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Título: Poética socrática, tanatografia e a invenção do desassossego
Autor(es): Medeiros, Ana Clara Magalhães de
Orientador(es): Silva Junior, Augusto Rodrigues da
Assunto: Poética
Tanatografia
Assis, Machado de, 1839-1908 - crítica e interpretação
Saramago, José, 1922-2010 - crítica e interpretação
Unamuno, Miguel de, 1864 - 1936 - crítica e interpretação
Data de defesa: 22-Dez-2017
Referência: MEDEIROS, Ana Clara Magalhães de. Poética socrática, tanatografia e a invenção do desassossego. 2017. 213 f., il. Tese (Doutorado em Literatura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Resumo: A escrita de morte, denominada tanatografia, conduz esta tese. O conceito funda-se no dialogismo ensejado por Mikhail Bakhtin, cujas preconizações orientam também a metodologia investigativa (polifônica) aqui arrolada. O fenômeno Hamlet, de Shakespeare, despontado no momento de ascensão do individualismo e de enclausuramento da loucura, emerge como cerne irradiador do desassossego a ser espraiado em três obras do breve século XX, a saber: Esaú e Jacó, de Machado de Assis, O Outro, de Miguel de Unamuno, e O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago. Apresentamos como o veio trágico (Nietzsche), a ironia (Kierkegaard) e o ímpeto sepulcral (Augusto Silva Junior) de Hamlet aproximam o mal-estar moderno do desassossego latente desde o grego Sócrates. As lições por este legadas, via diálogos platônicos e sátiras menipeias, orientam nossa proposição de uma poética socrática – por que carnavalizada, gestada na práxis dialogal. O discurso sobre o trespasse ganha amplo desenvolvimento a partir das noções de catábase – viagens aos infernos pelo literário, conforme Eudoro de Sousa – e a tragicarnavalização – tipologia híbrida, a um só tempo cômica e séria, por nós flagrada nas quatro principais publicações analisadas. Disposta em dois grandes capítulos teórico-analíticos, seguidos de um ensaio final, esta tese é palco para discussão sobre uma teoria do literário. O daimon poético Fernando Pessoa e suas pessoas redimensionam a dúvida filosófica propulsora do fazer artístico. Multiplicidade e inacabamento manifestam-se, enfim, como modos possíveis de transcender a comum experiência humana pela palavra e revelar, via plenitude, sentidos para o existir.
Abstract: The writing of death, called thanatography, conducts this thesis. The concept is based upon the dialogism designed by Mikhail Bakhtin, whose recommendations also guide the investigative (polyphonic) methodology engaged in this thesis. Shakespeare’s Hamlet phenomenon, dawned during the ascension of individualism and enclosure of madness, emerges as a core that irradiates unrest to be sprawled along three works of the brief twentieth century: Machado de Assis’ Esaú e Jacó, Miguel de Unamuno’s El Otro, and José Saramago’s O ano da morte de Ricardo Reis. We present how Hamlet’s tragic tone (Nietzsche), irony (Kierkegaard), and sepulchral impetus (Augusto Silva Junior) bring together the modern malaise and the unrest latent since the Greek Socrates. The lessons bequeathed by the latter, through platonic dialogues and Menippean satires, guide our proposition of a Socratic poetry – which is carnavalized, gestated in the dialogal praxis. The discourse about the trespass acquires broad development starting from the notions of katabasis – travels to the hells through literariness, according to the understanding of Eudoro de Sousa – and the tragicarnavalization – hybrid typology, at once comic and serious, caught by us in the four publications mainly analyzed. Displayed in two extensive theoretical-analytical chapters, followed by a final essay, this thesis is the stage for a discussion about the theory of the literariness. Fernando Pessoa’s poetic daimon and his personas resize the philosophical doubt that propels the making of art. Multiplicity and unfinishedness manifest, at last, as possible wais to transcend the common human experience through the word and reveal, through plenitude, meanings of the existing.
Resumen: La escrita de muerte, denominada tanatografía, conduce esta tesis. El concepto se funda en el diálogo enseñado por Mikhail Bakhtin, cuyas preconizaciones orientan también la metodología investigativa (polifónica) aquí arrollada. El fenómeno Hamlet, de Shakespeare, surgido en el momento de ascensión del individualismo y de clausura de la locura, emerge como núcleo irradiador del desasosiego a ser propagado en tres obras del breve siglo XX, a saber: Esaú y Jacob, de Machado de Assis, El Otro, de Miguel de Unamuno, y El año de la muerte de Ricardo Reis, de José Saramago. Presentamos como el influjo trágico (Nietzsche), la ironía (Kierkegaard) y el ímpeto sepulcral (Augusto Silva Junior) de Hamlet acercan el mal-estar moderno del desasosiego latente desde el greco Sócrates. Las lecciones por él dejadas, vía diálogos platónicos y sátiras menipeas, orientan nuestra proposición de una poética socrática – por que carnavalizada, gestada en la praxis dialogal. El discurso sobre el traspaso gana amplio desarrollo a partir de las nociones de catábase – viajes a los infiernos por el literario, según Eudoro de Sousa – y la tragicarnavalización – tipología híbrida, a un solo tiempo cómico y seria, por nosotros flagrada en las cuatro principales publicaciones analizadas. Organizada en dos grandes capítulos teórico-analíticos, seguidos de un ensayo final, esta tesis es escenario para discusión sobre una teoría del literario. El daimón poético Fernando Pessoa y sus personas redimensionan la duda filosófica propulsora del hacer artístico. Multiplicidad e inacabamiento se manifiestan, en fin, como modos posibles de trascender la común experiencia humana por la palabra y revelar, vía plenitud, sentidos para el existir.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, 2017.
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Aparece nas coleções:TEL - Doutorado em Literatura (Teses)

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