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Título: Moralidades correntes sobre suicídio em unidades de saúde e seu impacto na assistência : uma análise na perspectiva da Bioética de Proteção
Autor(es): Cardoso, Luana Lima Santos
Orientador(es): Nascimento, Wanderson Flor do
Assunto: Suicídio
Bioética de proteção
Saúde pública
Profissionais da saúde
Data de publicação: 26-Out-2018
Referência: CARDOSO, Luana Lima Santos. Moralidades correntes sobre suicídio em unidades de saúde e seu impacto na assistência: uma análise na perspectiva da Bioética de Proteção. 2018. 134 f., il. Dissertação (Mestrado em Bioética)—Universidade de Brasília, Brasília, 2018.
Resumo: O suicídio é um processo sócio-histórico que se apresenta como fenômeno de grande complexidade para o campo da saúde pública. A lente utilizada nesse trabalho diz respeito à Bioética de Proteção, que oferta instrumentos de superação da discussão bioética clássica sobre o que se entende como direito de tirar a própria vida, para pensar em tensões morais e políticas em torno do tema. Paralelamente, através do escopo da biopolítica, das suas implicações e desdobramentos – especialmente as categorias de medicalização e necropolítica – explora-se como os mecanismos de proteção e controle populacional do Estado têm como efeito colateral fazer matar-se. Objetivou-se investigar os impactos das moralidades correntes dos profissionais de saúde em suas condutas no acolhimento, cuidado e tratamento aos pacientes que tentaram suicídio. Com esse fim, foram realizadas observação de campo e 19 entrevistas com profissionais atuantes em emergências da cidade de Salvador, responsáveis pelo primeiro atendimento a pacientes após efetuação das tentativas. Trata-se de uma pesquisa empírica qualitativa apoiada na “Hermenêutica-Dialética” de Minayo. Os resultados atestaram que as percepções dos entrevistados acerca do fenômeno projetam representações históricas do estigma do suicídio, alicerçadas na loucura, crime e pecado. Reprodutores do discurso social, os profissionais de saúde firmaram a moralidade como orientadora das suas condutas. O paciente que tenta ou consuma o ato suicida retira do Hospital e do Estado o agenciamento da vida, confrontando o poder e o saber dessas instituições. As sensações de afronta e inadequação profissional são compartilhadas pela equipe, de modo a desencadear: comedimento do cuidado ao nível mínimo, brincadeiras jocosas, negligência, ofensa direta ou indireta, hostilidade, sanções, ou ainda, mensagens pedagógicas e de ânimo, entre outras formas de violência institucional. Houve um desconhecimento generalizado das Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio, nenhum hospital tem ou teve qualquer projeto de capacitação sobre o fenômeno. A dinâmica do trabalho apartada da temática e toda a sua complexidade refletem uma pobreza instrumental técnica e ética para lidar com os pacientes em questão – reflexo do tabu social a respeito do assunto e sua ocorrência. O contributo da Bioética de Proteção diz respeito à desconstrução de certezas morais em prol de decisões e ações protetivas, eticamente justificadas, que minimizam as condições desfavoráveis da população vulnerada e seu status de afetada. Conclusão: temos um cenário político-social que potencializa o risco de suicídio, ao invés de preveni-lo.
Abstract: Suicide is a socio-historic process that presents a very complex phenomenon for the field of public health. The lens used in this work concerns the Bioethics of Protection, which offers tools for overcoming the classic bioethics discussion about what is understood as the right to take one’s own life, to reflect on the moral and political tensions surrounding the subject. At the same time, through the scope of biopolitics, its implications and developments - especially in the categories of medicalization and necropolitics - this work explores how the State’s protection and population control mechanisms have suicide as a collateral effect. The objective of this study was to investigate the impact of the current morality of health professionals on their behavior in the care and treatment of patients who attempted suicide. To this end, 19 interviews were conducted with health care professionals working in Emergency care in the city of Salvador, responsible for the first patient care after the attempts were made. It is a qualitative empirical research based on Minayo's "Hermeneutic-Dialectic". The results attested that the interviewees' perceptions of the phenomenon project historical representations of the stigma of suicide, based on madness, crime and sin. Reproducing the social discourse, the healthy workers based morality as a main guideline of their conduct. The patient who attempts the act of suicide removes from the Hospital and the State the agency of life, confronting the power and the knowledge of these institutions. This sense of affront and professional inadequacy are shared by the team, which in turn triggers: minimum level of care, jokes, negligence, direct or indirect offense, hostility, sanctions, or messages of encouragement, among other forms of institutional violence. There was a generalized lack of knowledge of the National Guidelines for Suicide Prevention, no hospital has or has had any for training project for this phenomenon. The dynamics of work away from the theme and all its complexity reflect a technical and ethical poverty to deal with the patients in question – a reflex of the social taboo surrounding the subject and its occurrence. The contribution of Bioethics of Protection concerns the deconstruction of moral certainties in favor of decisions and protective actions, ethically justified, that minimize the unfavorable conditions of the population and their affected status. Conclusion: we have a political-social scenario that increases the risk of suicide, rather than preventing it.
Informações adicionais: Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Bioética, 2018.
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Aparece nas coleções:DSC - Mestrado em Bioética (Dissertações)

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