| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Leal, Sayonara de Amorim Gonçalves | - |
| dc.contributor.author | Santos, Danilo Mourão dos | - |
| dc.date.accessioned | 2026-06-10T16:52:48Z | - |
| dc.date.available | 2026-06-10T16:52:48Z | - |
| dc.date.issued | 2026-06-10 | - |
| dc.date.submitted | 2026-02-27 | - |
| dc.identifier.citation | SANTOS, Danilo Mourão dos. Rumores de desenvolvimento econômico e racialização do conflito ambiental em torno da Ferrovia Paraense: o caso das comunidades quilombolas África e Laranjituba em Abaetetuba-PA. 2026. 274 f., il. Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/54709 | - |
| dc.description | Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026. | pt_BR |
| dc.description.abstract | O propósito desta pesquisa é analisar o conflito ambiental em torno da Ferrovia Paraense
(Fepasa), investigando os rumores sobre sua construção e de seus efeitos mobilizadores entre
as comunidades quilombolas África e Laranjituba, no município de Abaetetuba-PA. Buscase compreender como a racialização opera como princípio estruturante desse conflito,
evidenciando de que modo o projeto logístico de desenvolvimento se apoia em classificações
raciais para viabilizar a expropriação territorial de comunidades quilombolas sob a retórica
do progresso econômico regional. A racialização do conflito ambiental é compreendida
como um processo social e histórico no qual grupos sociais são hierarquizados racialmente
inferiores (Gans, 2017; Hochman, 2019), estruturando disputas entre modos diferenciados
de apropriação do território (Acselrad, 2004a). Esse processo se materializa na articulação
entre a zona do não-ser (Fanon, 2008), marcada pelos racismos que negam o status e
capacidade de humanidade plena, e a zona de sacrifício (Lerner, 2010), caracterizada pela
descartabilidade ambiental. O cruzamento das zonas autoriza Estado e atores econômicos a
naturalizarem o descarte de corpos e territórios negros. Anunciada em 2016, a Ferrovia
Paraense é um empreendimento de infraestrutura destinado ao escoamento de commodities
do agronegócio e da mineração das regiões sul e sudeste do Pará até os portos marítimos de
Abaetetuba-PA e Barcarena-PA. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem
qualitativa, com dados coletados entre 2015 e 2024 por meio de diário de campo, observação
participante, entrevistas semiestruturadas, história oral e pesquisa narrativa. Os resultados
indicam que os rumores sobre grandes empreendimentos de infraestrutura ativaram
processos coletivos de investigação pública (Dewey, 1974a; Ginzburg, 1989), permitindo às
comunidades tradicionais identificar riscos ambientais, mapear atores hegemônicos
envolvidos e acionar instrumentos jurídicos de autoproteção, como os Protocolos de
Consulta fundamentados na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho
(OIT). Contudo, observa-se a ausência do Estado na promoção de consultas efetivas, não
como exceção, mas como expressão de um padrão estrutural e institucional de gestão
racializada do território no contexto do desenvolvimento logístico da Amazônia. A pesquisa
conclui que o reconhecimento jurídico e político (Honneth, 2009) das comunidades
quilombolas é uma conquista política, porém é reversível (Bell, 1992; Mills, 2023), sendo
frequentemente ameaçado quando confrontado por grandes projetos econômicos. | pt_BR |
| dc.description.sponsorship | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | Rumores de desenvolvimento econômico e racialização do conflito ambiental em torno da Ferrovia Paraense: o caso das comunidades quilombolas África e Laranjituba em Abaetetuba-PA | pt_BR |
| dc.type | Anais | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Conflito socioambiental | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Comunidades quilombolas | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Ferrovias - Brasil | pt_BR |
| dc.description.abstract1 | This research aims to analyse the environmental conflict surrounding the Pará Railway
(Fepasa), examining the rumours concerning its construction and their mobilising effects on
the quilombola communities of África and Laranjituba, in the municipality of Abaetetuba,
Pará. The study seeks to understand how racialisation operates as a structuring principle of
this conflict, demonstrating how the logistical development project relies upon racial
classifications in order to facilitate the territorial expropriation of quilombola communities
under the rhetoric of regional economic progress. The racialisation of environmental conflict
is understood as a social and historical process through which social groups are
hierarchically constructed as racially inferior (Gans, 2017; Hochman, 2019), thereby shaping
disputes between distinct modes of territorial appropriation (Acselrad, 2004a). This process
materialises through the articulation between the zone of non-being (Fanon, 2008), marked
by forms of racism that deny full human status and capacity, and the sacrifice zone (Lerner,
2010), characterised by environmental disposability. The intersection of these zones enables
the State and economic actors to naturalise the disposability of Black bodies and territories.
