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Título: A crise da educação contemporânea e a escola : o que paira sobre o chão que pisamos?
Autor(es): Mundim Neto, Janine de Fátima
Orientador(es): Tunes, Elizabeth
Assunto: Crise educacional
Totalitarismo
Educação humanista
Data de publicação: 11-Set-2017
Data de defesa: 22-Jun-2017
Citação: MUNDIM NETO, Janine de Fátima. A crise da educação contemporânea e a escola: o que paira sobre o chão que pisamos? 2017. xv, 197 f., il. Tese (Doutorado em Educação)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Resumo: Esta tese investiga a crise educacional sob a perspectiva da prevalência de um discurso humanista em detrimento de sua realização. Quando o discurso humanista se separa da vida, ele pode se configurar como anti-humanista, pois traz em seu cerne a dialética de sua deturpação. Para além de sua restrição à retórica, a ideologização desse discurso pode também ter levado à sua perversão, a um falseamento. O ápice do falseamento, da deturpação do discurso humanista, ou seja, anti-humanismo em si, tem se realizado em ideias e ações totalitárias. Uma dúvida que nos acompanhou foi: podemos falar em educação para o totalitarismo? Com referência ao cotidiano escolar da contemporaneidade, destacam-se eventos que nos levam a perceber traços de um projeto cultural de perfil totalitário. No que concerne à crise na educação e a uma provável aproximação entre o modelo educacional e os movimentos totalitários, foram apontadas situações, tanto na escola como fora dela, bastante reveladoras. Foram realizados dois grupos focais com alunos do ensino médio, tendo por elemento central de debate a prova em três momentos da rotina escolar dos estudantes: antes das provas, logo após as provas e após a entrega de resultados. A avaliação – prova –mostrou-se o grande motor de todas as ações escolares, prescrevendo o controle sob os auspícios do medo. Três categorias de análise advindas dos dados dos grupos focais serviram para sua interpretação: a ideologização, a prescrição e a doutrinação. Pais, professores e especialistas ligados à educação foram entrevistados e, sob a luz das supracitadas categorias, suas falas revelaram que aspectos ideológicos, prescritivos e doutrinários atrelados a algum tipo de avaliação dos alunos ultrapassam os muros escolares e invadem a família, que repete inconteste a propaganda escolar. O discurso humanista está deturpado; falseado, supomos que ele se preste à realização de anti-humanismos: a educação, sob a égide da escola, traduz esses anti-humanismos em uma educação voltada para ideais totalitários. Talvez aí se oculte, na dialética humanismo ocidental e anti-humanismo, um dos pontos basilares da crise na educação. Ressaltamos que a crítica à escola sob essa perspectiva precisa ser feita, mesmo que as consequências de tal crítica sejam ainda incertas.
Abstract: This work examines the educational crises from the perspective of the prevalence of a certain human speech despite of its achievement. When the humanist speech takes distance from life, it can be considered anti-humanism, since its core is the dialectics of its misrepresentation. Beyond being restricted to simple rhetoric, the ideologization of this speech can also lead to perversion, distortion or misrepresentation. The apex of the misrepresentation and distortion of the humanist speech, that is, anti-humanism, has been accomplished by totalitarian ideas and actions. One question goes along: Can we talk about education for totalitarianism? Concerning present daily school routine, some events lead us to notice traces of a cultural project with totalitarian aspects. Regarding the crisis of education and its probable connection to the educational model and totalitarian movements, we can highlight some relevant situations, inside and outside school. We had two focal groups with high school students. The main debate was on testing, covering three moments in students’ routine: before the test, right after the test and after test results. The assessment – test – has shown to be the great engine of almost all school actions by prescribing control through fear. Three categories of analysis came from the data collected in the focal groups served as means of interpretation: ideologization, prescription and indoctrination. Parents, teachers and education specialists were interviewed. Under the above mentioned categories, their speech revealed that ideological, prescriptive and doctrinal aspects linked somehow to student assessment overcome school walls and break into the families, which repeat what schools advertise. The humanist speech is distorted, so we suppose that it has surrendered to anti-humanism approaches: education, through school, translates anti-humanism into totalitarian ideas based education. One can consider that the dialects between humanism and anti-humanism is the hidden main responsible for the crises of education. Under this perspective, it is highlighted that criticism of schools must be done, even though the consequences of that criticism are still uncertain.
Résumé: On a l’intention, dans cette recherche, de lancer un regard sur la crise éducationnelle sous la perspective de la prevalence d’un certain discours humaniste en dépit de sa réalisation. Quand le discours humaniste se sépare de la vie, il peut se configurer comme un discours anti-humaniste, car il porte dans son coeur la dialétique de sa perversion. Au delà de sa restriction à la réthorique, l’idéologisation de ce discours peut aussi le mener à une perversion, à une falsification. Cette falsification, cette déturpation du discours humaniste, c’est à dire, l’anti-humanisme en soi, se réalise dans des idées et des actions totalitaires. Un doute nous a accompagné: on peut parler de l’éducation pour le totalitarisme? En ce qui concerne le quotidien scolaire de notre contemporanéité, on rélève des événements qui nous mènent à apercevoir des traits d’un projet culturel dont le profil est totalitaire. Par rapport à la crise de l’éducation et le probable voisinage entre le modèle éducationnel et les mouvements totalitaires, on a remarqué des situations assez révélatrices, dedans et hors l’école. On a réalisé deux groupes focaux avec des élèves du sécondaire, ayant par point central du débat l’examen dans trois moments de la routine scolaires de ces élèves: avant l’examen, après l’examen et après le résultat. L’évaluation – l’examen – s’est montré le grand moteur qui déclanche toutes les actions scolaires, en prescrivant le contrôle par la peur. On a fait ressortir trois catégories issues des données des groupes focaux qui ont servi à l’interprétation: l’idéologisation, la prescription et l’endoctrinement. Des parents, des professeurs et des spécialistes liés à l’éducation ont été interviewés, et, sous la lumière des supracitées catégories, leurs paroles ont montré que des aspects idéologiques, prescriptifs et doctrinaires attachés à un évaluation quelconque ont surmontés les murs scolaires et ont envahi la famille, qui, pour son tour, répète de façon incontestable la publicité de l’école. Le discours humaniste est perverti; déformé, on suppose qu’il se rend à la réalisation d’anti-humanismes: l’éducation, sous l´’egide de l’école, traduit ces anti-humanismes vers une éducation tournée à des idées totalitaires. Peut-être qu’y se cache, dans la dialectique humanisme et anti-humanisme, l’un des points de base de la crise de l’éducation. On remarque qu’il faut faire la critique à l’école sous ce point de vue, même si les conséquences de telle critique sont encore inattendues.
Descrição: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2017.
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