| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Festi, Ricardo Colturato | - |
| dc.contributor.author | Silva, Aristóteles de Almeida | - |
| dc.date.accessioned | 2026-06-10T18:34:49Z | - |
| dc.date.available | 2026-06-10T18:34:49Z | - |
| dc.date.issued | 2026-06-10 | - |
| dc.date.submitted | 2025-12-11 | - |
| dc.identifier.citation | SILVA, Aristóteles de Almeida. Entre duas crises: resiliência e renovação do neoliberalismo no Brasil entre as crises de 2008 e 2015/16. 2025. 309 f., il. Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/54716 | - |
| dc.description | Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026. | pt_BR |
| dc.description.abstract | A crise financeira e econômica internacional de 2008 não produziu uma ruptura com o neoliberalismo; ao
contrário, acabou por aprofundá-lo, principalmente sob a forma de políticas de austeridade. A União Europeia
costuma ser apontada como caso exemplar desse movimento. No Brasil, contudo, a trajetória foi distinta: a
resposta inicial à crise de 2008 aproximou-se do desenvolvimentismo, mas as contradições do chamado
“ensaio desenvolvimentista”, o aguçamento da luta de classes em torno do orçamento público e, por fim, a
crise político-econômica de 2015/16 abriram caminho para o retorno das reformas neoliberais. Nesse
contexto, o processo envolveu disputas pelo controle da política econômica, reordenação de coalizões e, no
limite, contenção de mecanismos democráticos. A tese investiga por que e como, entre a crise de 2008 e a
crise de 2015/16, o neoliberalismo mostrou resiliência e pôde ser renovado no Brasil. Para isso, a pesquisa
combina: (i) análise histórico-institucional de longa duração; (ii) rastreamento de processos das respostas
estatais às duas crises; (iii) apreensão da mudança de agenda e identificação dos atores sociais envolvidos
nessa mudança por meio de textos jornalísticos; (iv) identificação de como Fiesp e Febraban se posicionaram
diante do “ensaio desenvolvimentista” e, posteriormente, durante a crise de 2015/16, e de como, ao longo do
período, fizeram uso dos poderes estrutural e instrumental para influir na condução da política econômica; (v)
exame do programa “Uma ponte para o futuro” como momento de condensação da agenda de reformas; (vi)
análise do processo legislativo de tramitação da PEC do “Teto de gastos” com base em documentos oficiais
e em entrevistas com deputados e assessores, bem como da forma como Fiesp e Febraban manifestaram
apoio à sua aprovação; e (vii) investigação de como, a partir do governo Temer, a fração bancário-financeira
reforçou sua capacidade de comando sobre a política econômica por meio de recursos de poder, dentre eles
a “porta giratória”. Os resultados revelam que o “ensaio desenvolvimentista” operou sob fortes
constrangimentos institucionais e não alterou a financeirização da economia, consequência direta das
reformas neoliberais da década de 1990. À medida que a resposta anticíclica perdeu eficácia e a
desaceleração industrial se aprofundou, Fiesp e Febraban convergiram para uma agenda de austeridade
fiscal durante a crise de 2015/16. O impeachment de 2016 funcionou como mecanismo de desbloqueio
institucional para que essa agenda fosse constitucionalizada sob liderança do PMDB. Articulando os conceitos
de poder estrutural e de poder instrumental da classe capitalista com a noção de “resiliência neoliberal”, a
tese demonstra que a forma concreta das reformas decorreu da interação entre as frações da classe
capitalista que apoiaram a deposição de Dilma Rousseff, o que permite compreender como uma política
econômica antipopular pôde ser produzida em um regime democrático e por que as alternativas ao
neoliberalismo foram rapidamente esvaziadas. | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | Entre duas crises: resiliência e renovação do neoliberalismo no Brasil entre as crises de 2008 e 2015/16 | pt_BR |
| dc.type | Anais | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Austeridade fiscal | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Crise financeira | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Crise econômica | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Rousseff, Dilma, 1947- política e governo | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Poder estrutural | pt_BR |
| dc.description.abstract1 | The 2008 international financial and economic crisis did not produce a rupture with neoliberalism; on the
contrary, it ultimately deepened it, mainly in the form of austerity policies. The European Union is often cited
as an exemplary case of this movement. In Brazil, however, the trajectory was different: the initial response to
the 2008 crisis moved closer to developmentalism, but the contradictions of the so-called “developmentalist
experiment”, the sharpening of class struggle around the public budget and, finally, the 2015–2016 political–
economic crisis opened the way for the return of neoliberal reforms. In this context, the process involved
disputes over the control of economic policy, the reordering of coalitions and, ultimately, the curtailment of
democratic mechanisms. This thesis investigates why and how, between the 2008 crisis and the 2015–2016
crisis, neoliberalism proved resilient and was able to be renewed in Brazil. To this end, the research combines:
(i) long-term historical-institutional analysis; (ii) process tracing of state responses to the two crises; (iii)
identification of agenda change and of the social actors involved in this change through journalistic texts; (iv)
analysis of how Fiesp and Febraban positioned themselves in relation to the “developmentalist experiment”
and, later, during the 2015–2016 crisis, and how, over the period, they made use of structural and instrumental
