dos dispositivos com jogos virtuais e acesso a aplicativos, além da tela cumprir função autorreguladora. Observou-se a importância do adulto na mediação ao controlar e supervisionar como esse uso acontece, assim como em dispor do dispositivo para que a criança utilize em momentos específicos das sessões com conteúdo sensível, o que aponta um caráter positivo ao uso. Entretanto, evidenciou-se a dificuldade do serviço de saúde mental em dispor de recursos terapêuticos no espaço destinado às consultas, além da dificuldade em recursos humanos para que o atendimento familiar ocorresse com mais privacidade aos conteúdos sensíveis. Observou-se também que a dificuldade de acesso ao local pelas famílias impactou na execução do planejamento inicial e que as características particulares e sensoriais das crianças impossibilitaram a execução de mais etapas de coleta e videogravação. Portanto, é necessário considerar o contexto sócio-histórico das famílias a fim de planejamento de intervenção e das orientações ao uso excessivo da tela, com a compreensão de que estas podem ser aliadas ao processo do desenvolvimento quando analisadas a partir do cenário cultural que justifique seu uso. Mais evidências são necessárias para corroborar com os resultados encontrados neste estudo.
Unidade Acadêmica: Instituto de Psicologia (IP)
Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento (IP PED)
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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