http://repositorio.unb.br/handle/10482/54538| Arquivo | Tamanho | Formato | |
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| RicardoAlexandrePereiraDeOliveira_TESE.pdf | 3,28 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | O centro de pesquisa indígena e o projeto jaburu a partir das relações entre movimentos indígenas, ambientalismos e indigenismos |
| Autor(es): | Oliveira, Ricardo Alexandre Pereira de |
| Orientador(es): | Sá, Guilherme José da Silva e |
| Assunto: | Movimentos indígenas Xavánte Antropoceno |
| Data de publicação: | 28-Mai-2026 |
| Data de defesa: | 12-Dez-2025 |
| Referência: | OLIVEIRA, Ricardo Alexandre Pereira de. O centro de pesquisa indígena e o projeto jaburu a partir das relações entre movimentos indígenas, ambientalismos e indigenismos. 2025. 256 f., il. Tese (Doutorado em Antropologia Social) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Analiso na tese algumas redes que se estruturaram na virada dos anos 1980 e 1990 quearticularam lideranças indígenas, cientistas, ambientalistas, instituições de pesquisa, sonhos,animais e biomas em torno de “projetos de fauna e flora” voltados ao reflorestamento e aomanejo de fauna cinegética (de caça). Analiso a experiência de formação de estudantesindígenas em Direito por meio de um convênio entre a União das Nações Indígenas (UNI) e aUniversidade Católica de Goiás (UCG), que estabeleceu a reserva de cinco vagas especiais paraestudantes que se tornariam os primeiros advogados indígenas do Brasil. Analiso também aexperiência de formação de uma primeira turma do curso de extensão em Biologia Aplicada, apartir do mesmo convênio estabelecido entre a UNI e a UCG, junto a instituições de pesquisacomo a Embrapa, a Fundação Zoobotânica e a ESALQ-USP, que ocorreu por meio de cincovagas exclusivas para indígenas associados à UNI. Tendo como eixos empíricos o Centro dePesquisa Indígena (CPI), sediado em Goiânia (GO), e o Projeto Jaburu, desenvolvido na TerraIndígena Xavante de Pimentel Barbosa (MT), descrevo as associações que ocorreram a partirde segmentos do movimento indígena, do ambientalismo e do indigenismo, no contexto daredemocratização do país. O trabalho parte do sonho do pajé Sibupá Xavante, narrado pelosmembros de algumas facções A’uwê Uptabi (povo de verdade / Xavante) como origem míticadessas iniciativas, para compreender como cosmologias indígenas incidiram sobre projetos deconservação e formação técnica mediados por agentes não indígenas, representantes dasciências naturais e do Direito. O objetivo principal foi compreender de que forma modosdistintos de autoridade, deliberação coletiva e de percepção do “social” interagiram naformação de uma arena socioambiental, indigenista e indígena inovadora, situada na interseçãoentre conhecimento científico e conhecimento indígena, com ênfase na história Xavante derecusa do modo de vida “nacional” baseado na agricultura, seja familiar ou industrial. A históriade relações entre o povo Xavante e a sociedade nacional remonta à, pelo menos, o século XVIII,e diversas tentativas de transformar as famílias e as comunidades desse povo de caçadores ecolhedoras em agricultores ocorreram ao longo dos séculos, seja como lavradores sertanejos,seja como produtores vinculados ao agronegócio mecanizado. Nesse sentido, descrevo asformas como a agricultura foi mobilizada como vetor de assimilação sociocultural desde oinício da colonização portuguesa até a ditadura militar do século XX. A pesquisa se baseia ementrevistas junto a pesquisadores indígenas, professores universitários e ambientalistas, visitas ao território Xavante de Pimentel Barbosa e a arquivos pessoais e institucionais. Aponto para a controvérsia que emerge de percepções divergentes entre os atores, que vão desdecaracterizações da iniciativa como projetos que “não deram certo” até avaliações de que tudocorreu plenamente bem, com resultados exitosos e memoráveis. Demonstro que pontos departida divergentes resultaram em efeitos distintos, que se desdobraram ao longo de muitosanos - na verdade, quase quatro décadas. O CPI e o Projeto Jaburu constituíram experiênciasprecursoras de cooperação intercultural em um momento de consolidação dos direitosoriginários no país, nas quais o conhecimento científico foi mobilizado como ferramenta defortalecimento territorial e político por diferentes povos indígenas agrupados pela UNI, peloNúcleo de Cultura Indígena (NCI) e pelo Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Enfatizo que asconcepções Xavante sobre a relação entre humanos e não humanos orientaram, em grandemedida, a formulação das ações de manejo da fauna cinegética, contrariando a suposição de um“erro nativo” a ser corrigido pela Ciência. Demonstro que