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Título: O debate sobre o nativismo moral : desenvolvimento e evolução da moralidade
Autor(es): Rex, Roger Valério de Vargas
Orientador(es): Abrantes, Paulo Cesar Coelho
Assunto: Moral
Darwinismo
Nativismo (filosofia
Data de publicação: 16-Mar-2017
Data de defesa: 16-Dez-2016
Citação: REX, Roger Valério de Vargas. O debate sobre o nativismo moral: desenvolvimento e evolução da moralidade. 2016. 180 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2016.
Resumo: A fim de identificar o papel de estruturas psicológicas ‘inatas’ na moralidade, investigo como os seres humanos desenvolvem a capacidade de julgar comportamentos a partir de normas. Preliminarmente, procuro demonstrar que a abordagem adotada nesta dissertação não incorre na chamada falácia naturalista e, para afastar certas confusões, examino os conceitos de inato e de moralidade. Em seguida, exploro o problema sob a perspectiva de três programas de pesquisa nativistas. O primeiro deles defende a existência de uma gramática moral universal a partir de uma analogia com o modelo de princípios e parâmetros desenvolvido na Linguística. O segundo programa defende a existência de domínios morais relacionados a módulos mentais específicos, que favoreceriam o surgimento de normas com determinados conteúdos. Por fim, o terceiro programa consiste de modelos epidemiológicos, de acordo com os quais estruturas cognitivas resultantes do processo de evolução da nossa espécie provocariam vieses na origem e na transmissão das normas. Em especial, analiso como os argumentos utilizados para sustentar esses programas se saem quando confrontados com os resultados obtidos em estudos empíricos de diferentes áreas das ciências cognitivas e com argumentos de construtivistas. Quanto à teoria da gramática moral universal, argumentos como o da pobreza de estímulos e da projeção não se mostram convincentes quando aplicados ao domínio da moralidade. Estudos empíricos sobre dilemas envolvendo bondes, mencionados com frequência pelos proponentes dessa teoria, são também insuficientes para sustentar a tese de que a moralidade funciona segundo um conjunto de princípios e parâmetros. Quanto à teoria dos domínios morais, ela tem o mérito de incluir características psicológicas típicas da espécie humana, como as nossas disposições emocionais, na explicação sobre os julgamentos morais. No entanto, está comprometida com uma visão modular a respeito da mente humana que não é consiliente com os resultados de pesquisas neurocientíficas; e, além disso, não oferece uma explicação para as etapas mentais prévias ao desencadeamento das intuições morais. Com relação aos modelos epidemiológicos, o apelo a fatores de atração no processamento cognitivo oferece a hipótese mais promissora para explicar a recorrência, em diversas culturas, de normas similares. Contudo, as explicações propostas até agora são insuficientes, pois se restringem às influências de fatores psicológicos, sem explorar a sua interação com fatores de atração ecológicos. Nesse sentido, esses modelos poderiam ser complementados pela teoria da construção de nichos. Em suma, defendo que os principais programas de pesquisa nativistas não apresentam boas justificativas para sustentar a existência de estruturas cognitivas dedicadas especificamente à produção de julgamentos morais. No entanto, tendo em vista que fatores de atração psicológicos parecem canalizar o desenvolvimento da moralidade, poderíamos dizer que ela é em alguma medida inata, ao menos em um sentido ‘desenvolvimental.’
Abstract: In order to identify the role of 'innate' psychological structures in morality, I investigate how human beings develop the capacity to judge behaviors based on norms. Preliminarily, I show that the approach adopted in this dissertation does not imply the so-called naturalistic fallacy, and, to dispel confusion, I examine the concepts of innate and morality. Then, I explore the problem from the perspective of three nativist research programs. The first of them defends the existence of a universal moral grammar, by analogy with the Chomskyan model of principles and parameters in linguistics. The second program supports the existence of moral domains related to specific mental modules, which would favor the emergence of norms with certain contents. Finally, the third program consists of epidemiological models according to which cognitive structures produced by an evolutionary process would be responsible for biases in the origin and transmission of norms. In particular, I analyze how the arguments used to support these programs fare at relevant contemporary research in Cognitive Science and how well they meet arguments proposed by constructivists. With respect to the universal moral grammar theory, arguments such as the poverty of the stimulus and the projection problem are not convincing when applied to the realm of morality. Empirical studies about trolley problems, often mentioned by proponents of this theory, are also insufficient to ground the claim that morality operates according to a set of principles and parameters. Concerning the moral domains theory, it has the merit of including psychological characteristics typical of the human species, such as our emotional dispositions, in the explanation about moral judgments. Nevertheless, it is committed to a modular view of human mind that is not consilient with the results of neuroscientific research. Moreover, it does not explain the mental stages prior to the unleashing of moral intuitions. With regard to epidemiological models, the appeal to factors of attraction involved in cognitive processing offers the most promising hypothesis to explain the recurrence, in several cultures, of similar norms. However, the explanations proposed so far are still insufficient, as they are restricted to the influences of psychological factors, without exploring their interaction with ecological factors of attraction. In this sense, these models could be complemented by the niche construction theory. In short, the main nativist research programs have not presented good reasons to postulate the existence of cognitive structures specifically dedicated to the production of moral judgments. Notwithstanding, given that psychological factors of attraction seem to channel the development of morality, it is plausible to sustain that the capacity to make moral judgments is innate in some measure, at least in a developmental sense.
Descrição: Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília,Instituto de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Filosofia, 2016.
Informações de Acesso e Conteúdo: Texto liberado parcialmente pelo autor. Conteúdo restrito: Capítulos 1, 2, 5 e 6.
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