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Título: Mulheres e agroecologia : a construção de novos sujeitos políticos na agricultura familiar
Autor(es): Siliprandi, Emma
Orientador(es): Duarte, Laura Maria Goulart
Puleo, Alicia
Assunto: Ecologia agrícola
Agricultura familiar
Mulheres
Data de publicação: 7-Out-2010
Referência: SILIPRANDI, Emma. Mulheres e agroecologia: a construção de novos sujeitos políticos na agricultura familiar. 2009. 291 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2009.
Resumo: Esta tese analisa trajetórias de vida de mulheres agricultoras que participam ativamente de movimentos agroecológicos formados no Brasil nos últimos trinta anos. São mulheres camponesas, agricultoras familiares, trabalhadoras rurais, que, em meio aos movimentos sociais da agricultura familiar identificados com a agroecologia e organizados em torno de uma rede social, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), vêm se mobilizando, através de grupos, articulações, campanhas, experiências produtivas e de comercialização, para fazer aparecer o ponto de vista das mulheres nessa área. O objetivo geral da pesquisa foi evidenciar como, através das suas práticas sociais e, portanto, dos seus discursos, essas mulheres, que estavam se destacando na discussão da agroecologia dentro da ANA, vinham obtendo legitimidade para as suas reivindicações, disputando, com outras forças políticas, espaço para o reconhecimento da existência de pontos de vista próprios das mulheres sobre os temas da gestão ambiental e do desenvolvimento sustentável; constituindo-se, portanto, como novos sujeitos políticos. De que forma esses sujeitos foram sendo construídos, quais as suas características, e qual seu significado para a construção de propostas estratégicas para a agricultura familiar e para o desenvolvimento sustentável, são também temas da pesquisa. São utilizados como referenciais teóricos os Estudos Feministas, e particularmente o Ecofeminismo, os estudos de trajetórias de vida e as teorias de análise de redes sociais. Na conclusão é mostrada a relevância da pesquisa realizada, tanto em termos teóricos como metodológicos. Combinando a análise das narrativas de histórias de vida das lideranças com as trajetórias dos coletivos em que elas estavam inseridas, tendo como pano de fundo a construção dos movimentos agroecológicos no Brasil, foi possível evidenciar elementos fundamentais para se entender como vêm se dando a construção desses sujeitos políticos. Essas mulheres, apesar das suas distintas origens e prioridades, vêm construindo identidades comuns enquanto agricultoras e militantes dos movimentos de mulheres, que têm como base o seu engajamento em ações questionadoras das desigualdades de gênero no meio rural e do modelo produtivo destruidor do ambiente. Sendo agricultoras familiares, estão submersas em realidades opressivas desde o interior das famílias, vivendo as contradições de buscar questionar aquele modelo produtivo e de organização familiar, ao mesmo tempo em que lutam também para a sua reprodução – exatamente porque o consideram o mais justo e adequado para um desenvolvimento rural equilibrado e eqüitativo. Suas trajetórias mostram como um movimento de transformação social se alimenta de continuidades e rupturas, e como as pessoas conseguem lidar, a partir das suas experiências e valores, com essas contradições. A pesquisa mostra ainda que, sem as contribuições trazidas pelas vertentes construtivistas do ecofeminismo, não é possível entender os entraves colocados para a plena participação dessas mulheres na luta política, assim como as motivações e os caminhos que as levam a construir sua militância feminista e ambientalista de modo buscar a superação desses entraves. De forma semelhante a muitas feministas que as precederam – ainda que não se assumam necessariamente como tal – elas partem do questionamento de suas condições estruturais (acesso a meios de sobrevivência) para interpretar e “desmontar” ideologicamente o sistema que as oprime, inclusive quanto à construção das subjetividades, que é fundamental para entender o papel de homens e mulheres nas suas relações com o meio natural. Elas estão se organizando para propor transformação desse sistema, projetando ideais e utopias a serem construídos por intermédio de ações políticas coletivas. Não se colocam como vítimas do sistema, nem como salvadoras do planeta; são mulheres agricultoras lutando por seu direito de serem sujeitos plenos de suas vidas, e contribuindo, à sua maneira, para a transformação do mundo injusto em que vivem. _________________________________________________________________________________ ABSTRACT
The present study analyses life trajectories of peasant women who participate in agroecological movements organized in Brazil during the last thirty years. Through organized groups, campaigns, commercial and productive experiences, they have mobilized themselves around a social network, the National Articulation of Agroecology, in order to make visible women’s point of view in this area. The aim of the study is to demonstrate how -- through their social practices and in dispute with other political groups -- these women have obtained legitimacy for their demands related to the environmental management and sustainable development and, as a result, have constituted themselves as new political agents. Feminist Studies, particularly Ecofeminism, the social network theories, as well as studies on life trajectories were utilized as theoretical frameworks for approaching the subject. It was observed that despite their different upbringings and life priorities, these women have built common identities as peasants and activists of the women’s movements. Such commonality is a result of their involvement in political actions which question gender inequalities in the countryside as well as the unsustainable productive