o diálogo entre cosmologias epráticas científicas produziu efeitos interessantes, ainda que tenham frustrado os objetivosespecíficos dos técnicos contratados, tanto na formação de lideranças indígenas quanto naconsolidação de políticas públicas voltadas à conservação ambiental e aos direitos territoriais.Concluo que as experiências analisadas anteciparam debates contemporâneos sobre oAntropoceno e a necessidade de integrar o conhecimento dos povos indígenas na construção daresposta à emergência climática, às catástrofes ambientais, ao Antropoceno e aoPlantationoceno. Descrevo essas iniciativas não como episódios isolados, mas comoexperimentações cosmopolíticas em um momento da história planetária bastante propenso àinterconexão entre historicidades até então consideradas de maneira paralela, sem conexãoevidente. |
| Abstract: | This dissertation examines sociotechnical networks constituted at the turn of the 1980s into the 1990s, which articulated Indigenous leaderships, scientists, environmentalists, research institutions, animals, and biomes around "fauna and flora projects" oriented toward reforestation and the management of game fauna. Drawing on two empirical axes — the Centro de Pesquisa Indígena (CPI, Indigenous Research Center), based in Goiânia (GO), and the Projeto Jaburu, developed in the Xavante Indigenous Territory of Pimentel Barbosa (MT) —the research describes emergent associations among segments of the Indigenous movement, environmentalism, and indigenism in the context of Brazil's democratization. Two formative experiences are examined: the reservation of special places for Indigenous students in the Law program at the Universidade Católica de Goiás (UCG), established through an agreement with the União das Nações Indígenas (UNI), which produced Brazil's first Indigenous lawyer; and the inaugural cohort of the extension course in Applied Biology, articulated among UNI, UCG, Embrapa, the Zoobotanical Foundation, and ESALQ-USP. The analysis departs from the dream of Xavante shaman Sibupá — narrated by members of A'uwê Uptabi factions as the mythic origin of these initiatives — to investigate how Indigenous cosmologies shaped conservation projects and technical training mediated by non-Indigenous agents from the natural sciences and Law. The central objective is to understand how distinct modes of authority, collectivedeliberation, and perception of the social interacted in the constitution of an innovative socioenvironmental arena, situated at the intersection of scientific and Indigenous knowledge. Particular emphasis is placed on the Xavante history of refusal of the "national" way of life based on agriculture — whether family-based or industrial — a refusal traceable to the eighteenth century and running through successive colonial and state attempts to transform this people of hunters and gatherers into farmers, from the colonial period through the military dictatorship. The research draws on interviews with Indigenous researchers, university faculty, and environmentalists, on fieldwork visits to the Xavante territory of Pimentel Barbosa, and on consultation of personal and institutional archives. The analysis foregrounds a structuring controversy: actors' perceptions range from characterizations of the initiatives as projects "that did not work" to assessments of full success. I argue that divergent ontological starting points produced distinct and enduring effects, unfolding over nearly four decades. I demonstrate that Xavante conceptions of relations between humans and non-humans largely guided the formulation of game fauna management practices, challenging the premise of a "native error" to be corrected by science. The dialogue between cosmologies and scientific practices generated productive effects, even as it frustrated the specific objectives of the technicians involved. The conclusion is that the experiences analyzed anticipate contemporary debates on the Anthropocene and the Plantationocene, and should be understood not as isolated episodes, but as cosmopolitical experimentations at a historical moment marked by growing interconnection among historicities hitherto treated in parallel. |
| Unidade Acadêmica: | Instituto de Ciências Sociais (ICS) Departamento de Antropologia (ICS DAN) |
| Informações adicionais: | Tese (Doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Sociais, Departamento de Antropologia, Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, 2025. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social |
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| Agência financiadora: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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