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Título: Tratamento da doença de Chagas pelo Nifurtimox (Bayer 2502)
Autor(es): Prata, Aluizio
Macêdo, Vanize de Oliveira
Porto, Gildete
Santos, Iracema
Cerisola, José A.
Silva, Neiron
Assunto: Chagas, Doença de - tratamento
Data de publicação: Dez-1975
Editora: Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - SBMT
Referência: PRATA, Aluizio et al. Tratamento da doença de Chagas pelo Nifurtimox (Bayer 2502). Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 9, n. 6, p. 297-307, nov./dez. 1975. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86821975000600004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 21 nov. 2017. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821975000600004.
Resumo: Foram tratados 77 pacientes com doença de Chagas pelo nifurtimox, subdivididos em quatro grupos. Grupo I, com 30 pacientes na fase aguda. Somente oito doentes usaram a droga durante 120 dias, na dose inicial de 15 mg/kg de peso corporal e posteriormente de 10 mg. Vinte e dois pacientes tomaram dose insuficiente. Em quatro doentes (50%) o xenodiagnóstico tornou-se negativo pós-tratamento; destes, três fizeram reação de Machado Guerreiro, a qual estava negativa. Houve um óbito por insuficiência cardíaca no 59 dia de tratamento. Seis pacientes apresentaram polineuropatia periférica. Grupo II, com 15 pacientes na fase crônica, tratados em ambulatório. Oito abandonaram o tratamento, mas cinco em dez que tomaram placebo fizeram o mesmo. Dos seis que tomaram a droga durante 120 dias e fizeram pelo menos um xenodiagnóstico pós-tratamento, havia quatro que estavam com os exames negativos. O tratamento não alterou o eletrocardiograma, a área cardíaca ou a radiografia do esôfago dos doentes e não evitou que um paciente viesse a desenvolver insuficiência cardíaca e um outro arritmia. Grupo III, com 15 pacientes na fase crônica, tratados com 10 mg/kg, durante 120 dias. Fizeram 12 xenodiagnósticos mensalmente, cada um com oito caixas contendo 10 T. infestans após o tratamento e somente 28,5% dos pacientes apresentaram todos os exames negativos. Houve acentuada redução da parasitemia, mesmo nos doentes não curados. O número de xenos positivos passou de 43% antes do tratamento para 24,4% após o mesmo e o número de caixas positivas caiu de 29,6% para 7%. Grupo IV, com 17 pacientes na fase crônica, tratados com 8 mg/kg ao dia, sendo que em oito durante 120 dias, em cinco durante 100 dias e em quatro durante 60 dias. A percentagem de doentes com os 12 xenos negativos pós-tratamento foi de 56,25. Também neste grupo houve redução de parasitemia, caindo a percentagem de xenos positivos de 76,5 antes do tratamento para 10,3 e a de caixas positivas de 28,6 para 3,1. Não há vantagem em se prolongar o uso do nifurtimox por mais de dois meses. As percentagens de cura são bem inferiores as obtidas na Argentina, Chile e Rio Grande do Sul. A droga produz muitas reações, sendo a mais importante a polineuropatia periférica.
Abstract: Seventy seven patientes with Chagas disease were treated with nifurtimox. They were divided into 4 groups. Group I consisted of 30 patients in the acute phase of the disease. Twenty two patients took an insufficient dose. Only 8 patients used the drug for 120 days in an initial daity dose of 15 mg/kilogram body weight for up to 2 weeks and later in a daily dose of 10 mg/kilo body weight. In 4 patients (50%) the xenodiagnosis became negativa after treatment and in 3 the Machado Guerreiro test became negative. One patient died with acute cardiac failure on the 5th day of treatment. Six patients developed evidence of sensory peripheral neuritis while on treatment. Group II consisted of 15 outpatients in the chronic phase. They also took the drug for 120 days in a variable dosage of 5-15 mg/kilo body weight. They had at least one xenodiagnosis performedafter treatment in four patients xenodiagnosis became negative. The treatment had no effect on the electrocardiogram, degree of cardiomegaly, or appearance on barium swallow. Treatment did not prevent one patient from developing an arrhythmia and another cardiac failure. Group III also contained 15 patients in the chronic phase with positive xenodiagnosis treated with 10 mg/kilo body weight for 120 days. Twelve serial monthly xenodiagnosis were done after treatment using 80 T. infestans (10 to a box) for each examination. In only 28.5% of the patients were all these xenodiagnoses negative. The frequency of parasitemia was decreased in the other patients but not eradicated. The number of xenodiagnoses positive before treatment was 43% and afterwards 24.4%. The number of positive boxes diminished from 29.6% to 7%. Group IV consisted of 17 patients in the chronic phase with positive xenodiagnosis treated with 8 mg/kg per day. Eight were treated with this dose for 120 days, 5 for 100 days and 4 for 60 days. The percentage of patients with 12 serial xenodiagnoses negative after treatment was 56.25%. A reduction in the incidence of positive xenodiagnoses from 76.5 to 10.3% also ocurred in this group and the number of positive boxes diminished from 28.6 to 3.1%. There is no advantage in prolonging treatment beyond 2 months. The percentage of cure is much less than that obtained in Argentina, Chile or Rio Grande do Sul (Brazil). The drug produces many side effects especially a peripheral neuritis.
Licença: Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License (CC BY NC 4.0). Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86821975000600004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 nov. 2017.
DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821975000600004
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