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Título: A influência do ambiente e das práticas empregadas no trabalho de parto e parto no bem-estar do recém-nascido
Autor(es): Schardosim, Juliana Machado
Orientador(es): Rattner, Daphne
Assunto: Parto (Obstetrícia)
Gestação
Recém-nascidos
Índice de Apgar
Data de publicação: 20-Dez-2018
Referência: SCHARDOSIM, Juliana Machado. A influência do ambiente e das práticas empregadas no trabalho de parto e parto no bem-estar do recém-nascido. 2018. 160 f., il. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.
Resumo: Introdução: Os avanços científicos e tecnológicos na obstetrícia do último século, aliados à profissionalização da medicina e enfermagem, culminaram na institucionalização do parto. O hospital passou a ser considerado como o local mais seguro para o parto, e isso, aliado à cultura de parto como evento de risco e ao processo de trabalho organizado em linha de montagem nas unidades hospitalares, deslocou o protagonismo da mulher e sua família para o profissional que a assiste e impulsionou o uso de intervenções no processo numa perspectiva mecanicista. Essa abordagem intervencionista não tem se mostrado sensível às necessidades, valores e preferências da mulher e sua família; além disso, pode enfraquecer sua confiança em si e afetar negativamente sua experiência no parto e resultados neonatais. Nas últimas décadas percebe-se um movimento de resgate da fisiologia do trabalho de parto por meio de uso restrito de intervenções e humanização na assistência, porém até o momento não se tem estudos com evidências sobre a influência da ambiência e das intervenções no bem-estar do recém-nascido. Objetivo: Investigar a possível associação entre o ambiente da assistência e práticas de atenção empregadas, durante o trabalho de parto e parto, e o bem-estar do bebê ao nascer. Método: Estudo de coorte em que se acompanhou 337 díades mãe-bebê, considerando parturientes com gestação de risco habitual, desde a internação no Centro Obstétrico até a alta hospitalar. O estudo foi desenvolvido no Hospital Regional da Ceilândia, vinculado à Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal, com coleta de dados entre outubro de 2016 e março de 2017. A coleta de dados foi realizada por meio de observação não participante em todo o processo de trabalho de parto e parto e análise documental. A tabulação dos dados, análise descritiva e bivariada foram realizadas no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 18. Na análise bivariada utilizou se teste de Qui-Quadrado de Pearson e teste exato de Fisher para variáveis categóricas e teste t de Student e teste t de Welch para variáveis contínuas. Realizou-se teste de colinearidade e regressão logística utilizando o Statistical Analyses Software (SAS). Foram incluídas no modelo as variáveis com significância estatística <0,20 na análise bivariada e, seguindo a metodologia Backward Elimination, as variáveis foram eliminadas até se chegar a um modelo com todas as variáveis significantes (p≤0,05). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde sob CAAE nº 53181316.3.0000.5553. Resultados: Artigo 1: Revisão integrativa, que incluiu 17 estudos. Identificou-se como parâmetros mais utilizados para avaliação do bem-estar do neonato a admissão do bebê em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal nas primeiras 24 a 48 horas de vida e o índice de Apgar, porém percebeu-se variações na mensuração desses parâmetros nos estudos. Outros parâmetros utilizados foram: peso ao nascer, temperatura corporal, natimortalidade e mortalidade neonatal. Artigo 2: Adotando o índice de Apgar>8 no primeiro minuto de vida como variável de desfecho, o estudo propôs identificar a influência de variáveis externas no bem-estar do neonato. Sobre a ambiência registrou-se durante o trabalho de parto temperatura média ambiente de 26,3°C; ruído médio de 59,6dB e mediana de luminosidade de 59,3lux. Ao nascimento: 26,4°C, 64,2dB e 112,0lux; e nas salas cirúrgicas: 26,2°C, 60,6dB e 310,2lux, respectivamente. A análise não evidenciou associação entre as variávies e o bem-estar do recém-nascido. Construiu-se ainda um escore de ambiência, com variação de 0 a 3, que também não esteve associado ao bem-estar do neonato. Artigo 3: Adotando-se o índice de Apgar >8 no primeiro minuto de vida como variável de desfecho, o estudo objetivou verificar a existência de associação entre variáveis de ambiência, intervenções durante o trabalho de parto e intervenções no parto sobre a vitalidade do neonato. A análise bivariada das intervenções empregadas no trabalho de parto e parto encontrou significância estatística na escolha da posição de parto, manobra de Kristeller, uso de fórceps, não consentimento para realização de episiotomia, contato a pele-a-pele e aleitamento materno na primeira hora de vida. Outras variáveis (uso de ocitocina na última hora do trabalho de parto, movimentação da parturiente e clampeamento oportuno do cordão umbilical) ainda apresentaram significância limítrofe e precisam ser melhor estudadas. A regressão logística identificou como preditores do bem-estar do bebê com significância estatística as seguintes variáveis: a impossibilidade escolha da posição de parto (p=0,006), a não solicitação de consentimento para realização da episiotomia (p=0,015), a manobra de Kristeller (p=0,021) e o clampeamento precoce do cordão umbilical (p=0,035). Saliente-se que a frequência do desfecho na amostra (26,4%) foi superior à encontrada na população geral brasileira (12,3%), sendo que este estudo incluiu apenas gestantes de risco habitual e o dado da população geral inclui também bebês provenientes de gestação de risco. Conclusão: A ambiência não esteve associada ao bem-estar do neonato, porém algumas intervenções empregadas no trabalho de parto e parto influenciaram seu bem-estar. Espera-se que esses resultados estimulem práticas de atendimento que considerem o controle dessas variáveis e práticas mais respeitosas que valorizem o protagonismo da mulher. Ressalte-se que algumas associações entre intervenções e o desfecho, que não puderam ser estabelecidas neste estudo, poderão ser melhor exploradas em amostras com maior poder estatístico ou estudos com outros delineamentos.
