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Título: O modelo hegemônico de produção de alimentos e a segurança alimentar : os casos do Brasil e da Argentina
Autor(es): Corado, Érica Beatriz Guedes
Orientador(es): Menezes, Roberto Goulart
Assunto: Segurança alimentar
Brasil
Argentina
Agronegócio
Data de publicação: 16-Jun-2026
Referência: CORADO, Érica Beatriz Guedes. O modelo hegemônico de produção de alimentos e a segurança alimentar: os casos do Brasil e da Argentina. 2026. 204 f., il. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: A América Latina e o Caribe ocupam uma posição paradoxal no sistema alimentar global: ao mesmo tempo que figuram como principais fornecedores do mercado agrícola mundial, são uma das regiões mais profundamente afetadas pela insegurança alimentar. Essa dualidade se expressa evidentemente no Brasil e na Argentina, maiores potências agroexportadoras da região, especialmente desde a crise do Consenso das Commodities na região por volta de 2015. Diante dessa conjuntura, esta dissertação investiga quais são os efeitos do modelo hegemônico de produção de alimentos sobre a insegurança alimentar no Brasil e na Argentina entre 2015 e 2025. A hipótese é que este modelo de produção, sustentado pela financeirização e pelas dinâmicas neoextrativistas, impulsiona o agravamento da insegurança alimentar, ainda que seja observado crescimento da produção e das exportações agrícolas. O objetivo geral deste estudo é compreender de que maneira o modelo hegemônico de produção de alimentos contribuiu para a insegurança alimentar nesses países entre 2015 e 2025. Para tal, os objetivos específicos são: demonstrar a conformação histórica e estrutural desse modelo e sua relação com a insegurança alimentar; examinar os marcos legais, institucionais e as políticas públicas de segurança alimentar; avaliar seus impactos concretos a partir dos quatro pilares da segurança alimentar definidos pela FAO (disponibilidade, acesso, utilização e estabilidade); e investigar alternativas em curso, com destaque para a Soberania Alimentar. No que se refere ao método, estrutura-se uma pesquisa qualitativa, de caráter explicativo e descritivo. Os procedimentos técnicos adotados abarcam um estudo de caso múltiplo com foco no Brasil e na Argentina, além de uma pesquisa bibliográfica e documental, baseada na análise de produções acadêmicas, legislações nacionais, tratados internacionais, relatórios de órgãos governamentais, relatórios institucionais, documentos técnicos e bases de dados. O referencial teórico está fundamentado no pensamento crítico latino-americano e na Economia Política Internacional. A partir disso, são centrais os conceitos de Consenso das Commodities e neoextrativismo, em articulação com as abordagens dos regimes alimentares. Os resultados dessa pesquisa indicam que o fortalecimento do modelo hegemônico de produção de alimentos contribui estruturalmente para a vulnerabilidade da segurança alimentar nos países analisados. Essa dinâmica se estabelece diante da reprimarização das suas economias, da perda de qualidade das dietas e da maior exposição a choques de preço e climáticos. Isso é resultado de características inerentes ao modelo hegemônico de produção, sobretudo da financeirização, da concentração de terras, da captura institucional dos Estados, da expansão da fronteira agrícola e do uso indiscriminado de agrotóxicos. Observou-se também a fragilização de políticas públicas de combate à fome e o enfraquecimento da agricultura familiar. Esses processos evidenciam a atuação contraditória dos Estados, que, embora reconheçam o Direito Humano à Alimentação Adequada, sustentam um modelo produtivo incompatível com sua efetivação.
Abstract: Latin America and the Caribbean occupy a paradoxical position in the global food system: at the same time that they rank among the main suppliers of the world agricultural market, they are also one of the regions most deeply affected by food insecurity. This duality is clearly expressed in Brazil and Argentina, the largest agro-exporting powers in the region, especially since the crisis of the Commodities Consensus around 2015. Given this context, this dissertation investigates the effects of the hegemonic model of food production on food insecurity in Brazil and Argentina between 2015 and 2025. The main hypothesis is that this production model, sustained by financialization and neo-extractivist dynamics, drives the worsening of food insecurity, even as agricultural production and exports continue to grow. The general objective of this study is to understand how the hegemonic model of food production has contributed to food insecurity in these countries between 2015 and 2025. To this end, the specific objectives are to demonstrate the historical and structural configuration of this model and its relationship with food insecurity; to examine the legal and institutional frameworks and public policies on food security; to assess its concrete impacts based on the four pillars of food security defined by the FAO (availability, access, utilization, and stability); and to investigate ongoing alternatives, with emphasis on Food Sovereignty. With regard to the method, this research is qualitative in nature, with an explanatory and descriptive character. The technical procedures adopted include a multiple case study focusing on Brazil and Argentina, as well as bibliographic and documentary research based on the analysis of academic production, national legislation, international treaties, reports from governmental bodies, institutional reports, technical documents, and databases. The theoretical framework is grounded in Latin American critical thought and International Political Economy. In this context, the concepts of the Commodities Consensus and neo-extractivism are central, articulated with approaches from food regimes theory. The results of this research indicate that the strengthening of the hegemonic model of food production structurally contributes to the vulnerability of food security in the countries analyzed. This dynamic is established through the reprimarization of their economies, the deterioration of diet quality, and increased exposure to price and climate shocks. These outcomes stem from inherent characteristics of the hegemonic model of production, particularly financialization, land concentration, institutional capture of the state, the expansion of the agricultural frontier, and the indiscriminate use of agrochemicals. The weakening of public policies to combat hunger and the erosion of family farming were also observed. These processes highlight the contradictory role of States, which, although they recognize the Human Right to Adequate Food, sustain a productive model incompatible with its realization.
Unidade Acadêmica: Instituto de Relações Internacionais (IREL)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais
Agência financiadora: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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