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Título: A fragmentação e seus efeitos sobre aves de fitofisionomias abertas do cerrado
Autor(es): Roma, Júlio César
Orientador(es): Colli, Guarino Rinaldi
Assunto: Diversidade biológica
Aves
Cerrados
Ecologia
Data de publicação: 2006
Referência: ROMA, Júlio César. A fragmentação e seus efeitos sobre aves de fitofisionomias abertas do cerrado. 2006. 210 f. Tese (Doutorado em Ecologia)-Universidade de Brasília, Brasília, 2006.
Resumo: Introdução: A presente tese objetivou avaliar a) se o processo de fragmentação de longo prazo de fitofisionomias abertas do Cerrado causa a perda de elementos em taxocenoses de aves de forma direcional e previsível, resultando na formação de subconjuntos hierárquicos nos fragmentos; b) a estrutura de taxocenoses de aves em fragmentos naturais e antrópicos de Cerrado, em busca de padrões de associação entre abundâncias de espécies e variáveis ambientais, c) a variabilidade genética de populações de Formicivora rufa e F. grisea, investigando se o processo de fragmentação de longo prazo do Cerrado ocasionou a diferenciação genética de populações de F. rufa. Métodos: : Foram levantados dados sobre as taxocenoses de aves em 13 fragmentos de Cerrado, dos quais sete localizam-se em Rondônia (originados naturalmente há cerca de 3.000 anos devido a flutuações climáticas) e seis no Brasil Central (divisa de Minas Gerais e Goiás, originados devido à ação antrópica há cerca de 20 a 30 anos). Para tanto, foram realizados censos, coletas com redes ornitológicas e arma de fogo, além de observações gerais com binóculo, de modo a avaliar a presença e abundância de espécies de aves em cada fragmento. A análise da formação de subconjuntos hierárquicos foi feita por meio do programa Nestedness Temperature Calculator, enquanto a busca de associações entre variáveis ambientais dos fragmentos (parâmetros espaciais e dados de vegetação) e as abundâncias das espécies de aves presentes nos mesmos foi feita por meio de análises de correspondência canônica, utilizando-se o programa canoco. As análises foram feitas a) para todas as espécies de cada fragmento, b) considerando-se suas preferências de hábitats (espécies dependentes, semidependentes e independentes de floresta). As análises genéticas foram feitas com base nos seqüenciamentos completos dos genes ND2 e citocromo b de amostras de Formicivora rufa e F. grisea obtidas em cinco dos fragmentos naturais de Rondônia, bem como para uma população de F. rufa de uma área de Cerrado contínuo e bem conservado do estado do Tocantins, utilizada como controle. Para ambos os genes e ambas as espécies foram calculadas as distâncias p não corrigidas, a diversidade nucleotídica ( ) e de haplótipos (h). As diferenciações genéticas interpopulacionais foram avaliadas por meio de análises de bootstrap, além de serem construídas redes de haplótipos. Resultados: Foram registradas 206 espécies de aves somando-se todos os fragmentos, das quais 146 estiveram presentes em Rondônia e 130 no Brasil Central. Houve grande exclusividade na avifauna destas duas regiões, com apenas um terço das espécies comuns a ambas. Em Rondônia somente as aves independentes de floresta apresentaram a formação de subconjuntos hierárquicos, enquanto no Brasil Central tanto o conjunto de todas as espécies, quanto espécies dependentes e semidependentes de floresta evidenciaram hierarquização significantemente diferente do esperado ao acaso. Os fragmentos de Rondônia e do Brasil Central revelaram-se bastante diferentes ambientalmente, sobretudo no que se refere ao maior número de fitofisionomias no Brasil Central e ao maior número de manchas de vegetação (maior fragmentação interna) em Rondônia. Houve associação significante entre a abundância de aves e variáveis ambientais para as três categorias de dependência florestal (independentes, semidependentes e dependentes). Para todos estes três grupos, o número de fitofisionomias e de manchas de vegetação esteve associado à abundância das espécies. Adicionalmente, aves independentes de floresta estiveram fortemente associadas à riqueza de espécies de árvores nos fragmentos, enquanto aves dependentes de floresta apresentaram forte associação com a densidade de arbustos. A análise de seqüências de Citocromo b e ND2 combinadas mostraram uma reduzida diversidade nucleotídica e uma elevada diversidade haplotípica em ambas as espécies. A análise de bootstrap e a rede de haplótipos indicaram haver diferenciação genética entre a população de F. rufa do Tocantins e aquelas presentes em Rondônia. Porém, estas não revelaram diferenças entre as populações dos fragmentos de Rondônia, para ambas as espécies. Discussão e conclusões: No contexto regional de Rondônia, o processo de fragmentação ainda não foi suficiente para ocasionar diferenciação genética das populações de aves estudadas, para ambas as espécies incluídas no presente estudo, o que provavelmente deve-se à pequena distância geográfica entre os fragmentos, que tem permitido a manutenção de fluxo gênico entre essas populações. Além do maior tempo de isolamento, os fragmentos de Cerrado de Rondônia são muito menos diversos em termos de fitofisionomias que aqueles do Brasil Central, bem como muito mais fragmentados internamente. Assim sendo, é provável que a estrutura de taxocenoses de aves em fragmentos de fitofisionomias abertas de Cerrado seja influenciada por fatores históricos (o tempo de isolamento) e ecológicos (variáveis ambientais dos fragmentos), que atuam de maneira complementar sobre a riqueza e abundância das espécies, originando as diferenças atualmente existentes entre fragmentos de Rondônia e do Brasil Central. Neste sentido, a perda de espécies nos fragmentos do Brasil Central ainda não está concluída, e estudos de áreas fragmentadas que não considerem o tempo decorrido desde o seu isolamento podem subestimar os efeitos decorrentes da fragmentação. Os processos ecológicos básicos que influenciam dinâmicas populacionais ou a estrutura de comunidades (complementação e suplementação de paisagens, dinâmicas fonte-sumidouro, efeitos de vizinhança) podem estar ocorrendo em uma escala geográfica muito menor no Cerrado do que em outros biomas menos complexos em termos de suas fitofisionomias. Isso indica que Unidades de Conservação no bioma Cerrado devem ser planejadas para abranger o maior número de fitofisionomias possíveis, de modo a manter a complexidade estrutural da paisagem e os processos ecológicos mencionados acima. No Brasil Central, mesmo unidades de conservação relativamente pequenas (da ordem de centenas de ha) mas que abranjam muitas fitofisionomias podem ser importantes para a conservação da avifauna, enquanto nos fragmentos de Cerrado de Rondônia estas devem ser maiores, da ordem de milhares de ha, devido ao menor número de fitofisionomias e maior fragmentação interna dos fragmentos. A necessidade de criação de Unidades de Conservação específicas para os remanescentes de Cerrado de Rondônia é urgente, considerando-se a exclusividade da avifauna em relação àquela da área nuclear do bioma e o elevado nível de pressão de desmatamentos para plantio de soja existente naquela região.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Ecologia, 2006.
Aparece nas coleções:ECL - Doutorado em Ecologia (Teses)

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