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Título: Mulheres indígenas xerentes : narrativas culturais e construção dialógica da identidade
Autor(es): Sifuentes, Thirza Reis
Orientador(es): Oliveira, Maria Cláudia Santos Lopes de
Assunto: Índios - Tocantins (TO)
Índios - identidade
Índios - vida e costumes sociais
Mulheres
Data de publicação: 25-Jun-2007
Data de defesa: 25-Jun-2007
Citação: SIFUENTES, Thirza Reis. Mulheres indígenas xerentes: narrativas culturais e construção dialógica da identidade. 2007. 155 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia)-Universidade de Brasília, Brasília, 2007.
Resumo: Grande parte dos estudos hoje disponíveis, que abordam a relação entre gênero, identidade e cultura, refere-se às sociedades urbanizadas. Grupamentos que se caracterizam por outro de tipo de organização e contexto de vida, como os indígenas, permanecem praticamente fora do escopo das investigações, especialmente na Psicologia. Sendo o presente estudo apoiado na abordagem dialógica dos fenômenos psicológicos, concebe-se o desenvolvimento do self e da identidade como fenômeno relacional que apresenta uma face intrapessoal e outra interpessoal, entendendo que essas faces concorrem para a construção de um senso de si coerente, ao longo do tempo. Este trabalho busca contribuir para reverter o cenário acima delineado, investigando como mulheres da comunidade indígena xerente, situada ao norte de Tocantins, posicionam-se sobre a construção de sua identidade e condição feminina, em narrativas sobre suas histórias pessoais e acerca das transformações da cultura de seu povo. Os xerentes passaram a ter contato com elementos da cultura "branca", trazidos especialmente por missões evangelizadoras, há cerca de 200 anos. Hoje, os sistemas semióticos em que se inserem as atividades e valores sociais do grupo aglutinam elementos das duas esferas culturais, caracterizando a cultura xerente como cultura híbrida, em transformação. Participaram da pesquisa, de modo particular, seis mulheres dessa comunidade, com idades de 34 a 48 anos. Foram realizadas observações em contexto e entrevistas narrativas episódicas, que exploraram temas relativos à história cultural (mitos e ritos), ao casamento, ao trabalho, à educação, ao consumo e às perspectivas futuras do grupo a partir das vozes das mulheres. As narrativas das mulheres e os registros de observação foram analisados a partir das "zonas de sentido" identificadas e das vozes que emergiram do diálogo entre pesquisadora e participantes de pesquisa. Os resultados apontam que o processo de construção das identidades e posicionamentos de self das mulheres xerentes assume contornos particulares, no limiar entre as marcas culturais a que estão expostas. De um lado, fatores como a maior escolarização e a assunção de novos papéis políticos, no trabalho, na economia familiar e na relação com o consumo abrem novas zonas de possibilidades para a condição feminina, ao mesmo tempo em que a condição masculina se fragiliza, quando problemas como o desemprego e o alcoolismo passam a afetar os homens do grupo. Essas novas possibilidades, por outro lado, convivem com a reafirmação de posições de gênero bastante tradicionais no discurso das mulheres, no qual os papéis masculinos mais tradicionais são reafirmados, na mesma proporção em que a crescente importância das mulheres na organização social e política presente do grupo tende a ser minorada. Identificam-se potencialidades e desdobramentos futuros deste trabalho, que fornecem uma contribuição à compreensão mais acurada da relação entre aspectos sociais e subjetivos da identidade, das questões de gênero e dos posicionamentos de self em culturas não-hegemônicas; para a maior aproximação entre a psicologia e o contexto sociocultural indígena brasileiro; e a ampliação da compreensão acerca das questões de gênero fora dos centros urbanos. _________________________________________________________________________________ ABSTRACT
Great part of the available studies that approach the relationship between gender, identity and culture refer solely to urban societies. Groups characterized by other forms of organization and life context, such as the indigenous societies, remain nearly out of the target of researchers, especially in Psychology. The present study is grounded on the dialogical perspective in the approach of psychological phenomena. In this perspective, the development of the self and identity is conceived as a relational construction in which intra and interpersonal aspects are involved. These aspects concur for the construction of a coherent sense of self, throughout lifetime. This work aims to contribute to overlap some of the inquiries above described. It investigates how women from the Sherente indigenous community – situated in the north of Tocantins – position themselves regard to the construction of their identity and feminine condition, while narrating their personal stories and stories about the cultural transformations that they took part of. The Sherente has been in touch with elements of “the white” culture for more than 200 years, especially by means of Christian missions. Now, the semiotic systems where the activities and social values of the group are inserted agglutinate elements of the two cultural spheres, characterizing the Sherente culture as a transitional hybrid culture. Specifically, six women of the Sherente community from 34 to 48 years old were participants of the research. Observations in context and narrative episodic interviews were the used methods. Through the interviews, this research explored topics related to cultural history (myths and rites), marriage, work, education, and consumption and future perspectives of the group voiced by women. The narratives of the women and the field notes (observations) were analyzed according to the “meaning zones” identified, as well as by the voices emerged in the dialogue between the researcher and the participants. The results lead to the comprehension of the Sherente women process of identity construction and self positioning as assuming particular contours in the threshold of the cultural marks they are exposed to. On one hand, factors as increasing exposure to formal education, as well as the assumption of new political and economical roles in work and family; and the relation with the consumption culture open new zones of possibilities for the feminine condition. At the same time, masculine condition tends to become weaker, when problems as unemployment and alcoholism start to affect the men of the group. These changes, on the other hand, coexist with some of the most traditional gender positions that are now and then reaffirmed in women speeches. Despite the increasing importance of women in social political organization, their positions tend to be less valued than men’s. Potentialities and future possible unfolding were identified in this work: it contributes to the understanding of the relationship between social and subjective aspects of identity, gender issues and self positioning in nonhegemonic cultures, as well as a more intimate link between psychology and Brazilian indigenous social cultural context; and lastly, it stakes for a broader comprehension of gender issues in other contexts than urban centers.
Descrição: Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, 2007.
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