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Título: Gênero, sofrimento e virilidade : psicodinâmica do adoecimento no trabalho dos guardas civis metropolitanos de Goiânia
Autor(es): Souza, Ronaldo Gomes
Orientador(es): Mendes, Ana Magnólia Bezerra
Assunto: Psicodinâmica do trabalho
Adoecimento no trabalho
Homens - psicologia
Segurança pública
Trabalho - organização
Data de publicação: 13-Mar-2018
Data de defesa: 8-Dez-2017
Referência: SOUZA, Ronaldo Gomes. Gênero, sofrimento e virilidade: psicodinâmica do adoecimento no trabalho dos guardas civis metropolitanos de Goiânia. 2017. xvii, 229 f., il. Tese (Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Resumo: O objetivo desta tese é relacionar organização do trabalho, sofrimento e estratégia defensiva individual e coletiva da virilidade utilizada pelos guardas civis metropolitanos de Goiânia do gênero masculino com a negação do adoecimento no trabalho. Para tanto, é utilizado as orientações da psicodinâmica do trabalho, que permite aprofundar nas lacunas que existem entre o trabalho prescrito e o trabalho real, bem como as relações de prazer/sofrimento e saúde/doença no trabalho. A segurança pública do município, assumido pela Guarda Civil Metropolitana de Goiânia, enfrentou e enfrenta diferentes desafios sociais para combater a violência, manter a ordem e segurança das pessoas, bens, serviços e patrimônios públicos locais. Estudos, no Brasil, mostram que há uma desvalorização dessa profissão, que é exercida, historicamente, em sua grande maioria, por homens. Eles enfrentam problemas constrangedores causados pela organização do trabalho como falta de equipamentos e treinamentos, falta de reconhecimento por parte da própria instituição, da população e, até, de familiares e da mídia/imprensa. Questiona-se, então, como esses profissionais lidam com essas fontes de sofrimento, as defesas que eles usam e o impacto que a variável gênero masculino/virilidade tem nesse processo, mais especificamente aqueles que adoeceram no trabalho. Assim, tem-se como tese que os guardas civis metropolitanos de Goiânia, homens, para confrontar o sofrimento originado nos constrangimentos da organização do trabalho, usam as estratégias defensivas individual e coletiva de virilidade, que é reforçada pelo gênero e produtora da ideologia da negação do adoecimento no trabalho da categoria. Na literatura, encontra-se que o homem, histórica, cultural e socialmente, é tido como forte, valente, corajoso, ágil, deve proteger, principalmente, as crianças, mulheres, idosos, os mais fracos, etc..., defendendo uma imagem de virilidade, algo que está entre o ser homem, homem de verdade, e o ser o super-homem, o herói. Como a profissão de segurança pública é tipicamente masculina e a organização do trabalho articula prescrições, desejos, demandas e necessidades para os guardas ocuparem o lugar do herói, quando ele é impossibilitado de ocupar esse lugar, aciona suas defesas para se protegerem do sofrimento. A literatura também aponta que o homem tem a tendência de se fazer de forte e negar o processo de sofrimento e adoecimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e é dividida em pré-pesquisa e a pesquisa propriamente dita. A pré-pesquisa é feita por uma entrevista coletiva semiestruturada com 4 guardas e uma observação não participativa com 9 guardas adoecidos, além de conversas informais e análises documentais. E, na pesquisa, foram realizadas 15 entrevistas individuais, constituídas por 2 grupos: um com os participantes adoecidos (6) e outro com os não adoecidos (9), que passaram pela Análise de Conteúdo (AC). Os temas gerados pela AC, as falas e relatos tanto na pré-pesquisa quanto na pesquisa, corroboram com os achados na literatura, pesquisas, e a tese em questão. Conclui-se que a toda a configuração social e cultural que constitui a história da guarda, envolve: falta de treinamento e equipamentos de segurança, defesa e/ou armamento; a base da hierarquia que os GCMs ocupam na relação de poder dentre os demais profissionais de segurança pública no Brasil; menosprezo, desqualificação, desrespeito e a falta de reconhecimento pelos demais profissionais de segurança pública (policiais), pela imprensa (mídia) e pela população, as mudanças e novas exigências, leis, normas, regras, prescrições da GCM de Goiânia; interferem na psicodinâmica do adoecimento dos guardas, principalmente porque esse cenário, dentre outros fatores, acionam as defesas individual e coletiva da virilidade, que é atravessada e agravada pelo gênero masculino.
Abstract: The aim of this thesis is to relate the work organization, suffering and individual and collective defensive strategy of virility used by the male metropolitan civil guards of Goiânia with the denial of illness at work. Therefore, the guidelines of the work psychodynamics are used, which allows to deepen the gaps that exist between the prescribed work and the real work, as well as the relations of pleasure / suffering and health / illness in the work. The public security of the municipality, assumed by the Metropolitan Civil Guard of Goiânia, faces and faced different social challenges to combat violence, maintain order and security of people, goods, services and local public assets. Studies in Brazil show there is a devaluation of this profession, which is practiced, historically, for the most part, by men. They face embarrassing problems caused by work organization such as lack of equipment and training, lack of recognition on the part of the institution itself, the population, and even family members and the media. It is questioned, then, how these professionals deal with these sources of suffering, the defenses they use, and the impact that the male gender / virility has on this process, more specifically those who become illness work. Thus, the thesis is: the metropolitan civil guards of Goiânia, men, to confront the suffering originated in the constraints of the organization of work, use the individual and collective defensive strategies of virility, which is reinforced by the gender and producer of the denial ideology illness in the category. In the literature, it is found that man, historically, culturally and socially, is considered as strong, brave, courageous, agile, must protect, especially, children, women, the elderlies, the weak ones, etc ..., defending an image of virility, something that is between being a man, a real man, and being the superman, the hero. Because the public safety profession is typically male and the work organization articulates prescriptions, wills, demands and needs for guards to take the place of the hero, when he is unable to occupy that place, he triggers his defenses to protect himself from suffering. The literature also points out that man tends to become strong and deny the process of suffering and illness. It is a qualitative research and is divided into pre-research and research itself. The pre-research is made by a semi-structured collective interview with 4 guards and a non-participatory observation with 9 guards who are ill, as well as informal conversations and documentary analyzes. In the research, 15 individual interviews were carried out, consisting of two groups: one with the participants who were ill (6) and the other with the non-sick (9), who underwent Content Analysis (CA). The themes generated by CA, the speeches and reports in both pre-research and research, corroborate with findings in the literature, research, and this thesis. It is concluded that the whole social and cultural configuration that constitutes the history of the guard, involves: lack of training and equipment of security, defense and / or weaponry; the basis of the hierarchy that the GCMs occupy in the relation of power among the other professionals of public security in Brazil; disregard, disqualification, disrespect and lack of recognition by other public security professionals (police), by the press (media) and by the population, changes and new requirements, laws, norms, rules, prescriptions of Goiânia's MCG; interfere in the psychodynamics of guards' illness, mainly because this scenario, among other factors, trigger the individual and collective defenses of virility, which is crossed and aggravated by the male gender.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, 2017.
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Aparece nas coleções:PSTO - Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (Teses)



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