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Título: Cidade-ruína, cidade-cristal : problematização do Antropoceno pela cidade submersa de Cabeço (Brasil) e pela cidade reemersa de Epecuén (Argentina)
Outros títulos: Ciudad en ruinas, ciudad de cristal : problematización del Antropoceno a través de la ciudad sumergida de Cabeço (Brasil) y la ciudad resurgida de Epecuén (Argentina)
Autor(es): Teixeira, Carolina Guida
Trevisan, Ricardo
Afiliação do autor: Universidade de Brasília
Universidade de Brasília
Assunto: Antropoceno
Usinas hidrelétricas
Paisagens multiespécies
Cabeço (SE)
Canindé de São Francisco (SE)
Epecuén (Argentina)
Data de publicação: 23-Mar-2026
Editora: Even3
Referência: TEIXEIRA, Carolina Guida; TREVISAN, Ricardo. Cidade-ruína, cidade-cristal: problematização do Antropoceno pela cidade submersa de Cabeço (Brasil) e pela cidade reemersa de Epecuén (Argentina). In: CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE HISTÓRIA URBANA, 4., 2025, São Paulo. Anais [...]. São Paulo (SP): FAU-USP, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/4-congresso-ibero-americano-historia-urbana/1451482-CIDADE-RUINA-CIDADE-CRISTAL--PROBLEMATIZACAO-DO-ANTROPOCENO-PELA-CIDADE-SUBMERSA-DE-CABECO-(BRASIL)-E-PELA-CIDA. Acesso em: 18 ago. 2026.
Resumo: Entre 1987 e 1994, a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó alterou drasticamente a paisagem do Rio São Francisco (Região Nordeste, Brasil), resultando na submersão da cidade de Canindé do São Francisco (estado de Sergipe) e na realocação de sua população. Um dano causado pela UHE não previsto, todavia, foi a redução da vazão do rio, que comprometeu o transporte de sedimentos, facilitando a invasão das águas salgadas do Oceano Atlântico, levando ao desaparecimento da comunidade de Cabeço, na foz do Rio, em 1990. De forma análoga, a Vila Epecuén, na Argentina, foi engolida pelas águas hipersalinas do Lago Epecuén. Em 1985, o nível do Lago Epecuén aumentou pelo excesso de chuvas mas, sobretudo, por irregularidades na construção de um canal que drenava águas de outras bacias para o Sistema de Lagunas Encadenadas, onde se situava Epecuén, ponto mais baixo do sistema. Com isso, o talude que protegia a vila de inundações rompeu-se, submergindo a cidade. Trinta anos depois, o recuo das águas revelou suas ruínas, agora cobertas por cristais de sal, transformando o lugar em um testemunho material do passado petrificado no presente. Tais processos de desaparecimento e reemergência revelam a interação entre ação humana, natureza e memória. Com base na teoria do ritornelo de Deleuze e das paisagens multiespécies de Anna Tsing, o artigo investiga a cidade submersa de Cabeço e a cidade reemersa de Epecuén como ruínas do Antropoceno ou como cristais do tempo, tensionando as fronteiras entre natureza e cultura. Ao adotar uma abordagem transdisciplinar, o estudo propõe um diálogo entre história urbana, ecologia e antropologia, considerando os impactos do progresso nas disputas territoriais, evidenciando a paradoxialidade do tempo e os modos pelos quais a materialidade das ruínas desafia narrativas hegemônicas sobre desenvolvimento e a modernização.
Resumen: Entre 1987 y 1994, la construcción de la central hidroeléctrica de Xingó alteró drásticamente el paisaje del río São Francisco (región noreste de Brasil), lo que provocó la inundación de la ciudad de Canindé do São Francisco (estado de Sergipe) y el traslado de su población. Sin embargo, un daño no previsto causado por la central hidroeléctrica fue la reducción del caudal del río, lo que comprometió el transporte de sedimentos y facilitó la invasión de las aguas saladas del océano Atlántico, lo que provocó la desaparición de la comunidad de Cabeço, en la desembocadura del río, en 1990. De manera similar, la villa de Epecuén, en Argentina, fue engullida por las aguas hipersalinas del lago Epecuén. En 1985, el nivel del lago Epecuén aumentó debido al exceso de lluvias, pero sobre todo por irregularidades en la construcción de un canal que drenaba las aguas de otras cuencas hacia el sistema de lagunas encadenadas, donde se encontraba Epecuén, el punto más bajo del sistema. Como consecuencia, el talud que protegía al pueblo de las inundaciones se rompió, sumergiendo la ciudad. Treinta años después, el retroceso de las aguas reveló sus ruinas, ahora cubiertas de cristales de sal, transformando el lugar en un testimonio material del pasado petrificado en el presente. Estos procesos de desaparición y resurgimiento revelan la interacción entre la acción humana, la naturaleza y la memoria. Basándose en la teoría del ritornello de Deleuze y los paisajes multiespecie de Anna Tsing, el artículo investiga la ciudad sumergida de Cabeço y la ciudad resurgida de Epecuén como ruinas del Antropoceno o como cristales del tiempo, tensando las fronteras entre naturaleza y cultura. Al adoptar un enfoque transdisciplinario, el estudio propone un diálogo entre la historia urbana, la ecología y la antropología, considerando los impactos del progreso en las disputas territoriales, evidenciando la paradoja del tiempo y las formas en que la materialidad de las ruinas desafía las narrativas hegemónicas sobre el desarrollo y la modernización.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU)
Departamento de Tecnologia em Arquitetura e Urbanismo (FAU TEC)
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Versão da editora: https://www.even3.com.br/anais/4-congresso-ibero-americano-historia-urbana/1451482-cidade-ruina-cidade-cristal--problematizacao-do-antropoceno-pela-cidade-submersa-de-cabeco-(brasil)-e-pela-cida
Aparece nas coleções:Trabalhos apresentados em evento

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