| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Igreja, Rebecca Forattini Lemos | - |
| dc.contributor.author | Oliveira, Rodrigo Magalhães de | - |
| dc.date.accessioned | 2026-06-14T21:20:43Z | - |
| dc.date.available | 2026-06-14T21:20:43Z | - |
| dc.date.issued | 2026-06-14 | - |
| dc.date.submitted | 2026-05-18 | - |
| dc.identifier.citation | OLIVEIRA, Rodrigo Magalhães de. “Os espíritos tinham o direito de ser resgatados”: conflito cosmojurídico na bacia do Tapajós. 2026. 405 f., il. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/54800 | - |
| dc.description | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2026. | pt_BR |
| dc.description.abstract | Este trabalho investiga o conflito cosmojurídico deflagrado pela destruição dos lugares
sagrados Karobixexé (Sete Quedas) e Dekoka’a (Morro dos Macacos), e pela violação das
Itiğ’a (urnas funerárias) do povo Munduruku, decorrentes da instalação das UHEs Teles Pires
e São Manoel, entre 2011 e 2017. Concebendo o licenciamento ambiental como um campo
interlegal, o objetivo é analisar o embate entre as formas jurídicas estatais, que operam a
abstração do território para convertê-lo em mercadoria, e as formas jurídicas munduruku, que
promovem a sua singularização, transfigurando-o em um lugar ontologicamente único. O
conflito cosmojurídico é uma categoria analítica proposta para articular o direito e a ontologia
como dimensões mutuamente constitutivas. Postula-se como hipótese central que esse
conflito revela a persistência estrutural de processos históricos de expropriação territorial
constitutivos da expansão colonial-capitalista. Situada no campo da Antropologia Jurídica, a
tese articula os referenciais do pluralismo jurídico, da virada ontológica e da crítica marxista à
acumulação primitiva. A pesquisa fundamenta-se metodologicamente no Estudo de Caso
Estendido, que propõe a análise do conflito em escala temporal distendida, e na etnografia
documental, tendo como objeto os processos administrativos de intervenção conduzidos pela
Funai e pelo Iphan. Os resultados demonstram que o licenciamento ambiental operou como
uma forma jurídica de abstração, atualizando os dispositivos coloniais da terra nullius e da
forma jurídica da propriedade, mediante a supressão das relações e direitos preexistentes
sobre o território, reduzindo-o a um espaço abstrato, fungível e comoditizado. Com isso, o
Estado esvaziou o conteúdo dos direitos multiculturais para viabilizar a acumulação de
capital. Em oposição, os Munduruku afirmam os lugares sagrados do baixo rio São Manoel
como Ipi Cekay’Piat (terras onde não se pode mexer), coabitados por seres
outros-que-humanos investidos de agência política e subjetividade jurídica. Para contrapor-se
à destruição, o povo mobilizou um repertório político-jurídico que, simultaneamente, tensiona
e articula o direito estatal com o seu direito próprio, em um processo de “mundurukanização”
das leis do pariwat. As ações diretas, como a ocupação do canteiro de obras e o resgate das
Itiğ’a, foram pautadas por formas jurídicas próprias, que prescrevem obrigações inalienáveis
perante os espíritos. A tese conclui que a devastação dos lugares sagrados constitui o epílogo
de um processo de desterritorialização iniciado nos ciclos da borracha, revelando a
perpetuação de embates entre formas jurídicas territoriais incomensuráveis inerentes ao
avanço da fronteira capitalista na Amazônia. | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | “Os espíritos tinham o direito de ser resgatados” : conflito cosmojurídico na bacia do Tapajós | pt_BR |
| dc.type | Tese | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Usinas hidrelétricas - Amazônia | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Terras indígenas | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Pluralismo jurídico | pt_BR |
| dc.contributor.advisorco | Sierra Camacho, María Teresa | - |
| dc.description.abstract1 | This study examines the cosmo-legal conflict sparked by the destruction of the sacred sites
Karobixexé (Sete Quedas) and Dekoka’a (Morro dos Macacos), and by the desecration of the
Munduruku people’s Itiğ’a (funerary urns), resulting from the construction of the Teles Pires
and São Manoel hydroelectric plants between 2011 and 2017. Conceiving environmental
licensing as an interlegal field, the objective is to analyze the clash between state legal forms -
which operate the abstraction of territory to convert it into a commodity - and munduruku
legal forms, which promote its singularization, transforming it into an ontologically unique
place. The cosmo-legal conflict is an analytical category proposed to articulate law and
ontology as mutually constitutive dimensions. The central hypothesis posits that this conflict
reveals the structural persistence of historical processes of territorial expropriation
underpinning colonial-capitalist expansion. Situated within the field of Legal Anthropology,
the thesis articulates the frameworks of legal pluralism, the ontological turn, and the marxist
critique of primitive accumulation. The research is methodologically grounded in the
Extended Case Study, which proposes an analysis of the conflict over a distended temporal
scale, and in documentary ethnography, focusing on the administrative intervention processes
conducted by FUNAI and IPHAN. The results demonstrate that environmental licensing
functioned as a legal form of abstraction, reviving colonial devices such as terra nullius and
the legal form of property by suppressing preexisting relationships and rights over the
territory, reducing it to an abstract, fungible, and commodified space. In doing so, the State
hollowed out the substance of multicultural rights to facilitate capital accumulation. In
contrast, the Munduruku affirm the sacred sites of the lower São Manoel River as Ipi
Cekay’Piat (lands that cannot be touched), inhabited by other-than-human beings endowed
with political agency and legal subjectivity. To counter the destruction, the people mobilized a
political-legal repertoire that simultaneously tensions and articulates state law with their own,
in a process of “mundurukanization” of the pariwat’s laws. Direct actions, such as the
occupation of the construction site and the recovery of the Itiğ’a, were guided by their own
legal forms, which prescribe inalienable obligations before the spirits. The thesis concludes
that the devastation of sacred sites constitutes the epilogue of a process of deterritorialization
initiated during the rubber cycles, revealing the perpetuation of clashes between
incommensurable territorial legal forms inherent to the advance of the capitalist frontier in the
Amazon. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Faculdade de Direito (FD) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Direito | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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