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Título: | Teorias e percepções de democracia : a (não) participação política entre alunos da Educação de Jovens e Adultos de Brasília |
Autor(es): | Sales, Gabriela Lopes |
Orientador(es): | Miguel, Luis Felipe |
Assunto: | Teoria democrática Democracia - percepção Participação política Competência política Apatia política Educação de jovens e adultos - Distrito Federal (Brasil) |
Data de publicação: | 27-Fev-2025 |
Data de defesa: | 14-Nov-2024 |
Referência: | SALES, Gabriela Lopes. Teorias e percepções de democracia: a (não) participação política entre alunos da Educação de Jovens e Adultos de Brasília. 2024. 98 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024. |
Resumo: | Esta dissertação surge a partir do objetivo de elucidar o elo entre a teoria democrática schumpeteriana e a teoria do comportamento político. Schumpeter parte de pressupostos elitistas acerca da organização social e da natureza humana: sempre haverá uma minoria governante, porque a maioria é incapaz, egoísta e irracional, e, portanto, deve ter sua participação política limitada ao momento eleitoral (Miguel, 2002); os comportamentalistas aderem à definição procedimental de democracia, construída primeiramente sobre estes ideais, ou, ao menos, a aceitam tacitamente. O primeiro objetivo específico era argumentar como suas conclusões, apesar de serem apresentada como descrições e explicações realistas, resultantes de sofisticadas análises de dados, são enviesadas por essa congruência, ocasionalmente obscurecida, com uma determinada teoria democrática. Essa crítica já havia sido delineada por Pateman (1992) e Macpherson (1977), e é a partir do que foi pontuado por eles que se passou a investigar no que consiste a apatia política defendida pelos seguidores da democracia procedimental, cumprindo, assim, o segundo objetivo. O terceiro e último objetivo específico era, após compreender que a apatia, vista pelos comportamentalistas como natural e benéfica à democracia, era resultante de constrangimentos da estrutura política, investigar quais são as percepções que pessoas “apáticas” teriam de democracia, política e do próprio interesse e participação, o que foi realizado por meio de um estudo de caso qualitativo com entrevistas em profundidade semiestruturadas. Vinte alunos do CESAS, o Centro Educacional de Jovens e Adultos da Asa Sul (Brasília), foram entrevistados e, a partir do nosso diálogo, percebemos que não se pode falar em uma “apatia” como descrita (e prescrita) anteriormente, o que há é uma sensação de distanciamento da política institucional e de inutilidade da própria participação, já que, de fato, o sistema político é menos permeável aos interesses de pessoas menos favorecidas; as concepções de democracia e política ora se restringem à dimensão formal, ora se ampliam e incorporam o cotidiano, e muitas mulheres relataram não conhecer o suficiente, saber menos que seus maridos, e ter menos tempo disponível para se dedicar ao assunto graças a suas duplas ou triplas jornadas. Concluímos que a anuência à definição schumpeteriana, alinhada à economia de mercado, e a defesa da institucionalidade dada diminui a qualidade das contribuições da ciência política mainstream, e não correspondem à “Verdade”, mas a uma determinada forma de enxergar e compreender a realidade dentre outras possíveis. |
Abstract: | The aim of this dissertation is to elucidate the link between Schumpeterian democratic theory and the theory of political behavior. Schumpeter starts from elitist assumptions about social organization and human nature: there will always be a ruling minority, because the majority is incapable, selfish and irrational, and should therefore have its political participation limited to the electoral moment (Miguel, 2002); behaviorists adhere to the procedural definition of democracy, built primarily on these ideals, or at least tacitly accept it. The first specific objective was to argue how their conclusions, despite being presented as realistic descriptions and explanations resulting from sophisticated data analysis, are biased by this occasionally obscured congruence with a particular democratic theory. This criticism had already been outlined by Pateman (1992) and Macpherson (1977), and it is on the basis of what they pointed out that we began to investigate what the political apathy defended by the followers of procedural democracy consists of, thus fulfilling the second specific objective. The third and final specific objective was, after understanding that apathy, seen by behaviorists as natural and beneficial to democracy, was the result of constraints in the political structure, to investigate what perceptions “apathetic” people would have of democracy, politics and their own interest and participation, which was done through a qualitative case study with semi-structured in-depth interviews. Twenty students from CESAS, the Centro Educacional de Jovens e Adultos da Asa Sul (Brasilia), were interviewed and, from our dialogue, we realized that there is no “apathy” as previously described (and prescribed), what there is is a feeling of detachment from institutional politics and the uselessness of participation itself, since, in fact, the political system is less permeable to the interests of less privileged people; conceptions of democracy and politics are either restricted to the formal dimension, or broaden and incorporate everyday life, and many women reported not knowing enough, knowing less than their husbands, and having less time available to devote to the subject thanks to their double or triple shifts. We conclude that the acceptance of the Schumpeterian definition, aligned with the market economy, and the defense of the given institutionality diminish the quality of the contributions of mainstream political science, and do not correspond to “The Truth”, but to a certain way of seeing and understanding reality among other possible ways. |
Unidade Acadêmica: | Instituto de Ciência Política (IPOL) |
Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Ciência Política |
Licença: | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. |
Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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