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Título: Por uma impossível fenomenologia dos afetos : imaginação e presença na experiência literária
Autor(es): Diniz, Ligia Gonçalves
Orientador(es): Tinoco, Robson Coelho
Assunto: Imaginação
Leitura - literatura
Afeto
Representações
Data de publicação: 22-Mar-2017
Data de defesa: 21-Set-2016
Referência: DINIZ, Ligia Gonçalves. Por uma impossível fenomenologia dos afetos: imaginação e presença na experiência literária. 2016. 333 f. Tese (Doutorado em Literatura)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.
Resumo: Esta tese apresenta um modo de ler literatura que se concentra na possibilidade de mobilização dos afetos, e no envolvimento somático do leitor no mundo das coisas, via imaginação. Como dimensão híbrida da consciência – sujeita ao fluxo temporal, mas aberta a possibilidades espaciais –, a imaginação é a potência que, disparada pelo texto literário, insere o corpo do leitor na experiência viva da leitura, que, de outro modo, se reduziria à produção de sentido, com toda a energia do texto e do leitor se convertendo em reflexão. Proponho que aquilo que da experiência viva resiste à interpretação: 1) proporciona, de forma fugaz, um lugar cosmológico ao leitor, o que entendo como uma “volta para casa”; e 2) permite a vivência afetiva de possibilidades múltiplas por meio da interação entre imaginário e fictício. Para isso, desenvolvo, a partir da ideia de presença em Gumbrecht, uma teoria da imaginação aplicável à leitura, em que as noções de consciência, autoconsciência e atenção, emprestadas às ciências cognitivas e à filosofia da mente, são postas em diálogo com o debate sobre a relação entre corpo e subjetividade em Merleau-Ponty e Jean-Luc Nancy e com a fenomenologia husserliana e sartriana, para a reflexão sobre um estado afetivo da consciência. Atribuo, então, um caráter plástico à imaginação, que a aproxima da memória, como dimensões em que se interpenetram a realidade externa e os afetos. Com Costa Lima, Iser e, finalmente, Castoriadis, questiono então a possibilidade de se pensar a experiência literária como um modo de representação-afeto.
Abstract: This dissertation explores a way of approaching literary texts that focuses on the possibility of engaging our affects, and on the somatic immersion of the reader in the world of things through imagination. As a hybrid state of consciousness, subject to the temporal flux but also open to spatial possibilities, imagination appears as the potentiality that, once triggered by the literary text, engages the reader’s body in the living experience of reading, which would otherwise be confined to producing meaning, thus channeling both the reader’s and the text’s energy to reflexive thought. I propose that there is something in the reading experience that resists interpretation and which: 1) affords, very fleetingly, a cosmological place to the reader, in an event that I understand as “home coming”; and 2) allows for the reader to affectively experience multiple possibilities by way of the interaction between fiction and imagination. Starting from the notion of presence as put forth by Gumbrecht, I present a theory of imagination which is suited for literary reading, in which the concepts of consciousness, selfconsciousness and attention, borrowed from cognitive science and philosophy of mind, complement both the discussion about subjectivity and the body in Merleau-Ponty and Jean- Luc Nancy, and Husserlian and Sartrian phenomenology. My objective is to define the qualities of an affective state of consciousness. I describe imagination as a plastic dimension, neighbored by memory, both being conscious states in which external reality and affects are intertwined. Finally, with Costa Lima, Iser and Castoriadis, I question whether it is possible to reflect upon literary experiences as a type of affective representation.
Resumen: Esta tesis propone un modo de leer literatura que se concentra en la posibilidad de movilización de los afectos y en la inserción somática del lector en el mundo de las cosas a través de la imaginación. Como una dimensión híbrida de la conciencia - sometida al flujo temporal y, sin embargo, abierta a posibilidades espaciales - la imaginación es la potencia que, iniciada por el texto literario, introduce el cuerpo del lector en la experiencia viva de la lectura, que, de otra manera, se reduciría a la producción de sentido, con toda la energía del texto y del lector convirtiéndose en reflexión. Propongo que aquello que proviene de la experiencia viva y resiste a la interpretación: 1) proporciona al lector, de forma fugaz, un sitio cosmológico, el cual lo comprendo como un “regreso al hogar”; y 2) permite la vivencia afectiva de múltiples posibilidades mediante la interacción entre el imaginario y el ficticio. Para esto, desarrollo, a partir de la idea de presencia en Gumbrecht, una teoría de la imaginación aplicable a la lectura, en la cual las nociones de conciencia, auto conciencia y atención, prestadas de las ciencias cognitivas y a la filosofía de la mente, establecen diálogo con el debate sobre la relación entre cuerpo y subjetividad en Merleau-Ponty y Jean-Luc Nancy y con la fenomenología husserliana y sartriana, para la reflexión sobre un estado afectivo de la conciencia. Atribuyo, desde esta perspectiva, un carácter plástico a la imaginación, que la acerca de la memoria, como dimensiones en las cuales se interrelacionan la realidad externa y los afectos. A partir de Costa Lima, Iser y, finalmente, Castoriadis, cuestiono, por tanto, la posibilidad de pensar la experiencia literaria como un modo de representación-afecto.
Résumé: Cette thèse propose une manière de lire de la littérature concentrée sur la possibilité de mobiliser les affects, e sur l’engagement somatique du lecteur dans le monde des choses, par l’imagination. Dimension hybride de la conscience, l’imagination est la potence qui, déclenchée par le texte littéraire, insère le corps du lecteur dans l’expérience vive de la lecture, qui, d’autre façon, resterait toujours confinée à la production de sens, processus dans lequel toute l’énergie du lecteur et la force du texte seront réduites à la pensée réflexive. Je propose que tout ce qui de l’expérience vive résiste à l’interprétation : 1) offre, d’une façon fugitive, une place cosmologique au lecteur, ce que je définirai comme un « retour à la maison » ; et 2) ouvre l’espace pour vivre affectivement des possibilités multiples par l’interaction entre l’imaginaire et le fictive. Pour y arriver, je développe, dés l’idée de présence de Gumbrecht, une théorie de l’imagination qui s’applique à la lecture, dans laquelle les concepts de conscience, conscience de soi et attention, empruntés aux sciences cognitives e à la philosophie de l’esprit, sont mis en dialogue avec le débât sur la relation entre corps et subjectivité chez Merleau-Ponty e la phénoménologie husserlienne et sartrienne, pour qu’on puisse réfléchir sur un état affectif de la conscience. J’attribue, alors, une qualité plastique à l’imagination, qui l’approche de la mémoire, et je propose qu’on comprenne les deux comme des dimensions où la réalité extérieure et celle des affects s’interpénètrent. Avec Costa Lima, Iser et, finalement, Castoriadis, je questionne la possibilité de penser l’expérience littéraire comme une espèce de représentation-affect.
Informações adicionais: Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Programa de Pós-Graduação em Literatura, 2016.
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