forms of power to influence the conduct of economic policy, through content analysis of newspaper articles;
(v) examination of the program “Uma ponte para o futuro” as a moment of condensation of the reform agenda;
(vi) analysis of the legislative process of the constitutional amendment bill on the “expenditure ceiling” (PEC
do Teto de Gastos), based on official documents and interviews with federal deputies and advisers, as well as
of the ways in which Fiesp and Febraban expressed support for its approval; and (vii) investigation of how,
from the Temer government onward, the banking-financial fraction strengthened its capacity to command
economic policy through power resources, among them the “revolving door”. The results show that the
“developmentalist experiment” operated under strong institutional constraints and did not alter the
financialization of the economy, a direct consequence of the neoliberal reforms of the 1990s. As the
countercyclical response lost effectiveness and industrial slowdown deepened, Fiesp and Febraban
converged on an agenda of fiscal austerity during the 2015–2016 crisis. The 2016 impeachment functioned as
an institutional unlocking mechanism that allowed this agenda to be constitutionalized under the leadership of
the PMDB. By articulating the concepts of the structural and instrumental power of the capitalist class with the
notion of “neoliberal resilience”, the thesis shows that the concrete form taken by the reforms resulted from the
interaction among the fractions of the capitalist class that supported the ousting of Dilma Rousseff, which
makes it possible to understand how an anti-popular economic policy could be produced within a democratic
regime and why alternatives to neoliberalism were so rapidly emptied out. | pt_BR |
| dc.description.abstract3 | La crise financière et économique internationale de 2008 n’a pas entraîné de rupture avec le néolibéralisme ;
au contraire, elle a contribué à l’approfondir, principalement sous la forme de politiques d’austérité. L’Union
européenne est souvent présentée comme le cas exemplaire de ce mouvement. Au Brésil, toutefois, la
trajectoire a été différente : la réponse initiale à la crise de 2008 s’est rapprochée du développementisme,
mais les contradictions du « projet développementiste », l’exacerbation de la lutte de classes autour du budget
public et, enfin, la crise politico-économique de 2015-2016 ont ouvert la voie au retour des réformes
néolibérales. Dans ce contexte, le processus a impliqué : des disputes pour le contrôle de la politique
économique, une réorganisation des coalitions et, en dernière instance, une restriction de certains
mécanismes démocratiques. La thèse cherche à comprendre pourquoi et comment, entre la crise de 2008 et
la crise de 2015-2016, le néolibéralisme a fait preuve de résilience et a pu être renouvelé au Brésil. Pour cela,
elle combine : (i) une analyse historico-institutionnelle de longue durée ; (ii) un « process tracing » des
réponses étatiques aux deux crises ; (iii) l’appréhension du changement d’agenda et l’identification des acteurs
sociaux impliqués dans ce changement à partir de textes journalistiques ; (iv) l’identification de la manière dont
la Fiesp et la Febraban se sont positionnées face au « projet développementiste » puis, plus tard, durant la
crise de 2015-2016, et de la façon dont, au fil de la période, elles ont mobilisé les pouvoirs structurel et
instrumental pour influer sur la conduite de la politique économique, à partir d’une analyse de contenu de la
presse ; (v) l’examen du programme Uma ponte para o futuro comme moment de condensation de l’agenda
de réformes ; (vi) l’analyse du processus législatif de la proposition d’amendement constitutionnel dite du «
plafond des dépenses » (PEC do Teto de gastos), à partir de documents officiels et d’entretiens avec des
députés et des conseillers, ainsi que de la manière dont la Fiesp et la Febraban ont manifesté leur soutien à
son approbation ; et (vii) l’étude de la façon dont, à partir du gouvernement Temer, la fraction bancairefinancière a renforcé sa capacité de commandement sur la politique économique grâce à certaines ressources
de pouvoir, parmi lesquelles la « porte tournante ».Les résultats montrent que le « projet développementiste
» a opéré sous de fortes contraintes institutionnelles et n’a pas modifié la financiarisation de l’économie,
conséquence directe des réformes néolibérales des années 1990. À mesure que la réponse anticyclique
perdait de son efficacité et que le ralentissement industriel s’aggravait, la Fiesp et la Febraban ont convergé
vers un agenda d’austérité budgétaire au cours de la crise de 2015-2016. La destitution de 2016 a fonctionné
comme un mécanisme de déblocage institutionnel permettant la constitutionnalisation de cet agenda sous la
direction du PMDB. En articulant les concepts de pouvoir structurel et de pouvoir instrumental de la classe
capitaliste avec la notion de « résilience néolibérale », la thèse montre que la forme concrète des réformes a
résulté de l’interaction entre les fractions de la classe capitaliste qui ont soutenu la destitution de Dilma
Rousseff, ce qui permet de comprendre comment une politique économique impopulaire a pu être produite
dans un régime démocratique et pourquoi les alternatives au néolibéralisme ont été rapidement vidées de leur
substance. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Instituto de Ciências Sociais (ICS) | pt_BR |
| dc.description.unidade | Departamento de Sociologia (ICS SOL) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Sociologia | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
|