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Please use this identifier to cite or link to this item: https://repositorio.unb.br/handle/10482/1679
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Title: Olhando sobre o muro : representações de loucos na literatura brasileira contemporânea
Authors: Silva, Gislene Maria Barral Lima Felipe da
Orientador(es):: Dalcastagnè, Regina
Assunto:: Literatura brasileira - história e crítica
Loucura - literatura
Issue Date: 15-Sep-2009
Citation: SILVA, Gislene Maria Barral Lima Felipe da. Olhando sobre o muro: representações de loucos na literatura brasileira contemporânea. 2008. 29 f. Tese (Doutorado em Literatura e Práticas Sociais)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.
Abstract: O objetivo desta tese é contribuir com a reflexão acerca das formas de representação de grupos marginalizados na literatura brasileira, especificamente no que se refere aos indivíduos psiquicamente perturbados – referidos como loucos. Tomada como objeto social, a loucura é construída por uma rede de discursos que circulam socialmente em relação ao ser do louco e da especificidade da loucura. Se o fenômeno pode ser tratado sob diferentes perspectivas, também o discurso literário, como fonte e espaço de representações, contradições e tensões, pode expressar um saber sobre esse objeto, possibilitando uma compreensão do louco enquanto alteridade, e mesmo como uma identidade social, considerado sujeito da diferença. Partindo do estudo de obras ficcionais literárias relativamente recentes, esta tese aponta a seguinte constatação: conforme o modo de representação da personagem louca, o texto literário estaria operando uma visão emancipatória em relação a esse grupo marginalizado, ou, por outro lado, reforçaria os estereótipos e os preconceitos existentes no espaço social, ao passo que as uto-representações centram-se na linguagem e na escrita como estratégias para revelação de novas identidades sociais. Mediante uma análise estrutural da composição da personagem, examina-se o modo de representação na construção da identidade e da alteridade, apontando elementos usados nos textos que configuram identidades deterioradas pelo estigma de loucas. Este estudo contempla obras narrativas ficcionais da literatura brasileira publicadas no período compreendido entre 1951 e 2001. Enquanto as representações da alteridade são colhidas dos textos literários ―A doida‖ (1951), de Carlos Drummond de Andrade; ―Sorôco, sua mãe, sua filha‖ (1962), de Guimarães Rosa; ―As voltas do filho pródigo‖ (1970), de Autran Dourado; Armadilha para Lamartine (1976), de Carlos Sussekind; O exército de um homem só, (1973), de Moacyr Scliar; e O grande mentecapto (1979), de Fernando Sabino; as uto-representações são obtidas das obras Hospício é Deus (1965), de Maura Lopes Cançado, e Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (2001), de Stela do Patrocínio. Para fundamentar teoricamente a discussão sobre o problema, toma-se como base a teoria da narrativa, com uma abordagem em que se cruzam pressupostos das teorias da identidade e da Teoria das Representações Sociais com o pensamento filosófico de Michel Foucault. No desenvolvimento da análise, considera-se ainda a contribuição das pesquisas da antropologia social, de Erving Goffman, em diálogo com a visão política dos estudos culturais, além de textos de antipsiquiatras, como Thomas Szasz e David Cooper, que debatem o estatuto da loucura no mundo contemporâneo. __________________________________________________________________________________________ RÉSUMÉ
L‘objectif de cette thèse est de réfléchir sur les formes de représentation de groupes marginalisés dans la littérature brésilienne, spécifiquement en ce qui concerne les personnes psychiquement aliénées – considérées comme des fous. Prise comme objet social, la folie est construite par un réseau de discours qui circulent socialement concernant l‘être du fou et de la spécificité de la folie. Si le phénomène peut être traitée sous différentes perspectives, le discours littéraire, source et espace de représentations, contradictions et tensions, peut lui aussi exprimer un savoir sur cet objet, rendant possible une compréhension du fou en tant qu‘altérité, et même comme une identité sociale, en tant que sujet de différence. En partant de l‘étude d‘oeuvres de fiction littéraires relativement récents, cette thèse vérifie la suivante hypothèse: selon le mode de représentation du personnage fou, le texte littéraire opérerait une vision emancipatrice concernant ce groupe marginalisé, ou, par ailleurs, renforcerait les stéréotypes et les préjugés existants dans l‘espace social, tandis que les auto-représentations se centrent dans la langue et dans l‘écriture comme stratégies pour la manifestation de nouvelles identités sociales. Moyennant une analyse structurelle de la composition du personnage, on examine la forme des représentations dans la construction de l‘identité et de l‘alterité, indiquant des éléments utilisés dans les textes qui configurent des identités détériorées par le préjugé qu‘elles sont folles. Cette étude envisage des oeuvres narratives de fiction de la littérature brésilienne publiées entre 1951 et 2001. Tandis que les représentations de altérité sont choisies dans des textes littéraires ―A doida‖ (1951), de Carlos Drummond de Andrade; ―Sorôco, sua mãe, sua filha‖ (1962), de Guimarães Rosa; ―As voltas do filho pródigo‖ (1970), de Autran Dourado; Armadilha para Lamartine (1976), de Carlos Sussekind; O exército de um homem só, (1973), de Moacyr Scliar; et O grande mentecapto (1979), de Fernando Sabino; les autoreprésentations sont choisies dans les oeuvres Hospício é Deus (1965), de Maura Lopes Cançado, et Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (2001), de Stela do Patrocínio. Pour fonder théoriquement le débat du problème, on choisit comme base la théorie du récit, avec un abordage dans lequel se croisent des préssuposés des théories de l‘identité et de la Théorie des Représentations Sociales et la pensée philosophique de Michel Foucault. Au cours de l‘analyse, on considère encore la contribution des recherches de l‘anthropologie sociale, d‘Erving Goffman, en dialogue avec la vision politique des études culturelles, et des textes d‘antipsiquiatres, comme Thomas Szasz et David Cooper, qui discutent le statut de la folie dans le monde contemporain.
Description: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, 2008.
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