Abstract: Introduction: In the last century, there was a great scientific and technological evolution in Obstetrics that, allied to the professionalization of Medicine and Nursing, culminated in the process of institutionalization of childbirth care. Hospitals became considered the safest places for deliveries and this fact, added to the culture of birth as a risky event and to the process of care in hospitals organized as an assembly line, shifted the protagonism of the birthing process from the woman and her family to the professionals that care for them, besides boosting the adoption of interventions in the process in a mechanistic perspective. This interventionist approach has not shown sensitivity to the needs, values and preferences of the woman and her family; besides, it may weaken her self-confidence and affect negatively her birthing experience and neonatal outcomes. In the recent decades, appeared a movement that reinforces the acknowledgement on the physiology of labor by restricting the use of interventions and humanization of care. However, to date there are no evidence-based studies on the influence of the ambience and of interventions on the newborns wellbeing. Objective: To investigate a possible association between the care environment and of the care practices during labor and birth and the baby’s wellbeing at birth. Method: The study design was a cohort where 337 low-risk mother-baby pairs were followed since the admission in the Obstetric Sector for birth till discharge. The study was held at the Regional Hospital of Ceilândia, linked to the State Secretariat of Health of the Federal District. The data collection was performed from October 2016 to March 2017, by non-participant observation during the whole period of labor and birth and by documental analyses. Descriptive, univariate and bivariate analyses used the software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) version 18. Bivariate analyses were done using Pearson Chi-square and Fisher exact test for categorical variables and Student’s and Welch’s t tests for continuous variables. The collinearity test and the logistic regression were performed using the Statistical Analyses Software (SAS) adopting the Backward Elimination modelling. The strategy to include variables in the model was p value <0.20. At the end, remained in the model the variables whose statistical significance was around p< 0.05. The research project was approved by the Ethics Committee of the Foundation for Teaching and Research in Health Sciences (Fepecs) under the CAAE nº 53181316.3.0000.5553. Results: Article 1: Adopting the study design of an integrative review including 17 studies, the mostly used parameters to evaluate the wellbeing of the newborn were identified and were the admission to a Neonatal Intensive Care Unit in the first 24 to 48 hours of life and the Apgar score, but there were variations of these measurements across the studies. Other parameters used were: birth weight, newborn’s temperature, stillbirth and neonatal mortality. Article 2: The study adopted the Apgar score >8 in the first minute of life as the outcome variable and intended to identify the influence of the external variables on the newborn’s wellbeing. The average temperature during labor was 26.3°C; the average noise was 59.6dB and the median of the lighting was 59.3lux. At birth: 26.4°C, 64.2dB e 112.0lux; and in the operating rooms: 26.2°C, 60.6dB e 310.2lux, respectively. The bivariate analyses showed no association between environmental variables and the well-being of the newborn. An ambience score was built, varying from zero to three, and it was not associated with the newborns wellbeing. Article 3: Adopting the first minute Apgar score >8 as the outcome variable, this study aimed to test its association with the ambience and the interventions used during childbirth care. The bivariate analyses of the interventions used during labor and birth found statistical significance of: the choice of position for birth, Kristeller maneuver, use of forceps, non-consent to perform an episiotomy, immediate skin-to-skin contact and breastfeeding in the first hour of life. Other variables (use of oxytocin in the last hour of labor, freedom to move around and timely clamping of the umbilical cord) presented borderline statistical significance and need further studies. The logistic regression identified as statistically significant predictors of the newborns wellbeing at birth the following variables: not being allowed a choice of position for birth (p=0,006), not asking for consent to perform the episiotomy (p=0,015), Kristeller maneuver (p=0,021), and early clamping of the umbilical cord (p=0,035). It is important to highlight that the frequency of the outcome in this sample (26.4%) was higher than in the general Brazilian population (12.3%), considering that this study included only low-risk pregnant women and that the general population figure includes also high-risk pregnancies. Conclusion: The ambience was not associated with the newborn wellbeing, but some of the interventions adopted during labor and birth did influence it. Hopefully these results shall stimulate care practices that consider controlling these variables e more respectful practices that will value women’s protagonism. It is important to emphasize that some associations between the interventions and the outcome, that this study was not able to establish, might be better explored in samples with a higher statistical power or with other study designs.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, 2018.
Aparece nas coleções:DSC - Doutorado em Saúde Coletiva (Teses)

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