http://repositorio.unb.br/handle/10482/54802| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Título: | Revisão da literatura bioética sobre os desafios éticos do uso de neurotecnologias no ambiente de trabalho |
| Autor(es): | Martins, Pedro Araújo |
| Orientador(es): | Pyrrho, Monique |
| Assunto: | Neurotecnologia Ambiente de trabalho Bioética |
| Data de publicação: | 14-Jun-2026 |
| Data de defesa: | 18-Dez-2025 |
| Referência: | MARTINS, Pedro Araújo. Revisão da literatura bioética sobre os desafios éticos do uso de neurotecnologias no ambiente de trabalho. 2025. 79 f., il. Dissertação (Mestrado em Bioética) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Introdução: As neurotecnologias, originalmente desenvolvidas para fins médicos, vêm sendo cada vez mais incorporadas ao ambiente de trabalho. Em contexto de intensificação da produtividade e da precarização do trabalho, tais dispositivos suscitam dilemas éticos inéditos. Objetivos: Objetivo Geral: Analisar as implicações éticas do uso de neurotecnologias no ambiente de trabalho, a partir das abordagens predominantes na literatura científica contemporânea. Objetivos Específicos: a) Analisar as principais implicações éticas das neurotecnologias já aventadas; b) Identificar as principais tendências relativas a distribuição geográfica, temporal e disciplinar da literatura científica sobre as dimensões éticas do uso de neurotecnologia em ambiente laboral; c) Discutir o uso das neurotecnologias e seus possíveis resultantes para as relações de poder no trabalho; e, d) Contribuir com o conhecimento necessário para o delineamento de diretrizes para assegurar o uso ético das neurotecnologias. Metodologia: Realizou-se levantamento bibliográfico em abril de 2025 nas bases PubMed, Scopus, CAPES, LILACS, SciELO e na Bioethics Research Library (KIE/GU), utilizando os termos: “neurotechnology workplace”, “neurotechnology”, “workplace” e “ethics”. Foram incluídos artigos científicos disponíveis em português, inglês ou espanhol. Os artigos foram categorizados por ano, país, área de formação dos autores, tecnologias identificadas, profissões envolvidas, finalidades atribuídas e principais implicações éticas. Resultados: A literatura analisada contou com 15 publicações. A produção científica sobre o tema é recente, com crescimento a partir de 2023 e concentrada em países do Hemisfério Norte. A maior parte dos autores atua na área biomédica e jurídica. Foram abordadas tecnologias invasivas, como chip NFC; não invasivas de consumo, entre elas câmeras, wearables, EEG portáteis, IA para análise emocional; e não invasivas biomédicas, com EEG, fMRI, fNIRS, EMG, tES, TMS. As finalidades aventadas foram a promoção de: produtividade, bem-estar/saúde, segurança e vigilância, sendo a produtividade o propósito mais citado. A expectativa é que os setores mais afetados pelo uso das neurotecnologias sejam a indústria, transporte terrestre, aviação e serviços. As dimensões éticas do uso de neurotecnologia em ambiente laboral foram classificadas em sete categorias: concentração de poder e exploração tecnológica; violação da privacidade mental; opacidade; ameaça à continuidade psicológica; discriminação e exclusão; danos à saúde física e mental; ausência de regulação específica. Discussão: A governamentalidade neural dos indivíduos desponta como ferramenta de promoção de produtividade, ao mesmo tempo em que promete um aumento do bem-estar dos trabalhadores. No entanto, os riscos, principalmente a ameaça à continuidade psicológica, são significativos e não têm sido acompanhados de proporcional debate ético e regulação. Conclusão: O uso de neurotecnologias com fins laborais representa um dos mais complexos desafios éticos contemporâneos, ao deslocar o controle do corpo para a mente e ao permitir a vigilância de estados subjetivos em níveis sem precedentes. Embora apresentadas como instrumentos de otimização e bem-estar, tais tecnologias podem aumentar a exploração laboral, intensificar sofrimentos psíquicos, gerar discriminações e ameaçar a personalidade dos trabalhadores. É premente a criação de protocolos éticos robustos, marcos regulatórios específicos e medidas de proteção da privacidade mental que garantam limites claros ao uso de neurotecnologias no trabalho. |
| Abstract: | Introduction: Neurotechnologies, originally developed for medical purposes, are increasingly being incorporated into the workplace. In a context of intensified productivity and labor precarization, such devices raise unprecedented ethical dilemmas. Objectives: Main Objective: To analyze the ethical implications of the use of neurotechnologies in the workplace, based on the predominant approaches in contemporary scientific literature. Specific objectives: a) Analyze the main ethical implications of neurotechnologies already discussed; b) Identify the main trends regarding the geographical, temporal and disciplinary distribution of scientific literature on the ethical dimensions of the use of neurotechnology in the workplace; c) Discuss the use of neurotechnologies and their possible consequences for power relations at work; and d) Contribute with the necessary knowledge to design of ethical guidelines for the use of neurotechnologies. Methodology: A bibliographic review was conducted in April 2025 in the PubMed, Scopus, CAPES, LILACS, SciELO and Bioethics Research Library (KIE/GU) databases, using the terms: “neurotechnology workplace”, “neurotechnology”, “workplace” and “ethics”. Scientific articles available in Portuguese, English or Spanish were included. The articles were categorized by year, country, authors' academic background, technologies identified, professions involved, purposes attributed and main ethical implications. Results: The literature analyzed included 15 publications. Scientific literature on the topic is recent, with an increasingtrend since 2023 and concentrated in countries in the Northern Hemisphere. Most authors work in the biomedical and legal fields. The technologies were classified as invasive, such as NFC chips; non-invasive consumer-grade technologies, including cameras, wearables, portable EEGs and AI for emotional analysis; and also, non invasive biomedical technologies, including EEG, fMRI, fNIRS, EMG, tES and TMS. The purposes put forward were the promotion of productivity, well-being/health, security and surveillance, with productivity being the most cited purpose. The sectors expected to be most affected by the use of neurotechnologies are industry, land transport, aviation and services. The ethical dimensions of the use of neurotechnology in the workplace were classified into seven categories: concentration of power and technological exploitation; violation of mental privacy; opacity; threat to psychological continuity; discrimination and exclusion; damage to physical and mental health; and lack of specific regulation. Discussion: Neural governmentality of individuals is emerging as a tool for promoting productivity, while promising to increase workers' well-being. However, the risks, especially the threat to psychological continuity, are significant and have not been followed by proportional ethical debate and regulation. Conclusion: The use of neurotechnologies for work purposes represents one of the most complex contemporary ethical challenges, shifting control from the body to the mind and allowing the surveillance of subjective states at unprecedented levels. Although presented as instruments of optimization and well-being at work, such technologies can increase labor exploitation, intensify psychological suffering, generate discrimination and threaten workers' personal identities. There is an urgent need to create robust ethical protocols, specific regulatory frameworks and measures to protect mental privacy that ensure clear limits on the use of neurotechnologies at work. |
| Unidade Acadêmica: | Faculdade de Ciências da Saúde (FS) |
| Informações adicionais: | Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Bioética, 2016. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Bioética |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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