model. Once peasants and submersed in oppressive realities from their experiences in their own families, they face the contradictions of questioning the current productive model and struggle for their own reproduction based on more sustainable models. Their trajectories show how a movement of social transformation feeds itself from ruptures and continuities. Also: how their participants can deal with such contradictions. The study shows that if it were not for the contributions brought about by the constructivist perspective of the ecofeminism would not be possible to understand the barriers these women have to cross in order to participate of the political struggle as well as ways and motivations that lead them to build their feminist and environmental activism in order to get over these barriers. Like feminist activist that have preceded them, they come from their questioning of their own structural conditions (means of survival) to ideologically interpret and “break” the system that oppress them, especially in regards to the construction of their subjectivities, which is essential to grasp the role of men and women in their relations with the natural environment. They are organizing themselves to transform the current system by projecting their ideals and utopias which have been built through their political action. They neither see themselves as victims of the system nor saviors of the planet; they are women struggling for their rights to be the owners of their own lives and as such contribute to the transformation of the unjust world in which they live. _________________________________________________________________________________ RESUMEN
Esta tesis analiza Ia trayectoria de vida de mujeres agricultoras que participan activamente de movimientos agroecológicos que se han formado en Brasil en los últimos treinta anos. Son mujeres campesinas, agricultoras familiares, trabajadoras agrícolas, que, en medio de movimientos sociales identificados con Ia agroecología y organizados en Ia "Articulação Nacional de Agroecologia" (ANA), están movilizándose en grupos, coordinaciones, campanas, experiencias comerciales, para hacer visibles los puntos de vista de Ias mujeres en este área. EI objetivo general de Ia investigación fue evidenciar como, con sus prácticas sociales y, por 10 tanto, con sus discursos, estas mujeres estaban ganando protagonismo en Ias discusiones dentro de Ia ANA, y obteniendo legitimidad para sus demandas, disputando espacios con otras fuerzas políticas, para dar visibilidad aios puntos de vista de Ias mujeres sobre Ia gestión ambiental y Ias políticas de desarrollo sostenible; constituyéndose, por 10 tanto, en nuevos sujetos políticos. Cómo se han ido conformando, cuáles son sus características, y cuál es el significado de su existencia para Ia construcción de propuestas estratégicas en Ia agricultura familiar y en el desarrollo sostenible, han sido también cuestiones de ésta investigación. Sus referencias teóricas son los Estudios Feministas, y particularmente el Ecofeminismo, los estudios de historias de vida y Ias teorías de análisis de redes sociales. En conclusión, se muestra Ia relevancia de Ia investigación realizada, en términos teóricos y metodológicos. Combinando el análisis de narrativas de historias de vida de liderazgos femeninos con Ias trayectorias de los colectivos en los cuales ellas estaban vinculadas, teniendo como telón de fondo Ia construcción de los movimientos agroecológicos en Brasil, fue posible evidenciar elementos fundamentales para entender como se están construyendo esos sujetos políticos. Esas mujeres, a pesar de sus distintos orígenes y prioridades, vienen construyendo identidades com unes como agricultoras y activistas de los movimientos de mujeres, cuya base es su incorporación en acciones que ponen en cuestión Ias desigualdades de género en el medio rural y el modelo productivo que destruye el medio ambiente. Una vez que son agricultoras familiares, están inmersas en realidades de opresión en el interior de Ias familias, y viven Ias contradicciones de buscar cuestionar aquel modelo productivo y de organización familiar y ai mismo tiempo luchar por su reproducción - exactamente porque 10 consideran justo y adecuado para el desarrollo rural equilibrado y equitativo. Sus trayectorias nos muestran como un movimiento social se alimenta de continuidades y de rupturas, y como Ias personas consiguen lidiar, a partir de sus experiencias y valores, con esas contradicciones. La investigación muestra también que, sin Ias aportaciones de Ias vertientes constructivistas dei ecofeminismo, no es posible entender los obstáculos existentes a Ia plena participación de esas mujeres en Ia lucha política, así como Ias motivaciones y los caminos que les lIevaran a construir su militancia feminista y ambientalista de manera que puedan superar estos mismos obstáculos. De forma similar a muchas feministas que Ias precedieran - aunque no se asuman necesariamente como tales - ellas parten dei cuestionamento de sus condiciones estructurales (el acceso a medios de supervivencia) para interpretar y "desmontar" ideologicamente el sistema que Ias oprime, incluso en cuanto a Ia construcción de subjetividades, fundamental para entender el rol de hombres y mujeres en sus relaciones con el medio natural. Ellas se están organizando para proponer transformaciones en ese sistema, proyectando ideas y utopias que deben ser construídas por medio de acciones políticas colectivas. No se proponen como víctimas dei sistema, ni como salvadoras dei planeta; son mujeres agricultoras luchando por su derecho de ser sujetos plenos de sus vidas, contribuyendo, a su manera, a transformar el mundo injusto en que viven.
Informações adicionais: Tese (doutorado)-Universidade de Brasília, Centro de Desenvolvimento Sustentável, 2009.
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