Announced in 2016, the Pará Railway is an infrastructure project designed to transport
agribusiness and mining commodities from the southern and south-eastern regions of Pará
to the maritime ports of Abaetetuba and Barcarena, Pará. Methodologically, the research
adopts a qualitative approach, with data collected between 2015 and 2024 through field
diaries, participant observation, semi-structured interviews, oral history, and narrative
research. The findings indicate that rumours concerning large-scale infrastructure projects
activated collective processes of public inquiry (Dewey, 1974a; Ginzburg, 1989), enabling
traditional communities to identify environmental risks, map the hegemonic actors involved,
and mobilise legal mechanisms of self-protection, such as Consultation Protocols grounded
in International Labour Organization (ILO) Convention No. 169. Nevertheless, the study
identifies the absence of the State in promoting effective consultation processes, not as an
exception, but as an expression of a structural and institutional pattern of racialised territorial
governance within the context of Amazonian logistical development. The research concludes
that the legal and political recognition (Honneth, 2009) of quilombola communities
constitutes a political achievement; however, it remains reversible (Bell, 1992; Mills, 2023),
and is frequently threatened when confronted by large-scale economic projects. | pt_BR |
| dc.description.abstract3 | Cette recherche a pour objectif d’analyser le conflit environnemental autour du Chemin de
fer du Pará (Fepasa), en examinant les rumeurs relatives à sa construction ainsi que leurs
effets mobilisateurs au sein des communautés quilombolas África et Laranjituba, dans la
municipalité d’Abaetetuba, dans l’État du Pará. L’étude cherche à comprendre comment la
racialisation fonctionne comme un principe structurant de ce conflit, en montrant de quelle
manière le projet logistique de développement s’appuie sur des classifications raciales afin
de permettre l’expropriation territoriale des communautés quilombolas sous le discours du
progrès économique régional. La racialisation du conflit environnemental est comprise
comme un processus social et historique par lequel des groupes sociaux sont hiérarchisés
comme racialement inférieurs (Gans, 2017; Hochman, 2019), structurant ainsi les conflits
entre différents modes d’appropriation du territoire (Acselrad, 2004a). Ce processus se
matérialise dans l’articulation entre la zone du non-être (Fanon, 2008), marquée par des
formes de racisme qui nient le statut et la pleine capacité d’humanité, et la zone de sacrifice
(Lerner, 2010), caractérisée par la mise au rebut environnementale. L’intersection de ces
zones autorise l’État et les acteurs économiques à naturaliser la mise au rebut des corps et
des territoires noirs. Annoncé en 2016, le Chemin de fer du Pará est un projet d’infrastructure
destiné à l’acheminement des matières premières issues de l’agrobusiness et de l’exploitation
minière des régions sud et sud-est du Pará vers les ports maritimes d’Abaetetuba et de
Barcarena, dans l’État du Pará. Sur le plan méthodologique, la recherche adopte une
approche qualitative, avec des données recueillies entre 2015 et 2024 au moyen de journaux
de terrain, d’observation participante, d’entretiens semi-directifs, d’histoire orale et de
recherche narrative. Les résultats indiquent que les rumeurs concernant les grands projets
d’infrastructure ont déclenché des processus collectifs d’enquête publique (Dewey, 1974a;
Ginzburg, 1989), permettant aux communautés traditionnelles d’identifier les risques
environnementaux, de cartographier les acteurs hégémoniques impliqués et d’activer des
instruments juridiques d’autoprotection, tels que les Protocoles de consultation fondés sur la
Convention n° 169 de l’Organisation internationale du travail (OIT). Toutefois, l’étude met
en évidence l’absence de l’État dans la promotion de processus de consultation effectifs, non
comme une exception, mais comme l’expression d’un modèle structurel et institutionnel de
gestion racialisée du territoire dans le contexte du développement logistique de l’Amazonie.
La recherche conclut que la reconnaissance juridique et politique (Honneth, 2009) des
communautés quilombolas constitue une conquête politique; cependant, celle-ci demeure
réversible (Bell, 1992; Mills, 2023) et se trouve fréquemment menacée lorsqu’elle est
confrontée à de grands projets économiques. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Instituto de Ciências Sociais (ICS) | pt_BR |
| dc.description.unidade | Departamento de Sociologia (ICS SOL) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Sociologia | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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