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Título: Escutar vozes : da qualificação da experiência ao cuidado na clínica em saúde mental
Autor(es): Fernandes, Henrique Campagnollo D´ávila
Orientador(es): Loyola, Valeska Maria Zanello de
Assunto: Transtorno mental
Saúde mental
Grupos de apoio
Alucinações mentais
Data de publicação: 16-Out-2017
Referência: FERNANDES, Henrique Campagnollo D´ávila. Escutar vozes: da qualificação da experiência ao cuidado na clínica em saúde mental. 2017. 114 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Resumo: Este trabalho tem como tema o fenômeno da alucinação auditiva, considerada pelo horizonte biomédico ocidental moderno como um sintoma de transtorno mental. O enfoque psicopatológico tradicional, presente no sistema público de saúde mental, privilegia o tratamento medicamentoso, e muitas vezes esse tratamento prescinde de uma lida que trabalhe o contexto vivencial, o qual contribuiu para que o sofrimento grave tomasse lugar na existência das pessoas. Mesmo seguindo as prescrições médicas e frequentando as atividades previstas no plano terapêutico, muitas delas continuam escutando vozes, e relatam efeitos colaterais que restringem algumas de suas possibilidades de vir a ser. Desse modo, este estudo se justifica pela necessidade de problematização de uma lógica de cuidado que entende a audição de vozes como sinal de transtorno mental, e que visa a remissão dos sintomas como foco do tratamento. Sem privilegiar outras alternativas de acompanhamento, alguns dos pressupostos da Lei da Saúde Mental de nosso país acabam não sendo seguidos. Além desses aspectos, pesquisas internacionais apontam taxas elevadas de pessoas que escutam vozes na população geral de alguns países, e que não necessariamente realizam tratamento em saúde mental, bem como formas de tratamento eficazes e alternativas à medicalização. Considerando essas questões, o objetivo geral desta dissertação foi investigar a experiência da audição de vozes para além do signo “alucinação auditiva”, tal como tem sido compreendido pela perspectiva biomédica, bem como pensar em formas de acolhimento do fenômeno. Para isso, criou-se um grupo psicoterapêutico específico para o cuidado da alucinação auditiva, em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de uma capital brasileira, e dividiu-se esta dissertação em três artigos. O primeiro deles teve como objetivo problematizar a noção da alucinação como sintoma de doença mental, através de uma contextualização histórica e cultural sobre o fenômeno. O segundo artigo teve o objetivo de analisar as vivências de pessoas que escutam vozes. Para tanto, foram entrevistadas seis mulheres e quatro homens, e a transcrição das entrevistas foi submetida a uma análise de conteúdo. Observou-se que dimensões como a origem e características das vozes, estratégias de lida e suporte familiar, são importantes de serem trabalhados pelos profissionais. No terceiro artigo, buscou-se narrar e refletir sobre as experiências do grupo criado para esta pesquisa no CAPS. Para isso, foram analisados diários de campo confeccionados ao longo dos dezoito meses de funcionamento do grupo. Além de técnicas de manejo que foram utilizadas pelo facilitador, tal artigo apresentou ganhos terapêuticos decorrentes das trocas realizadas entre os integrantes do grupo. Recomenda-se a adoção de grupos nesse formato, para que os serviços de saúde ampliem a capacidade de cuidado. A partir da síntese dos três artigos, conclui-se que é fundamental entendermos que a lógica biomédica é apenas uma possibilidade de compreensão da alucinação. Além disso, há necessidade de que se criem outras formas de lida com o fenômeno, a fim de proporcionar uma maior qualidade de vida e de suporte para ouvidores de vozes, e contribuir não só para a concretização da reforma psiquiátrica brasileira, como para a transformação do estigma da loucura.
Abstract: This work has as its theme the phenomenon of auditory hallucination, considered by the modern western biomedical horizon as a symptom of mental disorder. The traditional psychopathological approach, present in the mental health public system, privileges the treatment with medicine, which often dispenses a work that deals with the experiential context, that contributed to the process of illness. Even following the medical prescriptions and attending the activities planned in the therapeutic plan, many of them continue to listen to voices, and report side effects that restrict some of their possibilities of being. In this way, this study is justified by the need to problematize a care logic that understands the hearing of voices as a sign of mental disorder, and that aims to the remission of symptoms as the focus of treatment. Without favoring other follow-up alternatives, some of the assumptions of the Mental Health Law of our country are not followed. In addition to these aspects, international surveys point to high rates of people who listen to voices in the general population of some countries, who do not necessarily perform mental health treatment, as well as effective and alternative forms of treatment in replacement of medicalization. Considering these questions, the general objective of this dissertation was to investigate the experience of hearing voices beyond the sign "auditory hallucination", as understood by the biomedical perspective, as well as to think of ways of welcoming the phenomenon. For this, a specific psychotherapeutic group was created for the care of the auditory hallucination, in a Psychosocial Attention Center (CAPS) of a Brazilian capital, and this dissertation was divided in three articles. The first one aimed to problematize the notion of hallucination as a symptom of mental illness, through a historical and cultural contextualization about the phenomenon. The second article had the objective of analyze the experiences of people who hear voices. Six women and four men were interviewed, and the transcription of the interviews was submitted to a content analysis. It was observed that dimensions such as the origin and characteristics of voices, coping strategies and family support are important for professionals to work with. In the third article, we sought to describe and reflect about the experiences of the group created for this research in the CAPS. To this end, we analyzed field diaries made during the eighteen months of operation of the group. In addition to psychotherapeutic techniques that were used by the facilitator, this article presented therapeutic factors resulting from the exchanges between the members of the group. It is recommended to the health services to adopt groups in this format to increase the capacity of care. From the synthesis of the three articles, it is concluded that it is fundamental to understand that biomedical logic is only a possibility of understanding the hallucination. In addition, it´s necessary to create other ways of dealing with the phenomenon, in order to provide a higher quality of life and support for voice hearers, and contribute not only to the realization of the Brazilian psychiatric reform, but also to the transformation of the stigma of madness.
Informações adicionais: Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e Cultura, 2017.
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.bce.unb.br, www.ibict.br, http://hercules.vtls.com/cgi-bin/ndltd/chameleon?lng=pt&skin=ndltd sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra disponibilizada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:PCL - Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura (Dissertações)

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